sábado, fevereiro 4, 2023
InícioÁfrica e sua diásporaPatrimônio CulturalEx-Pugilista mantém tradição de formar novos atletas em Campinas

Ex-Pugilista mantém tradição de formar novos atletas em Campinas

CAC é referência para pugilistas de todo o país

Edison Souza

Considerado por muitas pessoas como um esporte violento, o boxe foi trazido ao Brasil há pouco mais de um século. Em decorrência da chegada dos colonos portugueses, até o início do século XX, a prática desportiva era quase totalmente desconhecida por aqui onde a prática da capoeira, considerada na época uma prática marginal, dominava as rodas esportivas.

Não se tinha muito conhecimento sobre o boxe até que em 1908, o boxeador negro Jack Johnson conquistou o cinturão de campeão mundial dos pesados episódio que muito humilhou os brancos que passaram a desafiá-lo. Como o racismo era latente Estados Unidos, os brancos conseguiram a proibição de se passar fitas ou noticiários com lutas de boxe nos cinemas americanos. Essa situação durou até 1915, quando um gigante branco chamado Jess Wilard conseguiu afinal derrotar Johnson. A partir daí, gradativamente, os filmes de boxe começaram a passar nos cinemas americanos até chegarem ao Brasil por volta de 1910. 

Três anos depois um pequeno ex-boxeador profissional que fazia parte de uma companhia de ópera francesa e o atleta Luis Sucupira, conhecido como o Apolo Brasileiro em razão de seu físico avantajado protagonizaram um grande combate e isso ajudou a populariz o esporte que teve grande acolhida no Clube Espéria até o reconhecimento definitivo entre 1920 e 1921.

A história esportiva registra que Antonio Zumbano, o Zumbanão foi o primeiro grande astro do boxe brasileiro, reinando absoluto por 14 anos (1936 a 1950, durante o qual realizou cerca de 140 lutas, mais da metade delas vencidas por nocaute. Era um peso médio com um potente punch e grande  esquiva.

O Boxe em Campinas

 

 

 

 

 

 

Em Campinas, um reduto permanente do boxe sempre foi o Clube Atlético Campinas (CAC). Segundo o ex-pugilista e atual diretor do CAC, Luís Fernando Caetano da Silva, o boxe na cidade tem crescido muito, não só pelo aspecto da competição,mas sim pelo lado do condicionamento físico, estética, saúde, combate ao estresse e defesa pessoal pessoal. Caetano conta que 90% das academias de Campinas oferecem aulas de boxe e isso é uma exigência dos alunos. “Muitos alunos não gostam da musculação e procuram outras alternativas e o boxe é uma dessas alternativas,” completa Caetano.

Atualmente no CAC, hoje treinam em média 80 alunos, desse total 95% não buscam o lado competitivo. O amor ao esporte fala mais alto e a mensalidade de 30 reais ajuda na manutenção do ginásio e dos equipamentos. Um detalhe curioso é que, tanto nas academis como no próprio clube, muitas já aderiram à prática do esporte.

A realidade do CAC, no entanto é cruel com os freqüentadores. A entidade sobrevive da realização de bailes para a 3ª idade e a academia de boxe recebe a ajuda da Secretaria de Esportes e Lazer do município que oferece suporte através de suplementação alimentar, fisioterapia, vales-transporte.

Alguns atletas recebem ainda bolsas de estudo.

Forja de Campeões

Mesmo em meio às dificuldades, o CAC ainda é uma escola de campeões muito respeitada por todas as academias de boxe do Brasil. Atletas de diversas regiões do Brasil procuram o CAC a fim de buscar aprimoramento técnico e físico. Atualmente seis atletas do clube se preparam para o Campeonato Paulista que tem início previsto para o próximo dia 24.

Um dos pugilistas que se estabeleceu em Campinas é o maranhense Ademir de Jesus Machado. Ele chegou de São Luís do Maranhão há 15 anos e hoje, aos 32 anos, já coleciona os títulos de campeão paulista, campeão do Torneio dos Campeões, e vice-campeão nos Jogos Abertos do Interior em 2009.

Ademir conta que uma luta de Adilson Maguila Rodrigues na TV o estimulou a procurar uma academia e que se inspirou em Oscar de La Roya para adotar um estilo próprio.

