quarta-feira, julho 6, 2022
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Entendendo o declínio do casal de comercial de margarina

Já há grupos de gays islâmicos e não são poucos. Tem na Turquia (onde há paradas de transgêneros e discurso homofóbico não é considerado ‘liberdade de expressão’), clandestinos em países mais desenvolvidos e urbanizados como Irã, Indonésia, Egito, Malásia e Líbano, espalhados pelas colônias de imigrantes nos países desenvolvidos.

por Gunter Zibell,

Quase ninguém pensa propriamente em se declarar ateu ou algo assim.

E 60% ou mais dos LGBTs brasileiros se declara religioso.

A base de todos os preconceitos religiosos em relação a sexo não é a orientação sexual, mas a reprodução.

Quando falam que na Grécia antiga, Islã, Índia, China e Japão medievais – pré-globalização sob domínio ocidental – era comum a prática homossexual, sempre “esquecem” de comentar que a mesma era basicamente intergeracional e que ninguém era socialmente desobrigado de constituir ‘família’.

Todos os dogmas foram sendo abandonados: virgindade, proibição de contracepcção e de casamentos mistos, casamento por apresentação, indissolubilidade do casamento, patriarcalismo, não-reconhecimento de filhos fora do casamento, fertilidade (razão para anulação e/ou não realização de casamentos.)

Dá-se o mesmo com heteronormatividade.

Então, em sociedades onde mais de 20% (sendo crescente esse número) dos héteros decide nunca ter filhos, onde o restante dos casais frequentemete não passa de um filho, haver ou não casamentos homossexuais tornou-se irrelevante.

Se havia algo capaz de unir capitalistas e comunistas, ateus e islâmicos, era a propaganda do casal margarina.

As pessoas percebem isso, claro. E líderes religiosos tentam salvar um dos dogmas, que lhes restaram, passível de manipulação e discurso de medo.

Os muçulmanos e cristãos ortodoxos (Europa Oriental) ou fundamentalistas (África) ainda com maior sucesso. Os demais, com nenhum.

O assunto casamento gay já entrou na pauta da Ásia. Israel, Taiwan, Tailândia, Coreia, Nepal já o estão discutindo.

Desencane-se, pois.

A questão que deve ser discutida é como administrar o envelhecimento relativo das sociedades, a baixa fertilidade e o encolhimento de populações.

E culpar homossexualidade por haver essa questão simplesmente não cola mais.

 

 

Fonte: Luis Nassif Online

 

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