terça-feira, março 2, 2021

Tag: ancestralidade

Adriana Meireles Melonio (Foto: Arquivo Pessoal)

Adriana Meireles Melonio: Babaçu, identidade e magistratura

Meus pais são migrantes nordestinos. Chegaram ao Rio de Janeiro no início dos anos 70, trazendo como bagagem um garfo, uma faca e uma esteira, além do sonho de construir uma vida melhor que aquela que tinham no interior do Maranhão. Ante a escassez de recursos na cidade grande, passaram-se muitos anos sem que pudessem retornar à terra natal. E foi por isso que cresci sem meus avós por perto. Já se passaram mais de quarenta anos de quando aqui se estabeleceram. Nos últimos dias, aproveitando o recesso das festas de fim de ano, peguei-me observando meu pai: sentado na soleira da porta da cozinha de nossa casa, descascava uma laranja. Retirava a casca sem quebrá-la e a visão daquela espiral inteira, mas imperfeita, ora mais grossa, ora quase por um fio, fez-me pensar nos caminhos percorridos por meus ancestrais, para que eu pudesse hoje ser uma juíza. Inundada por ...

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O futuro se avizinha: a memória ancestral do povo brasileiro

Estamos imersos num caos social, econômico, ambiental, sanitário, político... São meses de uma pandemia sem controle por parte do Estado brasileiro. Mais de 189 mil mortos.  São meses de isolamento furado, de comércios abertos, de ataque à saúde mental a cada fala desastrosa e equivocada do presidente da república. Existe uma suspensão do Estado de Direito em toda a esfera pública. Não há qualquer plano coletivo, não existe um plano de prevenção e controle da pandemia COVID-19, não há plano político, não há plano econômico. Não há estratégia de combate ao desemprego e a carestia impõe a fome a milhares de famílias neste país. O auxílio miserável de R$ 300,00 findou esse mês.  A ciência e a pesquisa científica, tão incentivadas pela expansão das universidades públicas durante os governos progressistas, vêm sendo sistematicamente solapadas pelos “achismos” das redes sociais e, não somente por parte dos conservadores. Em meio a tudo ...

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Imagem: Júlia Rodrigues/Divulgação

Emicida e o direito de sermos quem somos

“Eu mudarei o curso da vida/Farei um altar para comunhão/Nele eu serei um com um/Até ver o ubuntu da emancipação/Porque eu descobri o segredo que me faz humano/Já não está mais perdido o elo/O amor é o segredo de tudo/E eu pinto tudo em amarelo.” (“Principia”, EMICIDA, faixa: 01: 2019) Este artigo começa com a seguinte afirmação: “AmarElo”, acima de ser um documentário, é expressão viva que se revela a nossa vista, acerca da experiência civilizatória afro-brasileira ao longo de nossa história. Referência seminal para qualquer pessoa que busque compreender o que é ser uma pessoa negra no Brasil, o que a afrodescendência representa em uma sociedade construída, desenvolvida e modernizada por ela, mas que vive e se reproduz através de um processo secular de poder que nega, persegue – numa fúria genocida física e mental – dessa mesma população. Renegar e enfrentar o racismo estrutural que nos mata, é ...

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A atriz Golda Rosheuvel interpreta a rainha Charlotte da Inglaterra na série ‘Bridgerton’. Em vídeo, trailer da atração. (Foto: Reprodução/ Netflix)

A ‘avó’ negra da rainha Elizabeth

A Netflix conseguiu outra vez. Uma série de sua lavra fez novamente disparar o fascínio por uma rainha britânica e reabriu o debate sobre a raça na Casa Windsor. Não se trata de Elizabeth II e a polêmica gerada pela dramatização de sua vida em The Crown, nem tampouco Meghan Markle, uma atriz birracial recebida, tempos atrás, como um sopro de ar fresco numa das monarquias mais antigas da Europa. Quando Bridgerton estreou no dia de Natal, como uma de suas apostas mais potentes da plataforma, muitos espectadores se perguntaram se a escolha de uma intérprete negra para encarnar a rainha Charlotte era uma licença narrativa dos produtores. Desta vez, entretanto, o gigante da ficção teria optado por ser fiel à História, ou ao menos à interpretação de uma ampla corrente de acadêmicos, que afirmam que a esposa de George III seria descendente de africanos. Embora a soberana não seja ...

