Com pouco, gêmeas viram ícones de moda da favela brasileira

As gêmeas Tasha e Tracie Okereke, de 22 anos, são pretas, moradoras da favela no Jardim Peri, e têm a paixão comum pela moda. Juntas, elas criaram, em 2014, o blog Expensive $hit, além de outros projetos focados em proporcionar autoestima à mulher negra por meio da cultura, da música e da moda, já apoiados por marcas como Nike e Melissa, por exemplo.
Com um passado marcado por complexos sobre relacionamentos e o cabelo afro, o gosto pela moda, especialmente a moda africana, já estava presente em suas vidas, muito por influência do pai nigeriano e por inspiração em cantores como Tupac, Snoop Dog e Diana Ross.
Foto: Instagram/Reprodução

Tudo começou com um presente. Elas ganharam uma blusa e decidiram deixar a peça mais parecida com elas. Pegaram a tesoura e transformaram-na em um cropped. A partir daí, passaram a garimpar roupas em brechós a um ou dois reais e imprimiam nelas suas identidades, principalmente cortando-as, já que não envolvia custos extras, ou fazendo intervenções com canetas, para conseguir uma “estampa”. Customizando roupas desde então, hoje a dupla se considera It-Favela. 

A proposta do blog sempre foi “mostrar que é possível se vestir escandalosamente bem com MUITO pouco (muito mesmo)!”, dizem. A ideia logo conquistou jovens de periferia, que encontravam ali editoriais de moda lindos e sem custar mais de vinte reais.

Este ano fizeram o primeiro desfile próprio, junto ao coletivo Mulheres Pretas Independentes da Favela (Mpif). Na passarela, só mulheres negras da favela, em oposição à “higienização” da indústria que prefere “pintar de preto uma pessoa branca”. Além disso, elas seguem fazendo festas, e querem levar à periferia cursos profissionalizantes e aulas de história. O sonho é lançar uma marca própria, sempre pensando em fazer com que o dinheiro volte para a periferia. “Que o dinheiro do preto volte para o preto e todo mundo enriqueça, é uma ambição bem grande”, declaram.

+ sobre o tema

Conheça a House of Aama, marca que resgata a herança negra do Sul dos EUA

A House of Aama foi criada em 2013, mas apenas agora...

O livro ‘Domingos Sodré, um sacerdote africano’

História e Outros Assuntos: “Domingos Sodré, um sacerdote africano” Nesta...

Caboclos Nkisis – a territorialidade banto no Brasil e em Cuba

O projeto, financiado pelo Programa OI FUTURO realizou, através...

Pitanga, um negro em movimento

Gún é uma expressão em iorubá que resume a sensação...

para lembrar

‘Susan Boyle brasileira’ prepara disco com produtor de Roberto Carlos

Ex-doméstica, Nice Silva deixou Guto Graça Melo 'impressionado'.'Não acreditavam...

Em cartaz na Caixa, espetáculo ‘Kindembu’ resgata música afro-brasileira

A valorização da música afro-brasileira é o grande mote...

Mestre Lumumba morre aos 77 anos

Mestre Lumumba, Babá Ilê do Ilê Omo Aiye, morreu...

A cultura cala o racismo

Artistas negros ganham visibilidade e ocupam espaços em instituições...
spot_imgspot_img

Nota de pesar: Flávio Jorge

Acabamos de receber a triste notícia do falecimento do nosso amigo e companheiro de militância Flávio Jorge, o Flavinho, uma das mais importantes lideranças...

Estou aposentada, diz Rihanna em frase estampada na camiseta

"Estou aposentada", é a frase estampada na camiseta azul que Rihanna, 36, vestia na última quinta-feira (6), em Nova York. Pode ter sido uma brincadeira, mas...

Segundo documentário sobre Luiz Melodia disseca com precisão o coração indomado, rebelde e livre do artista

Resenha de documentário musical da 16ª edição do festival In-Edit Brasil Título: Luiz Melodia – No coração do Brasil Direção: Alessandra Dorgan Roteiro: Alessandra Dorgan, Patricia Palumbo e Joaquim Castro (com colaboração de Raul Perez) a partir...
-+=