Hora de viajar: De olho na Saúde

Final de ano, sol no Hemisfério Sul, época ideal para curtir praias da Austrália ao Nordeste brasileiro. Na parte norte do planeta, onde agora é inverno, o que é mais romântico do que passar o Ano Novo em Paris, quando a capital francesa se enche de luzes, ou excitante do que comemorar a virada do ano na Times Square, em Nova York?

Não importa o destino, quem viaja quer se divertir. Mas as precauções vão muito além de não esquecer cartão de crédito e máquina fotográfica. O cuidado básico é com a sua saúde. Uma doença e pronto: os dias de folga se tornam um grande problema.

Os inconvenientes são vários: primeiro, há o risco de se contrair doenças comuns a todos os lugares, como a gripe, inclusive a suína. Mais grave, porém, são doenças locais, como febre amarela na Amazônia ou malária em alguns países asiáticos ou africanos.

Para algumas doenças, há vacinas preventivas. Mas evitar outras, como queimaduras solares e diarreia do viajante, requer atenção desde o momento de elaborar o roteiro da viagem. “Os cuidados dependem da resposta para três perguntas básicas: para onde (o viajante) vai, quem vai e o que vai fazer”, afirma o infectologista Marcos Boulos, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Viagem.

Ele recomenda pelo menos estar com as vacinas sempre atualizadas, qualquer que seja o destino. Também deve-se pesquisar a região e se informar sobre possíveis surtos, o clima e os riscos de ser picado por um inseto transmissor de doença.

Como as crianças estão sempre mais vulneráveis, os pais devem estar sempre alertas com a saúde dos filhos, mantendo atenção, por exemplo, aos agentes infecciosos que podem existir nos locais visitados. Idosos com problemas de saúde devem ficar alertas aos esforços físicos que a viagem poderá exigir e, em caso de mal-estar, se o local possui ambulatório médico para as emergências.

Para evitar problemas durante a viagem, o Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, criou, há nove anos, o Ambulatório de Medicina do Viajante. “Queremos reduzir o risco de adoecimento nestas circunstâncias”, diz a responsável pela unidade, Tânia Souza Chaves.

No ambulatório, o turista recebe informações individualizadas sobre o destino. Tânia diz que o serviço é como uma consulta médica preventiva, que dura cerca de meia hora. Antes da viagem, a pessoa vai à unidade e fica sabendo dos riscos que pode correr no local a ser visitado e o que fazer para evitar problemas.

Nos primeiros quatro anos de funcionamento, a média de pessoas atendidas era 11 por mês. Chegou a 50 em 2007 e, no ano passado, 603 pessoas procuraram o Ambulatório do Viajante.

Apesar de ser um local que oferece poucos riscos aos visitantes, a Europa é o destino de 41% das pessoas atendidas no Emílio Ribas. Cerca de 21% fazem turismo no Brasil e 17%, em países africanos.

“Há um fluxo crescente de viajantes para países africanos que falam a língua portuguesa (como Angola e Moçambique)”, afirma Tânia. De acordo com ela, nesses locais, o risco de infecções e contágio de doenças como a malária e febre amarela é grande.

A chefe do Ambulatório do Viajante diz não haver estatísticas nacionais de turistas que sofrem doenças no exterior. Ela cita um estudo suíço da década de 90 e publicado em 2003: de cada 100 mil viajantes europeus que permanecem um mês ou mais em outros países com baixa cobertura de saneamento básico, cerca de 6 mil apresentam problemas.

Fonte: Agência Universo de Notícias

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