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Ilú Obá de Min, resistência e protagonismo da mulher negra, no ‘Entre Vistas’

Bloco que abre o carnaval de rua de São Paulo com homenagem a Lia de Itamaracá é o tema do “Entre Vistas” desta quinta-feira, às 22h, na TVT

Da Rede Brasil Atual 

“A gente sai de lá mais forte, porque a gente troca muito entre a gente. O fato de o Ilú existir já é resistência, já que a mulher negra está sempre na posição de espectadora” (ilú obá de min/arquivo facebook)

São Paulo – A ação de resistência da mulher negra ante a intolerância e o ódio que contaminam a cena política e as relações sociais no país ganha visibilidade no carnaval de rua de São Paulo com o desfile do bloco Ilú Obá de Min. “Uma mulher negra com um instrumento é uma resistência. A resistência que o Ilú traz para essas mulheres não é só para tocar no carnaval. É uma resistência de vida”, afirma Daiane Pettine, coordenadora de conteúdo do grupo.

Daiane é a convidada de Juca Kfouri no Entre Vistas desta quinta-feira (20), às 22h, na TVT. “A gente sai de lá mais forte, porque a gente troca muito entre a gente. O fato de o Ilú existir já é resistência, já que a mulher negra está sempre na posição de espectadora”.

Ilú Obá de Min é o bloco que abre o carnaval de rua de São Paulo nesta sexta-feira (21). O coletivo de mulheres negras conta com 450 integrantes. O Ilú se concentra a partir das 19h na Praça da República. Às 20h, desfila pelas ruas do centro. O espaço é democrático, aberto à participação de mulheres não negras. Mas a inspiração e o foco são voltados à mulher negra e à cultura afro-brasileira.

Acompanhe o Entre Vistas a partir das 22h

No domingo (23), o bloco se reúne pela segunda vez, às 14h, no bairro de Campos Elíseos. Da esquina da Rua Barão de Piracicaba com Alameda Nothmann, na frente do Teatro Porto Seguro, parte, às 15h, em direção à Barra Funda.

No Entre Vistas, Daiane Pettine explica a busca de protagonismo da mulher negra por meio da atuação do bloco. Ao lado de Juca Kfouri, participam da conversa a jornalista Marina Duarte de Souza, repórter do Brasil de Fato, e o professor Douglas Izzo, presidente da CUT-SP.

Ilú Obá de Min significa ‘mãos femininas que tocam para o rei Xangô’. O nome é uma licença poética traduzida do iorubá, explica Daiane.

Merendeira, cirandeira
A cada ano, o bloco homenageia uma mulher negra, ou um aspecto da cultura afro-brasileira. Este ano será celebrada a obra da cirandeira pernambucana Lia de Itamaracá.

Lia está lançando seu terceiro disco, atuou historicamente como merendeira, e este é um “momento feliz para a homenagem, porque o Ilú defende que é importante homenagear as referências que estão vivas”, diz a entrevistada.

Por conta do lançamento do disco, Lia está em turnê pelo mundo inteiro. “É uma felicidade a gente ter a Lia fazendo parte do nosso enredo. Nós fizemos oito composições homenageando a história dela. A Lia estará com a gente na sexta-feira, é mais um motivo para ir ver o cortejo do Ilú, porque a gente tem homenagens também de uma vertente estética no nosso figurino.”

Intolerância e resistência
A finalização do desfile é na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, centro paulistano.

Ainda sobre intolerância e resistência, Daiane afirma que “quando a gente pensa em bloco de carnaval, em rua, em instrumentos, sempre tem a imagem do homem tocando, e geralmente esse homem é branco”. “E se é uma mulher tocando, essa mulher é branca. A ideia do Ilú é não segregar, não falar que esse espaço não pertence à branquitude, mas é um lugar de protagonismo das mulheres negras”, acrescenta.

Ela explica que nas inscrições para participar do grupo, primeiro é aberto espaço para as mulheres negras. “Estamos falando de cultura afro-brasileira, é um lugar de protagonismo negro. Nada mais justo do que isso.”

Depois que as inscrições para mulheres negras acabam, são abertas vagas para não negras. Os homens do Ilú só podem dançar ou andar na perna de pau. São quatro homens que fazem parte do grupo. “É uma reparação histórica necessária”, diz Daiane.

Reprodução/Facebook

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