Depois de dar entrevista para jornal, jovem negro recebe ataque racista por carta

Leonne Gabriel, estudante de jornalismo da PUC-RJ, foi personagem de uma matéria do jornal O Globo sobre preconceito na universidade; dias depois recebeu uma correspondência em sala de aula. Dentro do envelope havia a página do jornal em que aparece com ofensas racistas

Do Revista Fórum

Foto: reproduzida/Facebook

“Não é só na FGV que alunos negros são alvo”. Assim o estudante de jornalismo da PUC-Rio, Leonne Gabriel, inicia o seu relato sobre o ataque racista que recebeu na segunda-feira (12).

O jovem contou que estava em sala de aula quando uma funcionária da universidade o chamou para entregar uma correspondência que havia chegado em seu nome. Dias antes, o estudante foi personagem de uma matéria do jornal O Globo que falava justamente sobre o preconceito vivido por alunos cotistas em universidades privadas. Por conta da repercussão positiva da reportagem, Leonne achou, a princípio, que seria “algo bom” relacionado à matéria, mas quando abriu o envelope, se deparou com a folha do jornal em que aparece sua foto com frases racistas escritas a caneta.

“Quando desdobrei o jornal recebi de peito aberto os golpes racistas. Fiquei em estado de choque e atordoado. Li e reli sem acreditar as seguintes frases: ‘Porra! cara, com um cabelo desses queria o que?’ e como se não bastasse mais uma ‘Ser preto nenhum problema, mas esse cabelo? PQP!’”, escreveu o jovem em uma postagem no Facebook que já tem mais de 700 compartilhamentos.

“O ataque racista por uma carta mostra ideias velhas que são muito atuais. Um museu de novidades!”, pontuou Leonne.

Confira, abaixo, a íntegra do relato.

 

+ sobre o tema

São brancos, saudáveis, usam roupas normais e não têm tatuagens diz delegado Alfredo Jang sobre homofóbicos

{xtypo_quote}São brancos, saudáveis, usam roupas normais e não têm...

A educação não é tarefa individual

Mario Sergio Cortella é filósofo, mestre e doutor em...

Relatório de Human Rights Watch condena violência policial e prisões desumanas no Brasil

Ameaças de instabilidade levam governos de diversos países a...

para lembrar

spot_imgspot_img

Uma pessoa negra foi morta a cada 12 minutos ao longo de 11 anos no Brasil

Uma pessoa negra foi vítima de homicídio a cada 12 minutos no Brasil, do início de janeiro de 2012 até o fim de 2022....

Como as mexicanas descriminalizaram o aborto

Em junho de 2004, María, uma jovem surda-muda de 19 anos, foi estuprada pelo tio em Oaxaca, no México, e engravidou. Ela decidiu interromper...

Como o diabo gosta

Um retrocesso civilizatório, uma violência contra as mulheres e uma demonstração explícita do perigo que é misturar política com fundamentalismo religioso. O projeto de lei...
-+=