quarta-feira, agosto 17, 2022
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Gaultier e modelo com saia de bananas: Outro debate sobre racismo

Virou polêmica nas redes sociais o registro do estilista Jean Paul Gaultier, que foi homenageado, nesse domingo (16/10), com uma festa em Santa Teresa, ao lado da modelo e atriz Maíra, que interpretou, numa dança, vestida com uma saia de bananas e com os seios nus, Josephine Baker.

Por Marcia Bahia Do Lu Lacerda

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cobrimos o seios da modelo porque alguns usuários se sentiram incomodados com a nudez e não com as bananas

Não foram poucos os que viram racismo na imagem, o que deixou a produtora da noite, Malu Barreto, perplexa. “Minha intenção foi fazer uma conexão com a identidade do perfume e, a pedido de Gaultier, com a cidade do Rio. Busquei associar a festa ao filme “Querelle” e ao cais do porto carioca, e então, surgiu a ideia de homenagear Josephine Baker, que veio de transatlântico para a cidade em 1929 e, por aqui, fez uma de suas primeiras performances.

Preconceituoso é quem vê problema num branco do lado de uma negra, o Jean Paul Gaultier é um amor de pessoa, a menina é uma graça. Sugiro que essas pessoas perguntem à modelo o que ela acha. Ela estava muito feliz, adorou ter dançado”.

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Para o jornalista e pesquisador Vagner Fernandes, “Josephine Baker lançou mão dessa indumentária em meados da década de 1920 em um espetáculo para tratar de questões relacionadas a gênero e etnia. Ela foi protagonista dessa produção. Há uma grande diferença em se posicionar com um figurino de forma consciente, para gritar contra o racismo e a erotização feminina, e servir de figurante em uma festa de lançamento de perfume de um fashion designer francês. Beyoncé também usou uma saia de bananas. É uma celebridade, que usou a imagem também para promover um debate em torno da grave questão de conflito étnico que assola os Estados Unidos”.

A postagem de Vagner, aliás, foi bloqueada minutos depois pelo Facebook, mas a imagem de Gaultier e Maíra continua em outras páginas. “Veja bem que situação nos encontramos: há intolerância e racismo até quando se questiona publicamente em uma rede social o registro de uma cena questionável e perturbadora aos negros”.

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