Elite brasileira de fundistas protesta contra excesso de estrangeiros em provas nacionais

Durante a última etapa do Circuito de Corridas Caixa a elite brasileira atrasou a largada em cerca de 15 minutos. Intenção do proteste é deixar o circuito nacional mais competitivo para os corredores locais

Durante o último sábado, 19/10, um grupo de fundistas brasileiras organizou um protesto contra o que elas consideram número excessivo de estrangeiros em provas do circuito nacional. A largada da penúltima corrida do Circuito de Corridas Caixa sofreu um atraso de 15 minutos e o mesmo grupo ameça não largar para a etapa de São Paulo, caso a Confederação Brasileira de Atletismo não ouça as revindicações feitas pelas atletas.

Já faz anos que os pódios das corridas de rua pelo Brasil afora vivem certa carência de bandeiras verde-amarelas nos lugares mais altos. De alguns anos para cá as cores que dominam os degraus reservados aos tempos mais rápidos são o verde, vermelho, preto e amarelo, tons esses que predominam nas bandeiras do Quênia e Etiópia.

Porém não são só as medalhas que têm deixado as divisas nacionais e migrado para o outro lado do Atlântico. As premiações garantidas aos mais rápidos também não fazem mais parte da realidade dos corredores brasileiros de elite que correm principalmente as provas válidas pelo Ranking Caixa CBAt.

“Não queremos privilégios, queremos igualdade e que nossas revindicações sejam ouvidas e levadas a sério, afinal de contas, como seria o circuito brasileiro sem os ‘atletas brasileiros’, escreveu Conceição de Maria Oliveira, fundista tricampeã do Ranking em sua página do Facebook.

Protesto e abaixo-assinado- No último sábado, 19/10, a largada da etapa de Ribeirão Preto do Circuito de Corridas Caixa foi marcada por um atraso fora do comum. Porém, nada que envolvesse a organização da prova. O que impediu o início da corrida de dez quilômetros foi um protesto organizado pelas atletas brasileiras de elite.

Essa iniciativa ainda pode se intensificar em São Paulo, pois há uma ameaça de a elite nacional não largar para a última etapa do Circuito Caixa.

Foram cerca de 15 minutos que os quenianos Edwin Kipsang e David Kiprotich e suas conterrâneas Nancy Kipron e Jacklyne Rionoripo ficaram observando a legião de brasileiras reunidas à grade que separava a zona de concentração do percurso.

Do outro lado do cercado estavam Maria Zeferina Baldaia, Conceição, Roselaine de Sousa entre outras. Todas aguardando por mais de quatro anos uma alteração na norma que define a participação de atletas estrangeiros em competições no Brasil.

No sábado, além da realização do protesto, os brasileiros também formularam um abaixo-assinado que reivindica o limite de apenas um estrangeiro no masculino e no feminino no Circuito Nacional de Corridas.

Alta rotatividade- Conceição, aparentemente a líder das corredoras, diz que o assunto é discutido em todas as etapas do circuito nacional e o que eles querem é condição igualitária de competição. Segundo os fundistas canarinhos, o grupo de africanos que compete no país se renova de três em três meses e corre apenas algumas provas. Já os brasileiros correm todo final de semana e não têm tempo de descanso.

“O ranking tem o calendário extenso com provas de dez quilômetros, meia maratona e maratona, levando os atletas a um desgaste excessivo, onde aquele que escolhe correr mais, não será beneficiado no final”, explica Conceição em seu Facebook.

Regulamentação- Em 2009, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) baixou uma determinação para regulamentar a participação de estrangeiros em provas no país, porém, o que esse grupo de atletas questiona é uma revisão desses termos.

Segundo a atual legislação da CBAt, é definido o seguinte:
Corrida de Rua Classe A-1 – Nacional: até três atletas por país no masculino e três atletas no feminino;
Corrida de Rua Classe A-2 – Nacional: até dois atletas por país no masculino e duas atletas no feminino;
Corrida de Rua Classe B – Estadual: até um atleta por país no masculino e uma atleta no feminino.

Por sua assessoria de imprensa a CBAt diz que a presença estrangeira em competições nacionais está totalmente de acordo com as normas oficiais. A reguladora do esporte no Brasil ainda diz que esse problema apontado pelos fundistas já faz anos que foi superado.

Fonte: Webrun

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