Barbárie: Manifestações livres sobre qualquer assunto – Por Leno F. Silva

A covarde morte da dentista de São Bernardo do Campo provocou revolta, indignação e tristeza. O fato, condenável, teve destaque nos principais veículos de comunicação. Por acaso vi um trecho de uma matéria em que a repórter falava, ao vivo, da delegacia que acabara de distribuir retratos falados dos suspeitos. Em seguida, a apresentadora do programa vespertino retornou do estúdio e, sem qualquer reflexão, deu sequência ao bate-papo agradável sobre relacionamento amoroso entre casais com grande diferença de idade, que vinha trocando com três felizes convidados.

Simples assim, o episódio criminoso perverso foi tratado como um mero acontecimento do cotidiano, apenas mais um fato
corriqueiro que emerge de uma sociedade que escolheu aplicar nas pessoas as regras do mercado consumidor. Os bandidos deste caso utilizaram essa mesma lógica para atear fogo na vítima por ela ter apenas R$ 30,00 de saldo bancário.
Para esses profissionais do crime, ela foi morta porque era um “produto” de baixíssimo valor agregado em um mundo em que ser humano vale quase nada.

Desde os primórdios convivemos com distintas formas de estratificação social, por meio das quais pessoas são discriminadas pela impossibilidade de consumir, por integrar classes menos favorecidas ou, simplesmente, pelas etnias as quais ertencem, as regiões que residem ou tantos outros rótulos criados para definir os tais públicos-alvo que interessam ao mercado.

Esquecemos que a raça humana é uma só. Habitamos a mesma casa e todos deveriam ter o direito e as condições para viver com dignidade. No meu entendimento, o maior desafio a ser superado neste século está na compreensão de que formamos um único mundo e um único planeta. Cada um de nós é único, e tem essa existência para cumprir a sua missão de vida. Um bom e sistemático exercício pode estar em responder a três perguntas cruciais, as quais nos desafiam todos os dias: de onde viemos, para onde vamos e porque estamos aqui.

Além disso, será que seremos capazes de quebrar os  paradigmas que transformaram pessoas em meros consumidores e as vidas humanas em produtos descartáveis? Por aqui, fico. Até a próxima.

Por: Por Leno F. Silva

+ sobre o tema

‘Há mais pessoas com celular que com banheiros no mundo’, diz ONU

Ricardo Senra Na manhã de hoje, depois de acordar, você...

Ana Hickmann: A vida como negócio

SÃO PAULO - "Para que tanta perna, meu Deus?" -perguntaria...

Haters gonna hate: Quando Einstein aconselhou Marie Curie a ignorar o recalque

Marie Curie é um dos maiores cérebros do século...

para lembrar

Barack Obama saúda resolução “histórica” do Senado

Fonte: RTP Notícias - Washington, 20 Jun (Lusa) -...

Artigo da Ministra Luiza Bairros: O Estatuto da Igualdade Racial é pra valer!

O Estatuto da Igualdade Racial completa um ano de...

Escutem o louco, por Eliane Brum

O homem que empurrou uma passageira nos trilhos do...

Militares golpistas cortam sinal de rádios e TVs em Honduras

Medida é criticada por entidades internacionais pró-liberdade de expressão.Presidente...

Em 20 anos, 1 milhão de pessoas intencionalmente mortas no Brasil

O assassinato de Mãe Bernadete, com 12 tiros no rosto, não pode ser considerado um caso isolado. O colapso da segurança pública em estados...

CPMI dos Atos Golpistas: o eixo religioso

As investigações dos atentados contra a democracia brasileira envolvem, além dos criminosos que atacaram as sedes dos três Poderes, políticos, militares, empresários. Um novo...

Como pôr fim ao marco temporal

A tese do marco temporal, aprovada na Câmara nesta terça-feira (30), é ancorada em quatro pilares: genocídio, desinformação, atraso e inconstitucionalidade. Dos dois últimos, deve-se dizer...
-+=