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É Carnaval: mais branco do que preto, será?

por Sérgio Martins

Bom, estamos ás vésperas do carnaval. Daqui a pouco entraremos em “stand by”, até a quarta-feira de cinzas quando a Igreja Católica lança a Campanha da Fraternidade que, este ano, vem com o tema ” fraternidade e saúde pública”. A Fátima Oliveira vai adorar o lema, “Que a saúde se difunda sobre a terra”. Do lado secular, esquenta a agenda eleitoral das eleições municipais, desenhando o mapa da disputa presidencial em 2014. Aqui no Rio sempre falamos que o ano só começa depois do carnaval; também com este sol maravilhosos é difícil permanecer na rotina diária sem pensar em uma boa cerveja gelada e os pés à beira do mar. Mas a realidade para muitos é o asfalto quente e o sistema de trânsito caótico, para não falar do IPTU, IPVA e as listas de materiais escolares. Por alguns dias vamos esquecer isto tudo e mergulhar na fantasia da alegria permanente ao som da herança dos batuques africanos, que por enquanto, resistem às parafernálias eletrônicas dos trios elétricos.

Por aqui, há escola de samba procurando negros para desfilar nas agremiações. O que será que aconteceu com o carnaval de pretos e os pretos no carnaval. No jornal “O Globo” de domingo último, no concurso de musas da folia, havia a fotografia de 05 (cinco) belas mulheres brancas, todas aparentemente bem nascidas e felizes, nada contra é claro. Com raras exceções, a medida também se repete nos postos das madrinhas de bateria das escolas de samba.

Será que os pretos estão desistindo do carnaval ou a estrutura do carnaval os está expulsando da folia? Conheço vários negros que trocam a grande folia por um bom descanso na praia ou no camping regado de um bom churrasco e boas piadas ou até mesmo, por um “furdunço” em família. Já faz alguns anos que me largo em uma praiazinha chamada Ibicuí, ás margens da rodovia Rio-Santos, um local onde não temos vergonha das nossas gordurinhas, barrigas, estrias e das brancuras dos corpos, queimados, apenas nos braços e rostos expostos na labuta diária.

Por muito tempo, também acreditava na máxima de que carnaval e futebol eram ópios do povo. Depois comecei a conhecer algumas experiências de blocos-afros e locais, que durante todo o ano alimentavam o encontro de suas comunidades, animando mulheres, homens e jovens no orgulho de serem sambistas e na consciência da herança do povo negro. Quanto ao futebol, meus dois filhos, flamenguistas roxos conquistaram meu coração nas maravilhosas disputas que assistimos junto nos estádios do maracanã e no Engenhão.

Mas o cenário do pré-carnaval por hora paralisado, também promete voltar com força na quaresma. A crise do PT- paulista diante da política de aliança com os partidos do centro-direita, a greve justa dos policias militares com seus salários irrisórios diante do desafio de enfretamento da violência nos centros urbanos, a absurda comparação do maltrato de animais com os ritos dos cultos de origem africana, promovido pala Redtv, a crise da credibilidade do judiciário, bom vou parar por aqui e desejar um bom carnaval para os leitores do Portal Geledés, mas antes, me deixem partilhar o refrão do samba enredo da escola da minha cidade a Grande-Rio:

Derrubar o “gigante” eu vou

É lição de coragem e amor

Eu sou “guerreiro do bem” vou caminhar

A minha história vai te emocionar

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