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Discurso de Janet Mock na Women’s March

Outro discurso que me impactou bastante na Women’s March, evento que mobilizou centenas de milhares de mulheres ao redor do mundo por justiça social, igualdade de direitos e contra o avanço conservador no mundo, que tem como símbolo máximo a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, foi o da Janet Mock.

Por 

Janet Mock é uma ativista transexual negra, escritora, formada em Jornalismo pela New York University, apresentadora de TV e que também contribui na linha editorial da Marie Claire e People Magazine.

Foto: Janet Mock

Tradução livre do discurso da ativista e autora trans Janet Mock na Women’s March.

“Então, aqui estamos nós. Estamos aqui não apenas para estarmos juntas, mas para nos movimentar, certo? E nosso movimento requer que nós façamos mais do que aparecer e dizer as palavras certas. Requer que nós saiamos das nossas zonas de conforto e sejamos confrontadoras. Requer que defendamos umas as outras quando for difícil e perigoso. Requer que olhemos verdadeiramente para nós mesmas e para outras.

Eu estou aqui hoje como filha de uma havaiana nativa e um veterano negro do Texas. Eu estou aqui como a primeira pessoa da minha família a frequentar a Universidade. Eu estou aqui como alguém que escreveu sobre si sem remorso e proclamou “Eu sou uma mulher trans escritora-ativista-revolucionária negra”. E eu estou aqui hoje por causa da força das minhas ancestrais: de Sojourner a Silvia, de Ella a Audre, de Harriet a Marsha.

Eu estou aqui hoje, antes de tudo, porque eu sou uma irmã guardiã. Minhas irmãs e irmãos estão sendo espancadas e brutalizadas, negligenciadas e invisibilizadas, extintas e exiladas. Minhas irmãs e irmãos estão sendo retiradas de albergues e escolas intolerantes. Minhas irmãs e irmãos estão sendo forçadas a entrar em centros de detenção e prisões e, mais profundamente, na pobreza. E eu carrego estas duras verdades. Elas me enfurecem e me abastecem. Mas eu não posso sobreviver sozinha com estas raivas justas. Hoje, estando aqui, é o compromisso de nos libertar que me mantém marchando.

Nossa estratégia pela liberdade não precisa ser idêntica, mas precisa ser interseccional e inclusiva. Deve se estender para além de nós mesmas. Eu sei, com absoluta certeza, que a minha libertação está diretamente ligada a liberação das transexuais latinas sem documentos que almejam por refúgio. O estudante com deficiência que busca inequívoco acesso. As trabalhadoras sexuais lutando por uma vida mais segura.

Libertação coletiva e solidariedade é um trabalho difícil. É um trabalho que nos colocará lutando juntas e lutando umas com as outras. Porque somos oprimidas não significa que nós não sejamos vítimas da adoção do mesmo inconsciente do policiamento, da vergonha e do apagamento. Nós temos que nos voltar umas para as outras com a maior responsabilidade e compromisso no trabalho de hoje.

Por estarem aqui, vocês estão estabelecendo um compromisso com este trabalho. Juntas nós estamos fazendo uma declaração ressonante, uma afirmação que impõe uma reivindicação em nossas vidas e nossos amores, em nossos corpos e nossos filhos, em nossas identidades e em nossos ideais. Mas um movimento, um movimento é muito maior do que uma marcha. Um movimento é este difícil espaço entre nossas realidades e nossas visões. Nossa libertação depende de todas nós, de todas nós retornando para nossas casas e usando esta experiência e todas as experiências que tem nos impulsionado a agir, nos organizar e resistir. Obrigada.”

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