quarta-feira, janeiro 20, 2021

Tag: corpo negro

Foto: Silvia Machado

A resiliência semeando sonhos

Um menino negro retinto, pobre da periferia de São Paulo...  Um desejo de perder a timidez, dançando...  Um Reencontro com a dança… Uma realização… Uma carreira como um do principais bailarinos de duas grandes Cias de Dança do Brasil… Um sonho,  de semear Sonhos… Escola de Formação em Danças Preferencialmente para Pessoas Negras…   Nasceu em setembro de 1965, um menino negro de pele escura, o caçula de uma família com cinco irmãos, filho de Pai taxista e Mãe empregada doméstica. Na primeira infância morou na periferia da Cidade Ademar, um bairro na Zona Sul de São Paulo, com a irmã do segundo casamento, e 3 irmãos do primeiro casamento do Pai. Aos 12 anos mudou-se para Pedreira, bairro também na Zona Sul de São Paulo. No início era um quarto, cozinha e um banheiro sem chuveiro, tomavam banho em uma bacia, foram períodos bem difíceis, as circunstâncias não faziam ...

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Victor Tongdee/Adobe

Escrito em Nego

Quando buscaram os Negros na África, trazendo-os como bichos amontoados em uma nau, ignorando suas paixões, estórias e a própria raiz ancestral, Foi escrito em negro e nos negros: sina trágica! No momento em que chegavam ao Cais do Valongo, Mortificados em corpo e alma pelos dissabores do trajeto; Travessia oceânica que pelo medo, pela ira e pela fome fazia-se mais longa, Escrito em pele negra foi: Objetos! No momento em que chegavam às senzalas com seus cabelos “Sarárá,” pele negra, dentes brancos, falando em dialetos nagô, suaíli ou banto, o povo da casa grande se perdia em olhares; ainda que ninguém se atrevesse nada a falar; Era ali escrito em negras pele, talvez por medo ou ignorância: Espanto. Na ração regrada e seca que aos negros era ofertada, Na água barrenta e lameada que não lhes provia da sede a saciedade, No preparar e não comer os quitutes da ...

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Foto Poliana Rodrigues

Tecnologia ancestral

Saudações,  Hoje é um dia no futuro que foi sonhado pelos nossos ancestrais.  Nessa encruzilhada em quem seus olhos encontram as minhas palavras, seu corpo dança.  Danço eu, dança você.  Vamos fazer de conta que estamos bem perto. Você me dá licença, e com a permissão do seu Ori, leio no seu semblante trejeitos herdados de um ancestral, o piscar de olhos, talvez um fogo azul cintilando atrás dos óculos quando se enfurece, a mão na cintura quando se coloca, o dedo em riste quando diz não. Leio a memória trêmula e enfurecida dos teus músculos, quando colocado de cara pro muro com as mãos na cabeça, o sorriso de canto de boca “igual o da sua mãe”, aquele gesto que lembra o parente antigo, e as pessoas dizem “é a cara do avô”.  Leio devagar e discretamente seu peito arfar com a mensagem que chega no whats up, seus ...

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Adobe

A ambiguidade dos corpos de nossos iguais: do desprezo à solidariedade

Tenho pensado em alguns episódios que vivenciei e testemunhei em que os corpos dos nossos iguais, negros e da classe trabalhadora, trazem uma ambiguidade na forma com que nos relacionamentos com eles. Como diz Judith Butler, em “Vidas Precárias”, “meu corpo me relata aos outros”. A filósofa explica que o corpo é constituído pelos discursos sobre ele e a partir disso, surgem formas de tratamento desses corpos, institucionais e interpessoais. O corpo negro foi construído como um corpo que tem uma raça, inferior ao corpo branco, por sua vez, ligado ao belo, bom, nobre, à civilização, à superioridade não somente física, mas moral, à “raça que não comete crime” (ver o caso do médico italiano Cèsare Lombroso, 1835-1909). E parece que há juízes brasileiros, em 2020, que ainda não atualizaram suas referências, permanecendo em 1800. Certa vez, quando trabalhava em um Centro de imigrantes em situação de rua, na Itália, ...

