sexta-feira, maio 27, 2022
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Grande Rio é a campeã do carnaval 2022 do Rio, o primeiro título da história da Tricolor

Escola de Duque de Caxias falou sobre Exu e mostrou as diversas faces do orixá, erradamente confundido com o demônio.

Fonte: G1

A Acadêmicos do Grande Rio é a grande campeã do carnaval 2022 no Rio de Janeiro. A escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, falou sobre Exu, que abriu os caminhos para o primeiro título da história da Tricolor.

Há quase 30 anos no Grupo Especial, a Grande Rio tinha batido na trave quatro vezes, com vice-campeonatos — o último em 2020, depois de liderar praticamente toda a apuração.

  • ‘Fala, Majeté! Sete chaves de Exu’: entenda o enredo da Grande Rio

Desta vez, o título veio, mas não sem emoção: a Beija-Flor de Nilópolis chegou a ultrapassar Caxias no início da apuração, mas terminou em segundo. A São Clemente, última colocada, foi rebaixada para a Série Ouro.

  • Veja, nota a nota, como foi a apuração
Resultado final
EscolaTotal com descarte 
1Acadêmicos do Grande Rio269,9269,9269,9
2Beija-Flor de Nilópolis269,6269,6269,6
3Unidos do Viradouro269,5269,5269,5
4Unidos de Vila Isabel269,3269,3269,3
5Portela269,2269,2269,2
6Acadêmicos do Salgueiro268,3268,3268,3
7Estação Primeira de Mangueira268,2268,2268,2
8Mocidade Independente de Padre Miguel268,2268,2268,2
9Unidos da Tijuca267,9267,9267,9
10Imperatriz Leopoldinense266,9266,9266,9
11Paraíso do Tuiuti266,4266,4266,4
12São Clemente263,7263,7263,7

Tabela: Arte g1  Fonte: LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro)

Voltam ao Sábado das Campeãs (30), a partir das 22h:

A Liesa já está vendendo ingressos para o Desfile das Campeãs.

  • Acadêmicos do Salgueiro (6º lugar)
  • Portela (5º lugar)
  • Unidos de Vila Isabel (4º lugar)
  • Unidos do Viradouro (3º lugar)
  • Beija-Flor de Nilópolis (vice-campeã)
  • Acadêmicos do Grande Rio (campeã)
O ator Demerson D’Alvaro, o Exu da comissão de frente da Grande Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

“O enredo tem um conjunto de importâncias. A principal delas é desconstruir os estereótipos negativos que foram atribuídos devido a esse processo de racismo religioso à divindade Exu, que é uma divindade múltipla e viva. Mas foi incorporada por todos na Avenida”, disse Leonardo Bora, um dos carnavalescos da Grande Rio.

Gabriel Haddad, o outro carnavalesco, lembrou do desfile de 1993, quando a Grande Rio voltou ao Grupo Especial e nunca mais caiu. “”Em 93, a Grande Rio cantou um ponto de Exu na Avenida. Parece que estava tudo escrito. Com enredo sobre Exu e contra a intolerância religiosa, a Grande Rio é campeã!”, disse.https://9e9180d2977ffc50d274b876f77f79c5.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“O enredo é a desmistificação de Exu, é falar essa verdade do povo de Caxias, vendo a grande Rio ser campeã. Caxias é o lugar do Rio de Janeiro com maior número de terreiros de candombé e de umbanda. A Grande Rio quando fala da verdade, a verdade não mente!”, disse Arlindinho Cruz, um dos autores.

A atriz Paolla Oliveira, rainha de bateria da escola, também comemorou nas redes sociais o título de campeã da escola.

Como foi a apresentação

Além de desmistificar Exu, a Tricolor mostrou que o orixá está ligado à transformação. Para isso, Caxias contou a história de figuras excluídas, como Bispo do RosárioEstamira e Stela do Patrocínio. Eles transformaram lixo em arte e em modo de sobrevivência.

Logo na comissão de frente, o ator Demerson D’alvaro se destacou com a personificação de Exu, escalando um imenso globo e chegando ao “topo do mundo”, onde se banqueteou com seu padê — as oferendas.

Fantasias e outros elementos apresentaram um visual mais rústico, com retalhos, materiais recicláveis e alternativos como papelão.

A escola, como de costume, trouxe famosos como Monique Alfradique (representando uma faísca), Bianca Andrade (look inspirado em Joãozinho Trinta), Pocah, David Brazil, Gil do Vigor e a rainha de bateria Paolla Oliveira (Pomba-gira, a representação feminina de Exu).

Exu também veio representado nos grupos de bate-bolas, nos afoxés e nas folias de reis e no bloco Seu Sete da Lira, que desfilava pelas ruas do Rio. Para isso, não faltaram performances em todas as alegorias e nas alas.

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