domingo, agosto 7, 2022
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Diretora da ONU diz que iniciativa privada deve ser responsável por ações de igualdade de gênero

Brasil é destaque no relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformar as economias para realizar os direitos”

POR JULIANNA GRANJEIA, do  O Globo 

 

SÃO PAULO – A diretora regional da ONU Mulheres para América Latina e Caribe, Luiza Carvalho, afirmou que a iniciativa privada tem papel fundamental para a igualdade de gênero. O órgão divulgou ontem uma agenda de políticas para transformar as economias e acelerar a igualdade de gênero.

No relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformar as economias para realizar os direitos”, o Brasil é destaque por seu papel na geração de trabalho digno para as mulheres. Segundo o órgão, de 2001 a 2009, a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro subiu de 54 para 58%. Além disso, foi ampliada a cobertura de proteção social com empregos com carteira assinada.

Questionada pelo GLOBO, se a crise econômica e política atual que o país enfrente poderia prejudicar esse desenvolvimento, Luiza afirmou que acredita que o caminho é irreversível.

— Estes desenvolvimentos devem ser irreversíveis. A igualdade de gênero é um compromisso do Estado, envolvendo o governo, congresso, sociedade civil e setor privado, entre outros. Os avanços no desenvolvimento econômico das mulheres dependem muito do setor privado, e é aí que nós esperamos ver as mudanças positivas nos próximos anos. Um Estado pode tomar qualquer ação, mas em última análise, o setor privado tem um papel fundamental. Por esta razão, queremos ver mais mulheres na sala de reuniões, mais mulheres nas carreiras tradicionalmente masculinas, os processos de recrutamento e seleção, sem discriminação e garantia de licença maternidade para que a licença parental para juntar-se — afirmou a diretora.

Entre as barreiras que restringem atualmente o avanço das mulheres ao pleno gozo dos seus direitos econômicos e sociais, Luiza cita a carga desproporcional de tarefas domésticas e de cuidado não remunerado, que pode ser até cinco vezes maior do que a os homens; a informalidade no de quase 60% do total do emprego e as lacunas nos salários entre homens e mulheres.

Os salários das mulheres são, em média, 24% inferiores aos dos homens, em todo o mundo, segundo o relatório. A Ásia Meridional tem a maior desigualdade: 33%, enquanto que o Oriente Médio e a região Norte da África têm o menor: 14%. Na América Latina e Caribe a diferença é 19%. No Brasil, a diferença fica em 25%.

A diretora também afirmou que ainda neste mês será publicado uma versão regional do relatório que traz dez prioridades para intervenção de políticas públicas para nortear os países.

— O decálogo do relatório global propõe um mapa geral rota para transformar as economias no sentido da igualdade de gênero. Cada país é responsável por definir as políticas específicas para atingir esse objetivo de forma eficaz e que realmente funciona para homens e mulheres. Em poucos meses, teremos uma versão regional do presente relatório. Isso nos permitirá criar uma plataforma e linhas de base a partir da qual podemos monitorar o progresso, juntamente com outras partes interessadas, incluindo governos, sociedade civil, entre outros. A evidência demonstrada no relatório é clara: os países que registaram progressos nos direitos das mulheres têm muito mais forte positivo nas famílias economias, maiores taxas de desenvolvimento econômico e social, e os impactos e as novas gerações.

 

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