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Imagem do Livro “Espelho Espelho Meu” – Ilustrações de Leandra Gonçalves

Meu Corpo

Um corpo,apenas um corpo. Mas é muito mais que um corpo. Corpo humano, Corpo nu. Braços, pernas, cabeça, peitos, genitálias. Mulheres! Pela genitália me construíram mulher. Me disseram: tu és mulher! Porém me percebem, me olham, me tratam diferente. E então eu me descobri preta. E nessa descoberta me encontrei com minha história, com meu povo, minha ancestralidade, me origem. e eu grito PRETA! Antes de ser mulher, sou preta. luto todo dia para permanecer viva. amo meu corpo, meu cabelo afro, meus lábios e meus olhos. Olho no espelho e sei quem sou. Preta! Mulher Preta! sim, essa sou eu, PRETA! e a minha negritude sou eu e eu sou por ela. Negramente PRETA! ** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE ...

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FOTO: tumblr.com

A distopia do cuidado no brasil opera no corpo das mulheres negras

O corpo negro é um corpo encruzilhada. Sua existência é plena realização dinâmica entre a decisão e o sacrifício. Douglas Malûngu   Cuidado com conceito A abordagem deste ensaio reconhece as múltiplas possibilidades de conceitos e definições que versam sobre cuidado. No entanto, aqui nos interessa lançar mão de algumas lentes com capacidades multidisciplinares para destacar lugares específicos de interação das mulheres negras e suas relações com a organização social do cuidado bem como a própria economia do cuidado. Tal abordagem se impõe com urgência, já que se dá em contexto da pandemia do novo coronavírus no Brasil e se soma aos resultados da combinação entre divisão racial e divisão sexual do trabalho, que, conformada a partir do momento colonial e de duração perene, apresenta como naturalmente associados raça, trabalho e sexo. Dou início a esse texto ao analisar, primeiramente, a categoria care e localizá-la no tempo e espaço. Afinal, dissecar os termos ...

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O corpo negro no cubo branco

Realizada em São Paulo, ação “Presença Negra” estimula discussão sobre segregação e desigualdade no país Por Daniel Toledo Do O Tempo A situação não é difícil de se imaginar: seguranças na porta, obras de arte espalhadas nas paredes, garçons circulando com vinhos e canapés ao redor de grupos de corpos brancos que conversam sobre os mais variados assuntos. Ainda que exceções venham se tornando cada vez mais comuns, é esse o retrato padrão das vernissages que semanalmente movimentam a vida cultural de qualquer grande cidade brasileira. Pois foi na maior delas, São Paulo, que um grupo de artistas negros resolveu equilibrar o jogo e converter em ação artística a própria presença. Realizada pela primeira vez em outubro do ano passado, a ação “Presença Negra” ganhou grande repercussão na última semana, catalisando um amplo – e urgente – debate sobre segregação e desigualdade na ocupação dos espaços culturais do país. “De ...

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Racismo nos EUA, no Brasil e no mundo: “O corpo negro habita a zona da morte”

Por: Douglas Belchior Jovem, negro, nordestino, migrante e morador das periferias da baixada santista, onde o índice de assassinatos promovidos por policiais e milicianos é dos mais altos do estado de São Paulo. Na contramão dos desejos juvenis, dedicou-se aos estudos em um cursinho pré-vestibular comunitário. Chegou à universidade. Formou-se em Jornalismo. A partir da ação política dos cursinhos, conquistou bolsa para mestrado nos Estados Unidos. Emendou um doutorado e se tornou um especialista sobre a questão racial nas Américas. Hoje, Jaime Amparo Alves é PhD, pesquisador visitante do Africana Research Center, Penn State University (EUA) e investigador associado do Centro de Estudios Afrodiasporicos (Universidad Icesi). É como um militante do movimento negro brasileiro, contudo, que Jaime descreve o levante negro que tomou as ruas de diversas cidades norte-americanas desde o assassinato do jovem negro Michael Brown. Vale a pena ler . E revoltar-se. De Ferguson a São Paulo: entre a zona ...

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