terça-feira, outubro 26, 2021
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Islândia reconta votos, e maioria feminina no Parlamento inédita na Europa não se concretiza

País nórdico, que lidera há 12 anos ranking de igualdade de gênero, terá mulheres ocupando 30 das 63 vagas

Depois de algumas horas em que a Europa celebrou o fato de ter, pela primeira vez, um Parlamento nacional com maioria de presença feminina, uma recontagem de votos confirmou que a Islândia não alterou esse paradigma no pleito realizado neste sábado (25).

No final da tarde deste domingo (26), as agências de notícias que haviam informado o que seria um resultado inédito noticiaram o passo atrás, mostrando que o Parlamento islandês terá uma maioria de legisladores homens.

Trinta mulheres foram eleitas, de um total de 63 vagas —crescimento em relação à eleição passada, em que 24 foram escolhidas. Os resultados iniciais apontavam que as mulheres tinham conseguido 33 vagas. A Islândia tem 370 mil habitantes.

As informações foram divulgadas pela emissora estatal RUV, e a Comissão Eleitoral Nacional não publicou os resultados oficiais nem se manifestou.

Só três países (Ruanda, Cuba e Nicarágua) têm hoje mais mulheres do que homens no Parlamento, enquanto o México e os Emirados Árabes tem 50% de cada sexo, segundo dados da União Interparlamentar.

Na Europa, a Suécia tem 47% de vagas ocupadas por mulheres no Parlamento, e a Finlândia, 46%.

A Islândia está na vanguarda do feminismo e lidera há 12 anos o ranking do Fórum Econômico Mundial para a igualdade de gênero.

Pesquisas apontavam que a coalizão atualmente no poder não iria conseguir a maioria, mas um aumento no apoio à legenda de centro-direita Partido Progressista, que conseguiu 5 vagas a mais do que em 2017, levou os partidos da coalizão governista a 37 vagas, segundo a RUV.

Membros do governo atual, que é formado pelo Movimento Esquerda-Verde, da primeira-ministra Katrin Jakobsdottir, pelo conservador Partido da Independência e pelo Partido Progressista, afirmaram antes do pleito que iriam continuar a negociar cooperação de outros partidos se mantivessem a maioria.

O Partido da Independência se manteve o maior no parlamento, com 16 vagas, igual à eleição anterior. O líder do partido, o ex-primeiro-ministro Bjarni Benediktsson, disse estar otimista e acreditar que os três partidos vão conseguir formar uma coalizão. Ele afirmou que não irá pedir para liderar o novo governo.

O Movimento Esquerda-Verde, da primeira-ministra, encolheu de 11 vagas na eleição de 2017 para 8 na atual.

Embora não seja certo que os três partidos continuem governando juntos e que as negociações sejam tradicionalmente longas, a Islândia se afasta de um cenário de bloqueio político que as urnas temiam.

Nunca, desde a grave crise econômica de 2008, um governo islandês cessante manteve a maioria.

Desde 2017, a primeira-ministra tornou os impostos mais progressivos, investiu na habitação social e na extensão da licença parental. Sua gestão da Covid —apenas 33 mortos— foi celebrada. Mas ela também teve que fazer concessões para salvar sua coalizão, como uma promessa de criar um parque nacional no centro do país.

Após uma década de crise e escândalos, a coalizão marcou o retorno da estabilidade política na Islândia.

Esta é apenas a segunda vez, desde a crise de 2008, que um governo conclui seu mandato, com cinco eleições tendo ocorrido entre 2007 e 2017.

PAÍSES EUROPEUS DECIDEM SOBRE CASAMENTO GAY E ABORTO

Também neste domingo (26), a Suíça legalizou, por ampla maioria, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e garantiu seu direito de adotar filhos.

De acordo com a chancelaria federal suíça, 64,1% dos eleitores votaram a favor da legalização do casamento gay no referendo nacional.

A decisão foi celebrada por ativistas, mas criticada por movimentos de direita, liderados pelo Partido do Povo Suíço. A legislação vai permitir que casais do mesmo sexo se casem e adotem filhos. Casais de mulheres gays poderão ter filhos por meio de doação de esperma, antes só autorizado para casais heterossexuais.

Já em San Marino, eleitores aprovaram a legalização do aborto em um referendo, revogando uma lei de 1865. Cerca de 77,28% dos eleitores votaram a favor da legalização neste domingo (26).

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