Em dia contra discriminação, ONU defende inclusão de mulheres negras em metas de desenvolvimento

No mês do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado em 21 de março, a ONU promoveu nas redes sociais uma campanha pela inclusão das mulheres negras nos esforços de desenvolvimento dos países. Iniciativa pedia que cidadãs afrodescendentes sejam priorizadas em ações de combate à fome e às disparidades sociais, bem como em estratégias pela promoção da saúde, do trabalho decente e da igualdade de gênero.

Da ONUBR

Campanha da ONU Mulheres discute inclusão das mulheres negras em planos dos países para cumprir metas de desenvolvimento das Nações Unidas. Imagem: ONU Mulheres

 

No mês do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado em 21 de março, a ONU promoveu nas redes sociais uma campanha pela inclusão das mulheres negras nos esforços de desenvolvimento dos países. Iniciativa pedia que cidadãs afrodescendentes sejam priorizadas em ações de combate à fome e às disparidades sociais, bem como em estratégias pela promoção da saúde, do trabalho decente e da igualdade de gênero.

Criada pela ONU Mulheres e pelo Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030, a campanha virtual abordava os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, os ODS.

“Os objetivos globais de desenvolvimento sustentável e a Década Internacional de Afrodescendentes são agendas dos Estados-membros da ONU, incluindo o Brasil, que precisam ser implementadas nos municípios, nos estados e no país para enfrentar as desigualdades de gênero e raça”, defende Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

A ação de conscientização levou para a internet mensagens das integrantes do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50. Nas redes, elas falaram sobre alguns dos ODS e sobre os desafios que as afrodescendentes enfrentam para ter essas metas cumpridas.

Entre as participantes da campanha, estavam Ana Lúcia Pereira, da Agentes da Pastoral Negros (APN), Angela Gomes, do Movimento Negro Unificado (MNU), Clátia Vieira, do Fórum Nacional de Mulheres Negras, Creuza Maria Oliveira, da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), Givânia Conceição Silva, da Coordenação Nacional de Comunidades Quilombolas (CONAQ), Lúcia Xavier, da ONG Criola, Mônica Oliveira, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Naiara Leite, da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas, Nilza Iraci, do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Regina Adami, da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), e Valdecir Nascimento, da mesma instituição.

#OTempoÉAgora

A campanha — nomeada Mulheres Negras no #21M — se soma à iniciativa #OTempoÉAgora, também da ONU Mulheres Brasil, que decidiu homenagear e reconhecer ativistas rurais e urbanas que transformam a vida das mulheres.

“O tempo é agora de fazer as mudanças de que o mundo precisa. Mudar a vida das mulheres é agir para uma sociedade sem machismo, sem racismo e outras formas de opressão. As mulheres negras brasileiras estão agindo para transformar a sua realidade, da população negra e da sociedade em geral. Precisamos de políticas, ações e recursos orçamentários para que as mudanças realmente aconteçam”, acrescenta Nadine.

Liderança

Em 2018, o movimento de mulheres negras celebra 30 anos do seu primeiro encontro nacional, que estabeleceu novas formas de atuação política contemporânea das afro-brasileiras. Três anos após a realização da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, ocorrida em 2015, as ativistas buscam transformações profundas no Brasil por meio da eliminação do racismo e do machismo.

A ação digital Mulheres Negras no #21M faz parte da estratégia de comunicação e conscientização política Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030. A partir de março deste ano, o projeto passa a receber o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos.

Dia internacional

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela ONU em memória ao “Massacre de Shaperville”, ocorrido em 21 de março de 1960. Na data, cerca de 20 mil pessoas protestavam contra a “lei do passe”, que estabelecia a identificação de pessoas negras nos espaços de circulação em Joanesburgo, na África do Sul. Tropas militares do apartheid atacaram os manifestantes e mataram 69 pessoas, além de ferir mais de outros cem indivíduos.

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