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Cenas do Jazz

Quatro grandes músicos do jazz interpretando canções memoráveis para deixar qualquer admirador ou aficionado do gênero com água na boca. Em Cenas do jazz apresentamos Billy Strayhorn, Lester Young, Willie Smith e Coleman Hawkins em grandes perfomances. Nada como ouvir um dos grandes pianistas admirado por ninguém mais que Duke Ellington, seguido por um dos maiores saxofonista tenor do mundo do jazz que, com todo o seu lirismo, se tornou o melhor parceiro de Billie Holiday. Na sequência, um dos melhores saxofonistas alto de seu tempo, e o introdutor do saxofone como instrumento solo, incorporado-o definitivamente à criação melódica do jazz.

por JOTA A. BOTELHO no GNN

CENAS DO JAZZ – Uma Rápida Pincelada Sobre Eles

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No alto: Strayhorn ao lado de Ellington e Lester Young. Abaixo: Willie Smith e Coleman Hawkins

William Thomas “Billy” Strayhorn (Dayton, 29 de novembro de 1915 – Nova Iorque, 31 de maio de 1967), foi arranjador, compositor e pianista. Iniciou sua carreira no Pittsburgh Music Institute, onde conheceu Duke Ellington nesta mesma cidade após um concerto, em 1938. Depois de uma breve e informal demonstração de seu talento, acabou sendo convidado pelo Duke para trabalhar com ele em Nova Iorque, o que resultou em uma parceria musical que durou mais de vinte e cinco anos, terminando somente com a morte prematura de Strayhorn, vítima de câncer. Uma das composições mais notavelmente associadas a Strayhorn é Lush Life, escrita por ele entre 1933 e 1938. Outra peça de Strayhorn é Take The A Train, classificada como um standard do jazz, e que frequentemente era tocada no início dos shows de Ellington, bem como nos de Ella Fitzgerald. Strayhorn tocou a sua última peça, Blue Cloud, para seu parceiro Duke Ellington no hospital, antes de falecer. Meses depois, Ellington teria alterado o título da música para Blood Count, incorporando esta última peça, produzida pelo seu amigo, como um tributo a Billy Strayhorn, em seu álbum And His Mother Called Him Bill. Strayhorn sempre fora mantido à sombra de Ellington, apesar de seu talento excepcional.

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Lester Willis Young (Woodville, Mississippi, 27 de agosto de 1909 – Nova Iorque, 15 de março de 1959), foi um dos maiores saxofonista tenor norte-americano. Young cresceu numa família família de músicos de relevo. O seu irmão, Lee Young foi um baterista notável e vários outros membros da família se tornaram músicos profissionais. A família mudou-se para Nova Orleans, na Luisiana, quando Lester ainda era uma criança. O pai ensinou-lhe a tocar trompete, violino e bateria além de saxofone. Saiu da banda familiar em 1927 por que se recusou a fazer uma turnê pelo Sul dos Estados Unidos, onde as leis de Jim Crow estavam em vigor. Tornou-se proeminente nos anos 30, tocando num estilo mais descontraído que contrastava vivamente com a abordagem agressiva de Coleman Hawkins, o saxofonista tenor mais importante da época. Com efeito, quando Young saiu da Orquestra de Count Basie para substituir Hawkins na Orquestra de Fletcher Henderson, o seu estilo aborreceu tanto os fãs de Henderson que rapidamente ele teve que sair e foi tocar com Andy Kirk. Mais tarde regressou para a Orquestra de Basie. Visto que o jazz já tinha um ‘rei do swing’ com Benny Goodman, um ‘duque’ com Duke Ellington, e um ‘conde’ com Count Basie, Lester Young ficou conhecido como Prez (diminutivo de ‘Presidente’), apelido que lhe foi dado por Billie Holiday. Ele retribui o carinho chamando a cantora de ‘Lady Day’. Young virou-se para o bebop nos anos 40. No entanto, depois da Segunda Guerra Mundial começou a sofrer de problemas mentais e alcoolismo, em geral atribuídos a maus tratos racistas que teria recebido durante a guerra no exército americano, onde era frequente não lhe darem autorização para tocar o seu saxofone. Apesar disso, manteve uma grande qualidade na interpretação, se destacando pelo lirismo em sua sonoridade. É considerado um dos maiores músicos de jazz de todos os tempos.

