Exposição celebra legado de Emanoel Araujo no Museu Afro Brasil

11/06/26
  • Artista baiano Alberto Pitta apresenta obras em diálogo com criações do fundador do museu
  • Mostra foi concebida como roda que celebra a herança de matriz africana na obra dos artistas

Exposição em cartaz no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, apresenta obras do artista baiano Alberto Pitta para homenagear o legado de Emanoel Araujo, fundador do museu e um dos principais articuladores da presença da arte afro-brasileira nas instituições culturais do país e do mundo.

Na mostra “Um Xirê Para Emanoel”, aberta ao público até 26 de julho, os relevos geométricos dos trabalhos do homenageado se aproximam das cores, tecidos e signos africanos presentes na produção de Pitta. Em outro ponto da mostra, bonecas abayomi criadas por Mãe Detinha de Xangô, artista e sacerdotisa baiana, introduzem dimensões de cuidado e ancestralidade.

O artista baiano Alberto Pitta – Jeferson Lima/Divulgação

O percurso foi concebido como uma roda em que diferentes criações celebram a herança de matriz africana presente na obra dos três artistas.

Conhecido pelos tecidos e trabalhos criados para blocos afro do Carnaval de Salvador, Pitta apresenta obras que deslocam sua produção das ruas para as galerias e museus. “Eu tiro dos panos de bloco e trago para as telas”, afirma o artista. As pinturas reunidas na exposição atravessam referências aos orixás, aos terreiros de candomblé e a outros símbolos da religiosidade afro-brasileira.

O título, sugerido pelo próprio Pitta, faz referência ao candomblé. O xirê é um termo com origem iorubá que significa roda ou dança. Na religião de matriz africana, o xirê é um momento de celebração em que os orixás são saudados e recebidos em uma roda pelos fiéis.

“Como é que eu posso chegar nesse lugar, se não com uma festa, com uma saudação, com uma celebração para Emanoel”, diz Pitta ao explicar a escolha do nome da exposição.

A conexão com a espiritualidade é o fio condutor de toda a mostra. “A gente trata a arte a partir do legado dos orixás, da nossa religiosidade”, diz ele sobre a conexão de sua obra com a do artista homenageado e a de Mãe Detinha. “Eu trago para o museu aquilo que se pode ver, fotografar, tocar, sentir e falar sobre as religiões de matriz africana. É o público do sagrado.”

Para o artista, a mostra carrega uma mensagem de continuidade, pois resgata e celebra a relevância do legado de Emanoel, morto em setembro de 2022, aos 81 anos.

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