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Precisamos olhar para os nossos ancestrais, em especial, ainda vivos

Assistindo ao documentário AmarElo, não pude não pensar na minha conexão com os meus antepassados. Entender o quanto as gerações passadas tiveram que trabalhar para eu estar aqui, doutoranda em Ciência Política e com uma vida boa, na medida do possível, é um ato de gratidão, de reverência. Mas ainda sim, eu penso imediatamente em quem ainda está viva: minha avó. Meus olhos enchem-se de lágrimas só de pensar que este pequeno ser tem 86 anos já. Passar a quarentena com ela me deu um novo significado para a vida. Por que, Camila? Porque eu encontro a força para acordar, fazer as atividades (quase sempre) iguais e seguir vivendo, em uma perspectiva otimista. O contexto de pandemia nos ajudou a aparar as arestas que o tempo separadas nos fez. Que difícil conviver com essa mulher! De uma personalidade forte, em busca dos seus objetivos, sempre batalhou em prol da educação, ...

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Dandara Manoela - Foto: Bolívar Alencastro

Dandara Manoela convoca todas as Orixás femininas em “Pretas Yabás”

A cantora e compositora catarinense Dandara Manoela convoca todas as Orixás femininas em seu novo single, “Preta Yabás”. A canção é uma grande exaltação à potência e ao protagonismo da mulher negra. De forma poética, exalta sua resistência e ancestralidade. Dandara Manoela - Foto: Bolívar Alencastro "A música ‘Pretas Yabás’ aborda o deslocamento simbólico das mulheres negras da base da pirâmide social, do lugar mais silenciado e negligenciado, para o centro, o foco. Faz menção ao espaço que elas vêm ocupando, com muito esforço e luta diária, para serem ouvidas, terem mais acessos e direitos garantidos", explica Dandara Manoela. "A música é um lembrete de que todas as mulheres negras são rainhas, eram em África e continuam sendo aqui”, complementa Renata Schlickmann, produtora executiva do projeto. Dandara Manoela - Foto: Bolívar Alencastro A produção musical é assinada por Érica Silva (Mulamba). "’Pretas ...

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Victor Tongdee/Adobe

Escrito em Nego

Quando buscaram os Negros na África, trazendo-os como bichos amontoados em uma nau, ignorando suas paixões, estórias e a própria raiz ancestral, Foi escrito em negro e nos negros: sina trágica! No momento em que chegavam ao Cais do Valongo, Mortificados em corpo e alma pelos dissabores do trajeto; Travessia oceânica que pelo medo, pela ira e pela fome fazia-se mais longa, Escrito em pele negra foi: Objetos! No momento em que chegavam às senzalas com seus cabelos “Sarárá,” pele negra, dentes brancos, falando em dialetos nagô, suaíli ou banto, o povo da casa grande se perdia em olhares; ainda que ninguém se atrevesse nada a falar; Era ali escrito em negras pele, talvez por medo ou ignorância: Espanto. Na ração regrada e seca que aos negros era ofertada, Na água barrenta e lameada que não lhes provia da sede a saciedade, No preparar e não comer os quitutes da ...

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Getty Images

Brasil é nação construída em estupro de mulheres negras e indigenas por brancos europeus, aponta estudo

A maior pesquisa de genoma está sendo realizada no Brasil a fim de desenvolver a base de dados genéticos mais abrangente disponível sobre a população. O projeto “DNA do Brasil” anunciou a iniciativa há nove meses e já está entregando seus primeiros resultados, que espantou muitas pessoas pela herança desigual que eles simbolizam. Este gráfico me deixou absolutamente chocado pic.twitter.com/MkLn1h1wCN — Cientista no jardim (@carloshotta) October 1, 2020 Da meta de analisar 40 mil brasileiros, os pesquisadores já completaram o sequenciamento do genoma de 1.247. Os voluntários são de todas as partes do país, o que inclui desde comunidades ribeirinhas na Amazônia até moradores da cidade de São Paulo. De acordo com os dados, 75% dos cromossomos Y na população são herança de homens europeus. 14,5% são de africanos, e apenas 0,5% são de indígenas. Os outros 10% são metade do leste e do sul asiáticos, e metade de outros locais da ásia. Com o ...

