quinta-feira, julho 29, 2021

Tag: Feminismo

Imagem: Christian Gralingen

E se feministas reinventassem casas e cidades?

Em fevereiro deste ano, Aliya Hamid Rao, socióloga da London School of Economics, publicou um estudo interessante sobre a distribuição de espaços domésticos em casais heterossexuais durante a pandemia. Assim, os locais ideais para trabalhar, como salas e escritórios separados, eram reservados para o homeoffice dos homens. E as áreas comuns e corredores, como a cozinha ou a sala de jantar, para as mulheres. Essa localização significava que as mães, ao contrário dos pais, trabalhavam apenas um terço do dia, sem interrupção. A distribuição desigual de espaços – e tempos – entre casais heterossexuais não é um pacto de casais, nem se refere exclusivamente à pandemia. Tampouco é uma frivolidade. O objetivo deste artigo é justamente analisar a discriminação sofrida pelas mulheres tanto para ter uma casa como para usufruí-la. Feito o diagnóstico, anotam-se algumas das respostas que começam a ser vislumbradas em Barcelona. Num livro essencial, Mulheres, casas e cidades, Zaida Muxí aponta ...

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Nancy Fraser (Foto: Malte Jäger/ Revista Philosophie)

“O feminismo tem que ser uma luta que ilumine todas as complexidades de nossa vida”. Entrevista com Nancy Fraser

Poderíamos apresentar Nancy Fraser como uma das filósofas e intelectuais mais importantes do mundo, ou dizer que é uma rockstar da teoria feminista, e as duas definições serão apropriadas. Conhecida sobretudo por suas pesquisas e teorias sobre justiça e globalização, seus trabalhos foram e continuam sendo citados, há décadas, por quem promove reformas nos sistemas de representação, com perspectivas feministas. Fraser é reconhecida internacionalmente até mesmo por aqueles que são alvo de suas críticas, como o sistema político internacional ou o feminismo que ela chama de neoliberal progressista (onde, cada vez que tem uma oportunidade, inclui de Hillary Clinton a Christine Lagarde e Sheryl Sandberg, chefe operacional do Facebook). Professora da The New School de Nova York, ganhadora de diversos prêmios, deu aulas em universidades prestigiosas de todo o mundo e recebeu bolsas de grandes instituições. Esta acadêmica, nascida em Baltimore, diferencia as etapas dos feminismos da segunda onda dos Estados Unidos ...

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Lélia Gonzales (Foto: Artigo Pessoal)

A mulher negra latino-americana e o feminismo no pensamento de Lélia Gonzales

Estamos no Julho das Pretas, mês em que se celebra o dia da mulher negra latino americana e caribenha, com data culminante de comemoração em 25 de julho. Neste dia, também se celebra a memória de Tereza de Benguela, rainha quilombola que liderou um quilombo inteiro de negros e índios e traçou estratégias de combate e organização política e administrativa. A data comemorativa foi implementada pela Lei n° 12.987/2014. Tereza de Benguela é um nome esquecido da nossa história nacional, assim como diversas trajetórias de mulheres negras que foram constantemente invisibilizadas. Sabemos que uma das estratégias mais eficientes  do racismo é o apagamento dessas trajetórias e o silenciamento da voz de mulheres negras.  Neste contexto de apagamento, temos inúmeras heroínas negras de ontem e de hoje que trazem um legado ancestral de luta, articulação política, mobilização social, contribuições para o avanço na ciência, dentre outras frentes. O fato é que mulheres ...

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A filósofa Sueli Carneiro (Foto: Natalia Sena )

Sueli Carneiro: Uma voz em prol do feminismo negro

É impossível falar de Sueli Carneiro e não reconhecer a sua importância em favor da democracia do país, sobretudo com a leitura de “Continuo preta”, biografia que a jornalista Bianca Santana acaba de lançar, retratando a trajetória de vida de uma das mais destacadas ativistas do movimento feminino negro brasileiro. Se isso não bastasse, a obra, que pode ser lida como uma grande reportagem, passa um pente fino na militância de Sueli, no seu destacado papel dentro de organizações sociais e políticas, bem como no corajoso enfrentamento ao regime militar que instituiu a ditadura no Brasil. A jornalista, autora do celebrado “Quando me descobri negra”, trouxe para “Continuo preta” a condensação de 160 horas de entrevistas, realizadas entre 2018 e 2019. Autora e entrevistada trabalham juntas na “escavação” de um tempo que muito nos surpreende e apaixona. Remexem no passado e religam, em diálogos emocionais e precisos, a história de uma família ...

