Em giro pela África, Lula diz que sucessor terá de dar continuidade à aproximação com o continente

Por: Chico de Gois

ILHA DO SAL (CABO VERDE) – Em visita a Cabo Verde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tomou uma decisão política de se reencontrar com a África e que seu sucessor, qualquer que seja, terá de fazer mais pelo continente. Lula participou do encerramento da cúpula Brasil- Cedeao (Cúpula da Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste) e foi a principal atração do encontro. Antes da reunião, o presidente, em conversa informal com os jornalistas, voltou a lastimar a eliminação do Brasil na Copa e apontou o goleiro Júlio Cesar e o meia Felipe Melo como nomes que contribuíram para a derrota da seleção.

 

Ao ser saudado pelos jornalistas com uma pergunta protocolar se tudo estava bem, Lula respondeu:

– Não estou bem, não. Vai levar meses para me recuperar – declarou, em tom bem-humorado.

 

O presidente lastimou que, com o fim de seu mandato, não voltará a encontrar tantos dirigentes africanos como no encontro deste sábado, no qual participaram 15 chefes de estados.

– O Brasil, não apenas pela vontade do presidente Lula ou do ministro Celso Amorim ou de outros ministros, tomou uma decisão política de se reencontrar com o continente africano – afirmou, e, em tom de elogio, disse:

– Eu digo sempre que nós não temos como pagar, não temos como mensurar em dinheiro a dívida histórica que o Brasil tem com o continente africano. Porque nós somos devedores do nosso jeito de ser, nós somos devedores da nossa cultura, da nossa arte, da nossa cor, da miscigenação do povo brasileiro. Basta que a gente assista a uma Copa do mundo para a gente perceber que de um lado você tem seleção só de asiático, de outro lado você tem seleção só de negro, de outro lado você tem seleção só de branco e somente a seleção brasileira é que mistura branco, negro, índio e o que mais tiver.

 

Para Lula, seu sucessor terá de dar continuidade ao trabalho que de aproximação com a África.

– Independentemente de o Lula ser presidente do Brasil, quem vier depois de mim estará moralmente, politicamente e eticamente comprometido a fazer muito mais.

 

Lula afirmou que o relacionamento do Brasil com os países africanos não pode se dar apenas sob o ponto de vista comercial sob risco de o Brasil ser considerado como um novo colonizador.

– Nós sabemos perfeitamente bem que a relação do Brasil com a África não pode ser apenas comercial – uma relação de um país que tem mais tecnologia, mais indústria, que é mais desenvolvido e que, portanto, quer apenas vender seus produtos para os países africanos. Se o Brasil pensar somente assim, estará pensando com a mesma mesquinhez que, historicamente, os colonizadores pensaram para o continente africano – discursou.

– O que queremos, além do comércio que temos de fazer entre nós, é criar as condições de transferência de tecnologia para que o continente africano possa produzir as coisas que produzimos no Brasil, sobretudo na área de biocombustível, que eu entendo pode ser uma coisa de muita valia para o continente africano, se os países ricos estiverem dispostos a cumprirem o protocolo de Kyoto e estiverem dispostos a colocar no seu combustível, até 2020, 10% de etanol ou um percentual de biodiesel.

 

 

Fonte: O Globo

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