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Reprodução/Facebook

As Mulheres Negras – Eu vos agradeço

Venho pensando a dias como transformar os meus pensamentos, as minhas inquietudes em palavras, sempre me pergunto o porque as pessoas taxarem as mulheres negras que tem postura, ética, senso crítico, opinião de "grosseiras", "estressadas", "raivosas", "intransigentes"? Quando essas mesmas características são colocadas a uma mulher branca, elas são taxadas de "assertivas", "pessoas com credibilidade", "postura", "que tem opinião" etc, quando foi/é que uma mulher negra deixa/deixou de ser assertiva na educação de seus filhos ou na maneira que atua em sua profissão? Quando é/foi que a mulher negra deixa/deixou de ter credibilidade ao trazer dados e informações dentro do expertise dela? Quando é/foi que a mulher negra não tem/teve postura ao se pronunciar? A mulher negra não tem a obrigação de continuar na subserviência, a mulher negra está na base da pirâmide, mas é ela que movimenta toda a sua estrutura, a mulher negra de personalidade herdou de seus ...

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Direito à Ancestralidade

Independentemente de como você professa sua fé, pessoas pretas precisam pensar sobre ancestralidade. Digo isso, porque os valores e os saberes do povo preto vêm sendo apagados ou embranquecidos ao longo da história, e o fundamentalismo religioso ganha força a cada dia e tem colocado no fronte irmãos como inimigos. Ancestral é o que foi, o que é, e o que ainda será. Reconhecer o que é ancestralidade te permite saber de onde você veio e como chegou até aqui. É muito importante para compreender e pacificar algumas formas de sentir que nos foram negadas e, ao mesmo tempo, desconstruir outras que nos foram e ainda são impostas. O desenvolvimento do continente africano foi extremamente prejudicado pelo tráfico de pessoas para a escravização, a qual não retirou aleatoriamente corpos do continente,, em verdade, houve uma seleção baseada nas habilidades e tecnologias de cada povo para construção e manutenção de vários ...

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Reprodução/ Facebook Awurê Orixá

Carta às Ancestrais

Escrevo essas palavras num mix de emoções... Ao mesmo tempo em que as escrevo sentido o peso do amor, da ternura e da força das minhas ancestrais. Escrevo essas linhas com a sensação de que, em certo ponto, falhamos com nossas Yabás, mas seguimos tentando, lutando e perseverando, regidas pelo espírito delas. Mesmo confusa sobre o que sentir, escrevo essa carta a elas, certa de que serei ouvida. Nossas ancestrais, que são para nós como grandes Baobás, robustas e indestrutíveis, viveram numa época em que sua força tinha que ser subliminar e sussurrada. Elas, que carregavam em suas memórias, a história do nosso povo e as nossas tradições, não podiam ocupar o seu protagonismo nessas narrativas, mesmo sendo elas as protagonistas. Nossas ancestrais, viveram num tempo marcado pela segregação, racial e de gênero. Viveram num tempo em que eram “o outro do outro”, como pontuado por Grada Kilomba. Mas foram ...

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Colagem analógica por Aline de Campos Título: .energia ancestral (2020)

Ancestralidade e feminismo: de onde vem a prática feminista que você exerce?

Provocada por uma professora do mestrado – obrigada por isso Carla Cristina! –, refleti acerca de minha concepção de feminismo a partir de uma ótica ancestral. O exercício era considerar as relações entre mim e as duas mulheres que vieram antes, minha mãe e minha avó. Costumo discutir com colegas como a percepção do feminismo chega nas periferias, tendo em vista que as mulheres da resistência cotidiana são as mais expostas às opressões que fortalecem as desigualdades. Cabe lembrar, como Lélia Gonzalez e bell hooks destacaram, que em geral as pautas feministas não trouxeram nenhuma novidade à realidade das mulheres que já lutavam contra dominações desde sempre. Bagagem a mulher preta e periférica tem, seu entendimento das práticas colonizadoras ainda vigentes, na encruzilhada da desigualdade, chega primeiro pela cor, depois pelo gênero. Diferente de como se deu na Europa por meio das classes, como exposto por Marx, a desigualdade no ...