O professor

Luís Fernando Caetano da Silva teve uma carreira brilhante no amadorismo. Ex-aluno do professor José Roberto. o atual diretor do CAC foi tricampeão paulista, tricampeão brasileiro, tricampeão dos campeões, campeão sulamericano, medalha de bronze no jogos panamericanos, medalha de bronze no pré-olímpico, além de participar de inúmeros torneios internacionais sempre na categoria dos meio-médios-ligeiros.

Como profissional ficou classificado entre os 100 melhores pugilistas do mundo na categoria peso-médio mantendo o título de campeão paulista por 11 anos seguidos. O professor diz que o grande ídolo da carreira foi Sugar Ray Leonard e que a paixão pelo boxe não vai acabar nunca. “Hoje, pra matar a saudade, acabo fazendo um treino com os alunos para que me vejam no ringue fazendo combate, talvez assim eles consigam assimilar alguma técnica de luta,” completa o professor.

Atualmente, Caetano dá aulas em várias academias da cidade, atua como “personal trainer” e está iniciando um projeto para descobrir novos talentos na região do Jardim São Marcos, onde vai trabalhar como voluntário.

Uma lenda no Boxe

O maior e melhor boxeador brasileiro de todos os tempos, até hoje, na opinião dos analistas é Éder Jofre. Jofre nasceu em uma família de pugilistas: tanto por parte do pai ( família Jofre, oriunda da Argentina ) como por parte da mãe (família Zumbano). Estreou como amador aos 17 anos de idade, em 1953, se tornou profissional três anos depois e, em 1958 se sagrou campeão brasileiro na categoria dos peso galo.

Em 1960 o título mundial do pesos galos ficou vago quando Joe Becerra renunciou ao cinturão.Com isso, foi marcada uma luta entre Éder Jofre e o mexicano Eloy Sanchez e o brasileiro precisou de apenas seis rounds para ganhar o cinturão. Dois anos mais tarde, Jofre massacrou o irlandês Johnny Caldwell na unificação dos títulos da União Européia de Boxe e da Associação Mundial de Boxe.

Jofre defendeu com sucesso seu cinturão por sete vezes, até 1965, mesmo, pressionado para não subir para a categoria dos pesos-pena. No mesmo ano foi vencido pelo maior boxeador japonês de todos os tempos, Masahiko “Fighting” Harada. No ano seguinte, o japonês concedeu revanche e venceu novamente. Era o que bastava para Eder Jofre anunciar a aposentadoria. Voltou ao boxe em 1970 na categoria peso-pPena onde foi novamente campeão em 1973. Eder Jofre lutou 78 vezes, ganhou 50 por nocaute e teve apenas duas derrotas, ambas por pontos para Harada.

Outros brasileiros enalteceram o boxe nacional como Luís Faustino Pires, Maximiliano Campos, Servílio de Oliveira, (medalha de ouro nas Olimpíadas de 1968, no México, categoria peso mosca), Miguel de Oliveira(campeão da categoria meio-médio-ligeiro, versão do Conselho Mundial de Boxe), Adilson Rodrigues e Acelino Freitas.

O fenômeno Maguila

No início dos anos oitenta, o Brasil conheceu o peso pesado Adilson Maguila Rodrigues. Maguila subiu ao ringue 87 vezes, venceu 78 por nocaute e chegou ao segundo lugar n ranking que tinha Mike Tyson como detentor do título unificado da categoria. Maguila perdeu as duas chances que teve de chegar à disputa do título ao ser derrotado por duas lendas do boxe no século XX: Evander Holyfield e George Foreman.

O furacão Popó

No final dos anos noventa, apareceu no cenário Acelino de Freitas, o Popó que teve uma carreira vitoriosa, iniciada profissionalmente em 1995. Popó conquistou quatro cinturões de campeão, dos quais os principais foram: Super-Penas (1999, pela WB0); Unificado Super-Pena (2002, pela WBA) e dos Leves (2004, pela WB0). Foram 38 vitórias (32 por nocaute) e duas derrotas diante do norte-americano Diego Corrales, em 2004 e a outra em 2007, contra o americano Juan Diaz.

