quinta-feira, maio 26, 2022

Bom dia Vietnã…

Por:  Mozart José Serafim

Assim, um DJ norte americano abria seu programa de rádio em saigon, no filme “Bom dia Vietnã”, em meio à desastrosa guerra dos EUA contra aquele país. Que mesmo os Americanos com todo o poderio militar, fracassaram em sua insólita demonstração de força. Porque não contavam com a coragem daquele povo.

 

Às vezes quando acordo também me dá vontade de gritar bem alto, bom dia Brasil… Mas não com o humor do filme ou com a alegria dos jornalistas da rede Globo todo dia pela manhã.

 

Gostaria de gritar por causa dessa tamanha desigualdade em que vivemos neste país, e que parece não ter fim, uma guerra silenciosa, onde a elite brasileira insiste em dar continuidade ao seu planejamento estratégico que teve início há exatamente 122 anos com a assinatura da “Lei Áurea”.

 

Uma Lei que, teoricamente, deveria libertar da escravidão a grande parcela da população brasileira (os negros sempre foram a grande maioria da população), que deveria reconhecer o crime e a injustiça praticada contra aqueles seres humanos, e de alguma forma compensá-los pelos 370 anos de sofrimento.

 

Mas não, logo no dia seguinte de sua assinatura, as mazelas foram descobertas, abolicionistas e afro-descendentes perceberam a verdadeira intenção de seus algozes, que era de passar a remunerar o trabalho, mas não dos escravos, esses deveriam ficar à sua própria sorte, sem direitos (indenização, educação, saúde, comida, casa, trabalho, cidadania, etc.), estratégia que poderia ter atingido seus objetivos em um curto espaço de tempo, não fosse a “sabedoria e coragem daqueles negros”… uma manobra covarde, frustrada pela determinação dos nossos antepassados, que para sobreviverem naquela época, se organizaram em quilombos, existentes até hoje.

 

Os descendentes daquela mesma elite de 122 anos atrás, ainda continuam insistindo com seu plano inicial, atualmente disfarçados de representantes do povo no congresso nacional, nas assembléias legislativas e câmaras municipais, nos governos e nos tribunais, ou de cidadãos honestos e de bem, no campo, nos bancos e à frente dos principais meios de produção. E quando se sentem ameaçados mostram as suas garras, a exemplo do estatuto da igualdade racial, do sistema de cotas, da Lei 10.639/03, Decreto Federal 4887/2003, etc., etc., etc..

 

São eles que ainda insistem em não conceder os direitos de cidadania para os filhos da escravidão, e acreditam que aquele planejamento arquitetado em 13 de Maio de 1888, ainda pode dar certo, contando com as estatísticas sobre a violência e genocídio da juventude negra, SUS, má qualidade da educação, eles esperam que em pouco tempo não exista futuro para os negros neste país.

 

 

Fonte: Lista Racial

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