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Indenização por racismo

Fonte – Gazeta de Ribeirão –

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou o hipermercado WalMart a indenizar em R$ 10 mil um promotor de vendas que afirma ter sido vítima de racismo por um gerente de área, na loja da rede em Ribeirão Preto. Ronaldo Barbosa dos Santos, 33 anos, diz que foi chamado diversas vezes de nomes como “neguinho”, “pretinho” e “negão” na frente de funcionários e clientes.

Santos, que representa uma empresa de café, trabalhava no hipermercado para demonstrar o produto e realizar a manutenção da máquina que servia amostras grátis, em 2007. “O gerente me chamou de ‘pretinho’ e disse para eu ajudar outros funcionários do mesracdo a fazer serviços que não eram da minha competência”, afirmou.

Por quase um mês, o promotor foi chamado de nomes pejorativos na frente de outras pessoas, entre elas clientes e funcionários, e exercia outras funções no hipermercado. “Eu fiquei envergonhado. Ele nunca perguntou o meu nome”, afirmou. Depois de comunicar a empresa onde é contratado sobre o que estava ocorrendo, Santos afirmou que o gerente o expulsou do local. “Ele disse que não queria mais que eu trabalhasse lá. Me expulsou da loja, mandou eu me retirar. Chorei de nervoso e fui registrar boletim de ocorrência”, disse.

Nove pessoas foram testemunhas de Santos. No ano passado, a Justiça de Ribeirão havia concedido a indenização por danos morais, mas o hipermercado recorreu, alegando falta de provas, o que foi negado pelo TJ. “Não podemos deixar impune. Infelizmente o preconceito racial existe, e essa indenização pode servir de exemplo para outras pessoas.”

O promotor de vendas disse que foi a primeira vez que foi vítima de racismo e que recebeu total apoio da empresa onde trabalha. Segundo a reportagem apurou, o gerente foi transferido para a unidade do hipermercado em Uberaba (MG). Somente em Ribeirão, foram registradas ao menos 15 reclamações contra ele por funcionários e promotores de venda, por diversas razões.

Wal Mart diz que prega ‘ética’

 

A assessoria de imprensa do Wal Mart informou que irá estudar a decisão do TJ para determinar que medidas vai tomar sobre o caso. Ressaltou que tem, entre seus princípios, a “ética e o respeito ao indivíduo”, seja ele funcionário ou cliente, e que investe em programas voltados a assegurar e ampliar a participação de mulheres, negros, deficientes, aprendizes e idosos em seu quadro de funcionários, bem como os orienta pelo “respeito a todas as diversidades culturais, raciais e religiosas, não admitindo qualquer prática contrária a essa orientação.” (GY)

Matéria original: Indenização por racismo

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