Homem acusado de matar filho no Rio por ser ‘afeminado’ vai a júri popular

Alexandre Soeiro foi preso em fevereiro, por matar o filho de 8 anos.
Na decisão, juiz disse que réu queria ‘ensiná-lo a ser um homem’

Por  Guilherme Brito  Do: G1

A Justiça do Rio determinou que Alexandre Andre Moraes Soeiro, acusado de matar o próprio filho de 8 anos em fevereiro deste ano, vá a júri popular. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio nesta quarta-feira (16), a decisão foi do juiz titular da 1ª Vara Criminal da Capital, Fábio Montenegro. Na ocasião do crime, o depoimento do réu e as declarações das autoridades policiais davam conta de que o crime foi cometido porque o menino teria um comportamento desobediente. No entanto, na recente decisão do TJ-RJ, o juiz frisou que as agressões contra o menor eram frequentes e ocorriam porque o pai dizia que o filho tinha um jeito “afeminado”.

A decisão foi antecipada pela coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo. “Ocorre que o denunciado, entendendo ser o menino ‘afeminado’, porque brincava de dançar e andava por vezes ‘rebolando’, passou a espancá-lo frequentemente, com o intuito de ‘ensiná-lo a ser um homem’, sendo esta a motivação para a prática do crime”, destacou o juiz na decisão.

A vulnerabilidade do menor, que, segundo denúncia do Ministério Público, também apresentava sinais de desnutrição, foi levada em conta para que Alex seguisse preso preventivamente.

“Em virtude dos reiterados espancamentos sofridos pela vítima, esta passou a se retrair diante do pavor que sentia, não reagindo aos constantes espancamentos do denunciado. Restando comprovados os fatos descritos na denúncia, assim como os indícios de autoria, impõe-se submeter o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri, pois cabe a este Colegiado a análise das provas e a decisão quanto aos crimes dolosos contra vida”, decidiu.

‘Monstro de Bangu’
A vítima, cujo nome lembra o do pai, era natural de Natal, no Rio Grande do Norte. Alex Medeiros de Moraes, segundo denúncia do Ministério Público, foi morar com o Alexandre e a esposa dele na Vila Kennedy, Zona Oeste da cidade, onde viveu seus últimos sete meses de vida. Na época do crime, o motivo da prisão aparentava certa inconsistência – à autoridade policial, o suspeito alegou que o garoto se recusou a cortar o cabelo para ir ao colégio e, por isso, foi agredido.

Ainda durante investigações, o delegado titular da 34ª DP (Bangu) Rui Barbosa de Souza, responsável pelo caso, declarou aoG1 que Alexandre já tinha antecedentes e era conhecido pelo comportamento violento. “O cara foi apelidado de ‘monstro de Bangu’. Ele já tinha sido preso por tráfico de entorpecentes, já tinha antecedente”, declarou.

Em março, Digna Medeiros, mãe do menino, disse à polícia que Alexandre André não era violento com ela. “A gente não tem esses informes. Mas com esse comportamento dele nem preciso saber desse histórico. O que ele fez foi uma brutalidade”, completou o delegado.

Apesar da declaração, a mãe lamentou a morte do filho nas redes sociais e pediu justiça. “Meu mundo acabou quando eu soube da morte do meu principe. Quero ver se nesse Brasil há justiça ou vai ser mas um anjinho que se foi de uma forma covarde”, escreveu.

Procurada pelo G1 nesta quarta-feira (17), Digna não foi localizada para se posicionar sobre o assunto.

Crime
Alexandre André foi preso na Zona Oeste do Rio no dia 19 de fevereiro. De acordo com a Polícia Civil, a Justiça determinou a prisão temporária depois que ele confessou ter batido no menino.

Segundo a Polícia Civil, o menor deu entrada dois dias antes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Kennedy, em Bangu, mas já estava morto. Ele apresentava sinais de agressão e a equipe médica acionou a polícia.

O corpo do garoto foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). De acordo com a Polícia Civil, o laudo de necropsia apontou que ele morreu em decorrência de hemorragia interna e dilaceração do fígado.

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