Um universo de comunidades e perfis nas redes sociais que propagam discursos de ódio contra mulheres, defendem a submissão feminina e incentivam uma masculinidade baseada na dominação e na violência. Esse é o foco do Globo Repórter desta sexta-feira (10), que investiga a chamada machosfera e mostra como esse movimento tem alcançado adolescentes cada vez mais jovens.
Também conhecido por termos como “red pill“, em referência ao filme Matrix, o movimento reúne influenciadores e criadores de conteúdo que afirmam que homens estariam perdendo espaço para as mulheres e defendem a retomada de um suposto papel de superioridade masculina. Nas redes, esse discurso aparece em vídeos, memes, cursos e publicações que acumulam bilhões de visualizações.
O avanço da violência entre adolescentes
A reportagem teve acesso exclusivo a um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro que aponta um crescimento de 600% nos casos de violência de gênero praticada por adolescentes entre 2019 e 2025. Além do aumento dos registros, a idade dos agressores também caiu: casos envolvendo meninos de 12 e 13 anos passaram a fazer parte da rotina da Justiça.
Diante da gravidade das ocorrências, medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, antes mais comuns em casos envolvendo adultos, passaram a ser aplicadas com frequência crescente também contra adolescentes.
O avanço da violência entre adolescentes
A reportagem teve acesso exclusivo a um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro que aponta um crescimento de 600% nos casos de violência de gênero praticada por adolescentes entre 2019 e 2025. Além do aumento dos registros, a idade dos agressores também caiu: casos envolvendo meninos de 12 e 13 anos passaram a fazer parte da rotina da Justiça.
Diante da gravidade das ocorrências, medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, antes mais comuns em casos envolvendo adultos, passaram a ser aplicadas com frequência crescente também contra adolescentes.
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As mensagens disseminadas pela machosfera também viraram objeto de estudo na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Uma pesquisa analisou 76 mil vídeos distribuídos em mais de 7 mil canais, que somam mais de 4 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários.
Segundo os pesquisadores, parte desse conteúdo relativiza a violência contra mulheres, incentiva a misoginia e transformou o discurso de ódio em um mercado altamente lucrativo. A monetização ocorre tanto para produtores de conteúdo quanto para as plataformas digitais, impulsionada pelos algoritmos e pelo alto engajamento dos vídeos.
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Como combater o problema
Além de mostrar os riscos, o Globo Repórter apresenta iniciativas que buscam enfrentar o avanço da machosfera. Em escolas, estudantes participam de comitês de combate à misoginia e discutem novas formas de masculinidade, baseadas no respeito e na igualdade de gênero.
Psicólogos, educadores e pesquisadores defendem que o diálogo dentro de casa e nas escolas é uma das principais ferramentas para impedir que adolescentes sejam capturados por esse tipo de conteúdo e para construir relações mais saudáveis entre homens e mulheres.