Regras do boxe

No boxe profissional, uma luta tem de dez a 12 rounds de trêsminutos por um de descanso. Já nas Olimpíadas, em que é o boxe amador, são apenas quatro rounds de dois minutos cada. Outra diferença entre o boxe profissional e o amador é que os profissionais não podem usar o protetor de cabeça, já os amadores são obrigados.

Para conquistar pontos, o boxeador tem de acertar o rival acima da linha da cintura,  na frente ou na lateral da cabeça sendo que os golpes nos braços dos adversários não são válidos como pontos. Outra maneira de vencer o adversário é nocauteando. Isso ocorre quando o adversário leva um golpe e toca na lona com qualquer parte do corpo, com exceção dos pés. Se o oponente segurar as cordas para não cair na lona ou cair fora do ringue, também será contado como um nocaute.

Quando ocorre um nocaute, o juíz que está dentro do ringue deve fazer a contagem de 10 segundos. Caso o atleta não levante, ele será considerado derrotado. Mesmo se o lutador conseguir ficar em pé, o árbitro pode optar pelo fim da luta se perceber que o lutador não está mais em condições de lutar.

O árbitro também pode declarar o fim da luta caso ele perceba que o oponente está sendo muito espancado. A própria comissão técnica de um lutador pode jogar a toalha dentro do ringue – isto significa a desistência.

As faltas mais comuns são agarramentos, golpes abaixo da cintura, socos na nuca, socos de mão aberta e postura passiva. Dois avisos valem uma advertência e três advertências equivalem à desqualificação do lutador.Também não é permitido golpear o lutador que estiver no chão. Quando um dos lutadores for ao chão, a luta deve ser parada. É proibido falar durante a luta, para evitar possíveis provocações.

Muhammad Ali: Um capítulo à parte

Nascido em 17 de janeiro de 1942, o norte americano Cassius Marcellus Clay Jr. é considerado o maior pugilista pesos-pesado de todos os tempos.

Depois de entrar para a seita dos Muçulmanos Negros, em 1965, Cassius Clay adotou o nome de Muhammad Ali e foi o primeiro a conseguir o título mundial em duas ocasiões. Disputou 61 combates e perdeu apenas cinco.

20100811111625

 

 

 

 

Nos Jogos Olímpicos de 1960, conquistou a medalha de ouro dos pesos-médios.

Ao se negar a alistar-se para a Guerra do Vietnã, em 1967, por causa de suas convicções religiosas, perdeu a licença para lutar, que recuperou em 1971. Em 1981, retirou-se do boxe e desde 1984 luta contra o Mal de Parkinson.

Os golpes

Os golpes mais usados no boxe são permitidos apenas do quadril para cima, os golpes baixos não são permitidos e o lutador será advertido caso aplique esses golpes e, se houver reincidência, ele poderá ser eliminado.

Jab: Golpe frontal com o punho que está a frente na guarda. Embora seja geralmente usado para afastar o oponente ou para medir a distancia, ele pode nocautear.

Direto: Golpe frontal com o punho que está atrás na guarda. É um golpe muito rápido e forte.

Cruzado: Tão potente quanto o Direto, porém o alvo é a lateral da cabeça do adversário. O cruzado termina seu movimento com o braço esticado.

Upper: Desferido de baixo para cima visando atingir o queixo do oponente.

Hook (gancho em português): Golpe desferido em movimento curvo do punho, atingindo lateralmente, dificultando a defesa do oponente. Difere do Cruzado pela distância que é aplicado (próximo e contornando a guarda adversária). O Hook termina seu movimento com o braço flexionado.

No boxe profissional, os lutadores são divididos por categoria e o que determina em que categoria o pugilista vai ser classificado é definido pela balança. O lutador mais leve é o da categoria peso-palha que deve pesar até 47,627 kg e o mais pesado é o da categoria pesos-pesado, categoria para lutadores acima dos acima de 86,183 kg.

Quem quiser ter mais informações sobre o CAC ou tiver interesse em praticar o boxe, basta procurar o clube que fica na rua Doutor Ricardo número 621, ao lado de onde funcionava a antiga estação rodoviária da cidade.

O telefone para mais informações é o (19) 3233-4446.

Fonte: EPTV

Artigos Relacionados
-+=
PortugueseEnglishSpanishGermanFrench