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William McLeish Smith (25 de novembro de 1910 – 07 de março de 1967), foi um dos principais saxofone alto da era do swing. Ele também tocava clarineta e cantava. Nascido em Charleston, na Carolina do Sul, mas criado em Cleveland, Ohio, o primeiro instrumento de Smith foi a clarineta e também se formou em química. Ele recebeu seu diploma da Fisk University. Em 1929, Smith tornou-se o saxofonista da Banda de Jimmie Lunceford, se consagrando como uma das principais estrelas do grupo. Em 1940, formou o seu próprio Quinteto como um projeto paralelo. Seu sucesso com Lunceford tinha perdido o encanto a partir de 1942, onde ele passou a ganhar mais dinheiro e realizar menos viagens. Depois foi trabalhar na Orquestra de Harry James, onde ficou por sete anos. Trabalhou ainda com Duke Ellington e Billy May. Também fez parte do Trio de Gene Krupa, e pode ser ouvido ao vivo, em 1952, no álbum da Verve The Drum Battle, como parte do Jazz at the Philharmonic, ao lado de Buddy Rich. Em 1954, ele voltou para a Orquestra de Harry James. Somado a tudo isso, trabalhou também com Nat King Cole. Acabou morrendo de câncer em 1967, em Los Angeles, Califórnia, aos 56 anos de idade. O crítico de jazz,  John S. Wilson, descreveu Smith como ‘um dos triunvirato dos grandes saxofonistas alto do jazz antes de Charlie Parker. Os outros dois eram Johnny Hodges, com um som mais melodioso e ao mesmo tempo gutural, e Benny Carter, com um modelo mais limpo, puro e tonificado. Estilisticamente, Smith ficou entre os dois, combinando a pureza e clareza contida no som de Carter com uma variante mais visceral de Hodges.

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Coleman Randolph Hawkins (St. Joseph, Missouri, 21 de novembro de 1904 – Chicago, 19 de maio de 1969), foi ele quem transformou o saxofone em instrumento solo. Ele aprendeu piano aos cinco anos, ensinado pela mãe. Estudou violoncelo e, aos nove anos, ganhou seu primeiro saxofone tenor. Antes dos vinte anos tocava na Orquestra de Fletcher Henderson e com a cantora Mamie Smith. Coleman inventou variadas técnicas de utilização do sax no jazz e se tornou uma estrela musical, realizando shows por todo os Estados Unidos e Europa. Em 1939, gravou Body and Soul, considerada por muitos sua obra-prima, com arranjo diferente do original composto por Green, Sour e Heyman. O disco que continha esta versão tornou-se um dos mais vendidos da história do jazz. Coleman, também conhecido como Hawk, esteve no Brasil em 1961 e gravou um disco de jazz-samba intitulado Desafinado. Seu último show foi em 20 de abril de 1969, no North Park Hotel, em Chicago, onde morreu um mês depois de pneumonia. Ele é lembrado como um dos criadores do estilo bebop (com Dizzy Gillespie e Max Roach) e como uma das grandes influência para os gigantes do jazz como Lester Young e Miles Davis.

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Cenas do Jazz – Billy Strayhorn (Sono)
De Duke Ellington, com Harry Carney (bs) e Billy Strayhorn (p)

Cenas do Jazz – Lester Young (Indiana)**
De Hanley & MaCDonald, com Lester Young (ts), Nat King Cole (p) e Red Callender (b)

Cenas do Jazz – Lester Young (Tea for Two)
De Youmans & Caeser, com Lester Young (ts), Nat King Cole (p) e Red Callender (b)


Cenas do Jazz – Lester Young (All of Me)**
De Simons & Marks, com Teddy Wilson Quartet: Wilson (p), Lester Young (ts), Gene Ramey (b) e Jo Jones (d)

Cenas do Jazz – Willie Smith (Sophisticated Lady)
De Ellington, Mills & Parish, com Smith (as), Marmarosa (p), Kessel (g), Red Callender (b) e Jo Jones (d)

Cenas do Jazz – Willie Smith (Tea for Two)
De Youmans & Caeser, numa belíssima leitura de Willie Smith (as)

Cenas do Jazz – Coleman Hawkins (The Big Head)**
De Coleman Hawkins (ts) com vários músicos

Cenas do Jazz – Coleman Hawkins (There’s a Small Hotel)
De Rodgers & Hart, com Coleman Hawkins (ts) e vários músicos

Cenas do Jazz – Coleman Hawkins (Body and Soul)**
De Green, Sour & Heyman, com Coleman Hawkins (ts) e vários músicos

Cenas do Jazz – Coleman Hawkins (I Love You)
De Archer & Thompson, com Coleman Hawkins (ts) e vários músicos


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Fontes: Billy Strayhorn / Lester Young / Willie Smith & Coleman Hawkins – Coleman Hawkins
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