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Arquivos Pessoal

O colar de búzios: religião, gênero, preconceito e ancestralidade na vida de uma quilombola

Prezadas e prezados leitoras/es do Geledés, mais uma vez venho compartilhar um texto que acredito e espero sinceramente que seja apreciado por vocês, pois é compartilhando experiências que nos fortalecemos. Pois bem! Nasci e fui criada no que chamamos de “um lar evangélico”. Aprendi, desde cedo, com meu pai e mãe, tia e tios e avós o hábito de ir à igreja, agradecer a Deus antes das refeições, orar antes de dormir e outros ritos religiosos. Nós íamos a todos os cultos: domingo, segunda, quarta e nas consagrações¹ de sábado de manhã. Enfim, um exemplo de família cristã evangélica. Mas, nem tudo eram flores. Tivemos uma doutrinação que considero severa e irracional: “tudo era pecado!” Ouvir músicas que não fossem evangélicas era pecado, pintar as unhas (especialmente de vermelho) era pecado (lembro-me de minha tia dizendo que pintar as unhas de vermelho era “coisa de pombagira”, segundo ela “um tipo ...

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Imagem: Geledés

Quarentena com outros olhos: maternidade, autocuidado, resgate da ancestralidade e o valor do tempo

Começo este texto como comecei esta reflexão: olhando para a pia do meu banheiro. Caso queira, pode ir lá olhar a sua pia também, ou qualquer outro lugarzinho onde você coloque suas coisas de uso pessoal para higiene e autocuidado. Na minha pia, dentre outros itens que considero básicos como escovas, fio dental e pasta de dentes, tem uma caixinha de medicamentos: colírio, soro fisiológico, antialérgico, polivitamínico, vitamina C, vitamina D, antigases, homeopatias, própolis. Necessidade de hidratar os olhos por passar tempo demais em frente a telas de celular, computador e TV, hidratar as narinas por culpa da poluição cotidiana, o que também motiva o uso regular do antialérgico, que deveria ser item de emergência. Vitaminas em cápsulas para repor o que perdemos com uma comida e um sono de baixa qualidade. Antigases e homeopatias pelo estresse. Própolis para aumentar a imunidade reduzida com dias de angústia. Você pode não ...

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Artistas brasileiros e africanos celebram ancestralidade em comum com shows no Recife

Projeto "Sons da África" ocupa Caixa Cultural até dia 24 de novembro, lembrando o mês da consciência negra. Do G1  Arte de Lenna Bahule, que mora em São Paulo desde 2012, é inspirada nos cantos e danças populares de sua terra natal, Moçambique — Foto: Gabi Portilho/Divulgação Novembro é o mês da Consciência Negra e, com isso, a Caixa Cultural do Recife recebe o projeto Sons da África, que reúne artistas brasileiros e de países africanos para cantar histórias e memórias de povos ligados pela ancestralidade. Os shows acontece da quinta-feira (8) até o dia 24. A programação é aberta pela cantora Lenna Bahule, do Moçambique, e pelo percussionista baiano Luizinho do Jeje, que sobem ao palco juntos. Com uma carreira iniciada nos anos 1980, no Afoxé Rumpilé, Luizinho participou de vários sambas de roda até ingressar no Bloco Afro Olodum. Já a arte de Lenna ...

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Chacina do Cabula: o som ensurdecedor da ancestralidade

 “E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?" Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. ”  Discurso de Martin Luther King (28/08/1963) Por Lena Azevedo, do Caros Amigos  Há dois anos, em 6 de fevereiro de 2015, policiais militares das Rondas Especiais da Bahia (Rondesp) executaram 12 jovens negros na Vila Moisés, bairro do Cabula, em Salvador (BA), em um campo de futebol. Outros seis conseguiram escapar, fingindo-se de mortos. Vila Moisés ouviu naquela madrugada 500 tiros, sendo que 100 deles atingiram meninos já rendidos, sem chance de defesa. O Ministério Público Estadual, com provas, laudos e depoimentos, comprovou a ação premeditada da polícia. O Ministério Público Federal pediu a federalização do caso, por entender a falta de isenção do estado da Bahia em apurar e ser responsabilizado por essas mortes. O caso aguarda uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, que considera preocupante que tenham ocorrido, entre janeiro de 2013 ...

