Através de acrobacias, músicas e danças, o espetáculo {FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas, propõe que público se encante com a vida e sorria em meio ao caos cotidiano. O verso “só de revolta, vou ser feliz”, ecoado na música final da apresentação, resume bem o propósito da obra, focada em enaltecer o circo negro.
O Coletivo Prot{agô}nistas tem o propósito de explorar a arte circense e exaltar a existência da negritude diaspórica. Em {FÉ}STA, espetáculo que estreou no Sesc Pompeia, em São Paulo, em 16 de janeiro, e segue em temporada até 8 de fevereiro. Os espectadores observam a possibilidade de enxergarem a vida vida não como uma passagem, mas como permanência.
O palco é tomado por nove intérpretes e na maioria dos casos os movimentos e acrobacias são realizadas em conjunto: enquanto alguém faz belos rodopios, há outros dois sustentando a estrutura para que isso aconteça. E assim o show segue, mostrando que a festa – e a vida – se faz no coletivo.
A musicalidade envolve todo o espetáculo com diferentes ritmos, indo do funk ao pop internacional, e contando com belíssimas canções autorais. Há ainda dois palhaços acrobatas que proporcionam boas risadas e agradam, principalmente, as crianças. na plateia.
Sob os eixos morte, união, vida e fé, o espetáculo trata do corpo negro em diáspora. Ao longo de uma hora, os artistas interagem com um andaime, passando por momentos agitados, lentos, tensos e animados. Essas passagens fazem refletir que a vida é movimento, e que suas várias fases evocam sentimentos distintos.
A beleza das acrobacias, danças e músicas entoadas no palco não deixam crer que a vida é feita só de festa. Ao longo da obra, o pacto da branquitude é citado, colocando em cena a realidade enfrentada pela população negra. A mensagem que fica é: em meio às injustiças, as festas nos ajudam a seguir. Buscar a felicidade é um modo de se inconformar com a crueldade imposta à nós, pessoas negras.
Assistir {FÉ}STA é sair do teatro com esperança e vontade de vida. Nos faz repetir para nós mesmos as palavras: “só de revolta, vou ser feliz”.