Estudo da FGV aponta que 50% das mulheres são demitidas após gestação

Metade das 247 mil mulheres entrevistadas pela instituição perderam o emprego até cinco anos após maternidade. Dados ainda são preliminares

Por CAROLINA SAMORANO, do Metrópoles

Dê um passo atrás no planejamento familiar, se estiver pleiteando um na carreira. Apesar de todo o esforço da luta feminista, conciliar maternidade e trabalho ainda não é possível. Segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito com 247 mil mulheres, dois anos após terem dado à luz, metade delas havia perdido o emprego.

Os resultados detalhados da pesquisa ainda serão divulgados. Mas além da alarmante estatística, divulgada primeiro pelo jornal O Globo, a instituição afirma também que nos dois primeiros meses após o retorno ao trabalho da licença-maternidade, a probabilidade de demissão chega a 10%.

“Isso mostra que a proteção da lei é insuficiente para assegurar um tratamento igualitário dentro do espaço de trabalho. O número também chama atenção justamente porque o país aprovou a reforma das leis trabalhistas que devem diminuir ainda mais essa proteção”, avalia a advogada Camila Gomes, conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF).

Atualmente, a legislação brasileira determina: mulheres com carteira assinada não podem ser demitidas sem justa causa desde o momento em que a gravidez é concebida até cinco meses após o parto.

Mas este problema não é só do país. Em maio deste ano, dois estudos econômicos da Universidade de Wellesley, nos EUA, concluíram que a maternidade acentua a diferença salarial entre homens e mulheres. Os pesquisadores chegaram à conclusão observando a faixa etária na qual a discrepância é maior: entre os 20 e a metade da faixa dos 30 anos, idade em que grande parte das mulheres têm filhos.

O mesmo estudo constatou que mulheres que adiam os planos de gravidez continuam ganhando salários parecidos com o dos maridos ou colegas.

Isso mostra como as discussões de gênero ainda são extremamente necessárias no ambiente de trabalho.

Camila Gomes, advogada trabalhista e conselheira da OAB-DF

Segundo a especialista, quando as empresas respeitam a carência de cinco meses, o maior desafio se torna provar na Justiça que a demissão foi motivada por discriminação. “Essa pesquisa da FGV pode nos dar elementos para questionarmos isso junto a juízes. Essa discriminação quase sempre é velada, uma crueldade absurda”.

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