Eleições: Está na hora de oxigenar instituições e fazer valer grito das ruas

Por: Mônica Francisco

Na próxima semana começa a propaganda eleitoral. Um festival de bizarrices, nonsenses e caricaturas. De certo, uma armadilha perfeita para afastar qualquer um da televisão e do rádio neste período e fazer com que não se analisem as propostas dos candidatos.

Nossa jovem democracia, vinda de supetão, sem uma construção mais elaborada do processo, nos brindou, segundo a cientista política Maria Celina D’ Araújo, com figuras pitorescas como o fulano do posto ou o sicrano da bica.

Não que seja ruim ou bom, ou errado ou certo, isso se deu pela forma com que fomos construindo nossa democracia. A questão é que as ações são muito mais pautadas no individual do que no coletivo e dificilmente vão mudar no curto prazo.

Precisamos estar atentos, vigilantes. As decisões que tomamos vão nos acompanhar e, depois de derramado, o leite só serve para ser jogado fora.

Neste ano, pela primeira vez na história do Brasil, teremos mais universitários do que analfabetos votando. Isso é um sinal muito forte do que vem por aí. A mudança está á caminho, já começou, não há como pararem, ainda que coloquem milhares de depoimentos fakes contra as ações afirmativas que colocam centenas de jovens mulheres e homens negros e estudantes de escolas públicas nas universidades.

O Brasil está mudando, não como queríamos, mas está. Ainda vai dar muito trabalho, vai rolar muita resistência, grita da elite, tentativa de endurecimento no lado mais conservador da sociedade que acha que negros ou não brancos, oriundos das camadas populares e trabalhadores de modo geral, tem de se dar por satisfeitos com o que se permite que eles tenham, e não ousar querer mais do que devem.

Fiquemos alertas, de olho nas doações de campanha, nas alianças e, principalmente, no passado dessa turma que ascender ao poder ou não abrir mão dele. Está na hora de oxigenar as instituições e fazer valer nosso grito nas ruas, aquele que eles tentam sufocar, mas que continua ecoando nas consciências deles.

“A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!”

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Fonte: Jb

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