sexta-feira, setembro 24, 2021
InícioQuestão Racial"É uma forma política de se manifestar", diz historiador sobre derrubada de...

“É uma forma política de se manifestar”, diz historiador sobre derrubada de estátuas

No dia 25 de maio de 2020, um triste fato reascendeu a discussão sobre o racismo na sociedade americana e o tratamento policial contra os afro-americanos: a morte de George Floyd.

Desde então, o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) realizou uma série de protestos, o que acabou culminando com o levantamento de outras pautas referentes ao racismo estrutural presente na sociedade.

Com isso, manifestantes, não só nos Estados Unidos, começaram a derrubar estátuas de figuras históricas consideradas supremacistas e escravagistas, como Josefina de Beauharnais e Leopoldo II, da Bélgica.

Porém, o ato, visto por muitos como uma forma de acabar com a perpetuação de ideias racistas, é considerado por uma parcela mais conservadora como sendo vandalismo e uma tentativa frustrada de apagar a história.

Em entrevista exclusiva à Aventuras na História, o historiador José Rivair Macedo, doutor em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e autor do livro História da África (Editora Contexto), fez uma reflexão sobre o assunto.

“Quando vemos uma estátua sendo derrubada, temos uma vontade pública que está sendo manifestada. Isso não foi iniciado pelo movimento Vidas Negras Importam, é uma forma política de se manifestar. Isso aconteceu na Revolução Francesa, quando se mudou o calendário, quando memórias do antigo regime foram excluídas e substituídas por símbolos novos; isso aconteceu na chamada Revolução Bolchevique, quando a memória do czarismo foi atacada; e aconteceu em 1992, depois do fim da União Soviética”, afirmou Rivair.

Para o historiador e autor, o ato de derrubar os monumentos tem um significado direto com o que aquela figura representa. “O que está sendo atacado é uma noção de normalidade, é uma noção de consenso, do que é alguém ser dignificado no passado e outros nem serem considerados para tal. Então, nesse sentido, a minha opinião pessoal não é a que importa, o que importa é o significado político que está colocado aí”.

Na visão de Macedo, diante de um movimento social, que atingiu nível mundial, o que deve ser colocado em questão é a memória a ser considerada. “Nesse sentido, valeira a pena pensarmos que esses atos não partem apenas de pessoas negras, ele também vem de pessoas brancas. É o racismo que é o fenômeno a ser atacado. E os defensores do racismo de alguma maneira, assumiram ou assumem um posicionamento público diante desta questão”.

Assista a entrevista realizada com o autor abaixo.

RELATED ARTICLES