terça-feira, agosto 9, 2022
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F1 e FIA condenam termo racista usado por Piquet sobre Hamilton

Mercedes, equipe do heptacampeão, também foi contra fala do ex-piloto brasileiro durante entrevista; Ferrari, McLaren, Alpine e Aston Martin compartilharam nota de repúdio e apoiaram rivais

Em repercussão a um termo racista adotado pelo tricampeão da F1 Nelson Piquet ao falar sobre Lewis Hamilton, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA), Fórmula 1 e Mercedes se pronunciaram nesta terça-feira e repudiaram o comentário do ex-piloto. Rivais como Ferrari, McLaren, Alpine e Aston Martin, bem como George Russell, colega de equipe do heptacampeão, publicaram manifestações de apoio ao britânico.

A expressão “neguinho” foi utilizada pelo brasileiro durante uma entrevista publicada na internet, enquanto comentava sobre a batida do heptacampeão com Max Verstappen – atual campeão da F1 e namorado da filha de Piquet, Kelly – na última edição do GP da Inglaterra.

O caso ganhou notoriedade após a divulgação do vídeo nas redes sociais na última semana. No trecho, Piquet defende que Hamilton teria tido intenção de tirar Verstappen da corrida no Circuito de Silverstone.

O “neguinho” meteu o carro e deixou. O Senna não fez isso. O Senna não fez isso. Ele foi, assim, “aqui eu arranco ele de qualquer maneira”. O “neguinho” deixou o carro. É porque você não conhece a curva; é uma curva muito de alta, não tem jeito de passar dois carros e não tem jeito de passar do lado. Ele fez de sacanagem.

– A linguagem discriminatória ou racista é inaceitável sob qualquer forma e não tem parte na sociedade. Lewis é um embaixador incrível do nosso esporte e merece respeito. Seus esforços incansáveis para aumentar a diversidade e a inclusão são uma lição para muitos e algo com o qual estamos comprometidos na F1 – declarou a categoria.

O incidente em questão se deu no começo da prova, em julho passado. Hamilton, vindo da segunda colocação, tocou na roda traseira esquerda de Verstappen; com o impacto, o holandês perdeu a direção do carro e bateu, abandonando a prova.

O heptacampeão foi punido com 10s e caiu para quinto na corrida, mas reverteu a desvantagem e venceu a disputa. O episódio, porém, gerou ataques racistas direcionados a ele e que foram repudiados pela Mercedes, F1 e a RBR, equipe de Verstappen.

A Mercedes também utilizou as redes para condenar as falas de Piquet, embora não tenha mencionado o incidente de forma explícita ou o nome do tricampeão, assim como FIA e F1:

– Condenamos nos termos mais fortes qualquer uso de linguagem racista ou discriminatória, de qualquer tipo. Lewis liderou os esforços do nosso esporte para combater o racismo, e ele é um verdadeiro campeão da diversidade dentro e fora da pista. Juntos, compartilhamos a visão para um automobilismo diversificado e inclusivo, e este incidente destaca a importância fundamental de continuar lutando por um futuro melhor.

Apesar de recente repercussão negativa de críticas do presidente da FIA Mohammed ben Sulayem ao ativismo de Hamilton (bem como de Sebastian Vettel, também mencionado por ele), a entidade também condenou o episódio.

– A FIA condena veementemente qualquer linguagem e comportamento racista ou discriminatório, que não tem lugar no esporte ou na sociedade em geral. Expressamos nossa solidariedade a Lewis Hamilton e apoiamos totalmente seu compromisso com a igualdade, diversidade e inclusão no esporte a motor.

Apoio de rivais

George Russell, colega de equipe de Hamilton, se manifestou em favor do companheiro em seu perfil nas redes:

– Muito respeito a LH. Ele fez mais pelo esporte do que qualquer piloto na história, não apenas na pista, mas fora dela. O fato de que ele e tantos outros AINDA estão tendo que lidar com esse comportamento é inaceitável. Todos nós precisamos nos unir contra qualquer tipo de discriminação.

Ferrari

Ferrari foi a primeira equipe rival da Mercedes a também se posicionar de forma contrária ao episódio. Outros times do grid também se manifestaram.

– Estamos ao lado da F1 , Lewis Hamilton e Mercedes contra qualquer forma de discriminação – escreveu a escuderia, vice-líder do campeonato de 2022.

McLaren

– A McLaren está ao lado de Lewis Hamilton e a F1. O racismo deve ser extirpado do nosso esporte, e é nossa responsabilidade conjunta nos unirmos e eliminá-lo – escreveu a equipe britânica.

Aston Martin

– Estamos com Lewis Hamilton e todos aqueles ao redor do mundo afetados por racismo ou discriminação de qualquer tipo. Não há espaço para esse comportamento abominável em nosso esporte ou sociedade – tweetou a equipe de Lance Stroll e Sebastian Vettel.

Alpine

– Nós estamos com vocês. O racismo não tem lugar no nosso esporte, nem em nenhum outro lugar – respondeu a equipe francesa à publicação de repúdio da Mercedes.

Hamilton tem sido uma voz proeminente no combate ao racismo dentro da F1 há, pelo menos, quatro anos. Desde 2020, o heptacampeão e a Mercedes têm promovido, individual ou coletivamente, iniciativas que visam aumentar a diversidade dentro da F1, sobretudo em áreas de atuação científicas e tecnológicas no automobilismo.

O piloto é fundador da instituição Mission 44, criada com intuito de alavancar seus projetos, e da Comissão Hamilton, que em parceria com a Academia Real de Engenharia Britânica, analisou barreiras no acesso de pessoas negras e racializadas ao automobilismo.

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