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Eguguns: Um culto sedimentado na crença de que laços ancestrais são eternos

Todas as culturas costumam ter os seus ritos e repertórios variados sobre a morte.  Nas tradições afro-brasileiras, o cuidado com quem parte segue o princípio da preservação da memória coletiva. No candomblé as várias nações realizam suas cerimônias fúnebres como o axexê do povo ketu. Mas, na Ilha de Itaparica, está preservada uma vertente muito específica do entendimento sobre a morte nesse vasto legado herdado das culturas africanas: o culto aos eguguns. Por Cleidiana Ramos Do Flor de Dendê Dentre os terreiros que mantêm essa tradição está o  Omo Ilê Agboula, que, a cada 2 de novembro, realiza uma grande festa. Conheci um pouco dessa comunidade há três anos. O primeiro contato foi uma palestra realizada pelo seu líder, o alagbá Balbino Daniel de Paula no III Encontro de Nações de Candomblé. Após entoar um cântico e traduzi-lo do iorubá para o português, seo Balbino perguntou quantas pessoas ali tinham medo ...

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Balbino: “O culto a egungun preserva o laço coletivo”

Balbino Daniel de Paula, 56 anos, é alagbá, título que lhe conferiu a liderança do Ilê Agboulá. Situado em Ponta de Areia, na Ilha de  Itaparica, o  terreiro sedia hoje à noite o auge de uma homenagem aos egunguns. É uma festa, de certa forma, para os que já morreram, assim como o Dia de Finados,  também comemorado hoje. Mas um culto de vida é a palavra que Balbino prefere para definir a prática religiosa onde atua como liderança. Por Cleidiana Ramos Do A Tarde Aliás, ouvi-lo falar é privilégio, pois o culto feito no Agboulá e em outros terreiros semelhantes, majoritariamente sediados em Itaparica, é pouco conhecido. No posto do alagbá, Balbino tem optado por usar a oralidade para informar, sem revelar os fundamentos do mistério. O objetivo é combater o preconceito e mostrar a  beleza de uma celebração que une entes sacralizados africanos, mas também os que são brasileiros, ...

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“Navio Atavos” sugere reflexão sobre a ancestralidade afro-descendente

Exposição gratuita pode ser conferida até 22 de setembro. Do Itu Contemplado pelo edital de cultura concurso nº 01/2016, o projeto “Navio ATAVOS“ organizado por Pola Fernandez junto ao Grupo de Mulheres Negras Saltenses Nyota está em exposição na Biblioteca Pública Municipal, sob entrada livre e gratuita até 22 de setembro (quinta-feira), e tem como objetivo o resgate da memória das Culturas tradicionais Afro-Brasileiras assim como a divulgação dessas memórias por meio da arte coletiva. Ao som do Coral Vozes Afro, a montagem da exposição foi finalizada na noite de 25 de agosto, sob a presença de familiares, amigos, integrantes do Espaço Cultural Barros Junior e representantes do Museu Republicano de Itu. A produção coletiva é um grande painel com o desenho de um navio negreiro sobre o mar, impresso em tecido, preenchido por bordados contendo frases do poema “Navio Negreiro” do Poeta Castro Alves, que mais sensibilizaram cada uma ...

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‘Perguntar para uma criança o que ela quer ser é uma ofensa. Isso é apagar o que ela já é’

Era mais uma das tardes frias de São Paulo, mas quem esteve na primeira roda de conversa da Ciranda de Filmes no dia 9 de junho, teve seu coração aquecido. Com o tema “Mediador de mundos” Fernanda Heinz Figueiredo, uma das curadoras da Ciranda recebeu o líder indígena Ailton Krenak, o educador José Pacheco e a cantora de cantigas populares Lira Marques para uma conversa sobre os mestres. Neste bate-papo, os mestres apareceram nas figuras de lideranças comunitárias, guardiões de tradições originárias e educadores das práticas democráticas. Por Mayara Penina, do Catraca Livre  São muitos os mestres que inspiram e iluminam a longa jornada de aprendizado que é a vida e para exemplificar este pensamento, cada participante iniciou a conversa compartilhando uma memória de seus mestres da infância. Ailton Krenac. - crédito: Aline Arruda O mestre que quero compartilhar é esta entidade intangível que é a natureza. É uma aventura viver ...

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