CPT divulga nota de repúdio contra espancamento de casal quilombola

Fundo Brasil apoia projeto coordenado pelas vítimas na região do Baixo Jequitinhonha, em Minas Gerais

Por CRISTINA CAMARGO , do  Fundo Brasil de Direitos Humanos 

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O casal quilombola formado por Maria Rosa e Jurandir, da comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira, localizada no município de Almenara, na região do Baixo Jetiquinhonha, em Minas Gerais, foi vítima de uma sessão de espancamento na última sexta-feira, dia 24, por volta das 20h.

Por uma triste coincidência, no mesmo dia parte da trajetória de Rosa havia sido contada no site do Fundo Brasil. Ela é uma das coordenadoras do projeto “Quilombola com quilombola”, da Associação Quilombola Marobá dos Teixeira, organização que defende o direito ao território ocupado por volta de 1870. O projeto é apoiado pelo Fundo Brasil.

A Comissão da Pastoral da Terra de Minas Gerais divulgou uma nota de repúdio e denúncia em que relata o ocorrido com a família quilombola e exige providências.

Veja a nota:

NOTA DE REPÚDIO E DENÚNCIA
FAMÍLIA QUILOMBOLA É ESPANCADA VIOLENTAMENTE NA COMUNIDADE QUILOMBOLA MAROBÁ DOS TEIXEIRA

Na noite de ontem (24/03/2017), por volta das 20 horas, três homens armados e encapuzados chegaram à residência do casal na comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira no município de Almenara. Eles estavam em um veículo Novo Uno de cor branca e ao chegarem chamaram os moradores pelos nomes e quando atenderam, acreditando que seria alguém conhecido, foram abordados por um dos homens, o qual afirmou que “graças a Deus” encontrou Jurandir, pois ele era um homem difícil de ser encontrado e já estavam procurando há dias. Inicialmente, torturaram a Maria Rosa (esposa do Jurandir que também é agente voluntária da Comissão Pastoral da Terra). Segundo ela, além de espancá-la, um dos homens deu alguma substância que parecia ter chumbinho dentro e quiseram obrigá-la a tomar, mas ela disfarçou e não engoliu. Além disso, ela foi obrigada a deitar no chão e foi coberta por um pano e, insistentemente, perguntaram onde estavam as armas. Enquanto isso, um deles procurou Jurandir (presidente da associação da comunidade) e quando o encontraram amarraram ao poste de energia elétrica e espancaram e também tentaram enforcá-lo com uma corda, até ele desmaiar. Acreditando que ele estava morto, saíram e vasculharam a casa. Além de levar pertences da casa, levaram documentos da associação comunitária, documentos relativos aos processos administrativos e judiciais relacionados ao território.
Acreditamos que isso está ligado ao conflito agrário, às lutas em defesa do território. Vários outros momentos de conflitos já foram registrados, muitas ameaças já foram feitas, também já houve agressão física e verbal. Muitas outras evidências nos levam fazer tal ligação. As burocracias, a morosidade e a omissão dos órgãos de governo e até a morosidade do Judiciário têm contribuído para acirrar o conflito. Diante do exposto, a Comissão Pastoral da Terra e a comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira denunciam esse atentado. Exigimos que seja investigado e que os responsáveis sejam punidos.

Belo Horizonte – 25/03/2017
Comissão Pastoral da Terra – MG e Comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira

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