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Foto: Divulgação

Dia Nobre discute feminismo, maternidade e infância na Balada Literária

As tensas relações entre mãe e filha e as diferentes formas de abuso dão o tom do livro “No útero não existe gravidade”, de Dia Nobre, que participa do bate-papo Ela, a Literatura na Balada Literária, às 12h desta sexta-feira (2), ao lado da também escritora Clarice Müller. A mediação é do escritor e curador do projeto, Marcelino Freire.  Este é o segundo livro da autora, que foi finalista do Prêmio Caio Fernando Abreu em 2020 e se apresenta como híbrido e desenterra as chagas íntimas e sociais das mulheres, explorando as relações tortuosas com a família e a sociedade, de forma a esculpir as relações. A obra, que pode ser lida tanto em formato de romance como em formato de contos, traz uma personagem feminina que é acompanhada da infância à vida adulta tentando remontar mentalmente um quebra-cabeça de memórias e momentos da mãe, após ser abandonada. A personagem ...

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Vera Iaconelli (Reprodução/Facebook)

Denegrir a psicanálise brasileira

Você assistiu a minissérie "Roots", de 1977, e chorou quando o jovem Kunta Kinte foi capturado por traficantes de negros ou quando teve parte do pé amputado para não fugir? Sentia-se indignado com a violência e arbitrariedade do apartheid na África do Sul, torcendo pela liberação de Mandela? Nessa época, enquanto o mundo se digladiava entre raças e etnias, nós brasileiros nos orgulhávamos de estarmos juntos, um só povo. Conhecíamos a ditadura, a pobreza, o analfabetismo, a morte por doenças já erradicadas e a falta de saneamento básico, mas tínhamos um consolo: éramos miscigenados e cordiais. Eis que inventaram de importar dos Estados Unidos essa ideia de que no Brasil também havia racismo, eclipsando nossa maior qualidade. Machistas, tudo bem, mas racistas!? Nós, psicanalistas brasileiras, líamos Simone de Beauvoir, Luce Irigaray, Karen Horney e Julia Kristeva e nos sentíamos representadas pelo feminismo, pela recusa à primazia do falo e da inveja do pênis. No entanto, fizeram questão ...

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Divulgação

Em livro híbrido, Dia Nobre explora tensões e feminismo na relação entre mãe e filha

As tensas relações entre mãe e filha e as diferentes formas de abuso dão o tom do livro “No útero não existe gravidade”, de Dia Nobre, que será lançado na próxima quarta-feira (26) às 20h, nas redes da Editora Penalux. O papo será mediado pela crítica literária Tamy Ghannam, do canal Literatamy. Este é o segundo livro da autora, que foi finalista do Prêmio Caio Fernando Abreu em 2020 e se apresenta como híbrido e desenterra as chagas íntimas e sociais das mulheres, explorando as relações tortuosas com a família e a sociedade, de forma a esculpir as relações. A obra, que pode ser lida tanto em formato de romance como em formato de contos, traz uma personagem feminina que é acompanhada da infância à vida adulta tentando remontar mentalmente um quebra-cabeça de memórias e momentos da mãe, após ser abandonada. A personagem é carregada de inquietações, sobretudo a partir ...

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Foto: Nadezda_Grapes – iStock

Sobre os direitos humanos feministas

Podemos afirmar que o feminismo é o Iluminismo do século 21, que colocou holofotes sobre questões que em um primeiro momento eram voltadas para todas as mulheres e posteriormente, para questões específicas de cada tipo de mulher (abrangeu a diversidade). No Brasil, o movimento demorou para aderir à pauta racial. Foi por meio do advento desta discussão que eclodiu o feminismo negro brasileiro, iluminado por Lélia Gonzalez, Eunice Prudente, Sueli Carneiro, Antonia Quintão e outras grandes mulheres negras. Esse movimento fez com que os demais começassem a assimilar a importância dos recortes raciais e de gênero nas mobilizações de direitos humanos no Brasil. Alguns avanços são através das contribuições da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A proteção dos direitos humanos é o desígnio da instituição, que promove esses direitos na região composta por 35 países (de América do Norte, América Central, Caribe e América do Sul), países tão contrastivos quanto ...

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Ilustração: Michael Morgenstern /The Chronicle

Que nossas palavras sejam máquina que faz fazer!

*Comunicação apresentada no II Simpósio Feminista da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em março 2021.¹ Antropóloga, dedicada às pesquisas sobre modos de saber e fazer indígenas e, atualmente, indigenista especializada, pensei em como abordaria e poderia colaborar com as discussões do tema proposto para essa mesa: “Desafios da epistemologia, Literatura e Feminismo em contextos de potencialização da truculência”. Uma mesa para falar sobre horizonte, esperança, utopia linguagem. Confesso que ainda tenho dificuldades com a linguagem, estou em dívida com a literatura (ainda não li Torto Arado²), mas de truculência e feminismo talvez possa falar um pouco aqui. As mulheres que me antecederam já me falavam muito sobre isso, ainda que não dessem nomes aos bois. Mas antes de tentar falar sobre linguagem, aquela falada ou escrita, falo do silêncio, daquilo que silenciei e daquilo que foi silenciado, do medo, do cansaço em dizer, e da ausência de ouvidos que ...

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Serão priorizados cartazes que retratem a diversidade e a coletividade das mulheres em ação - Reprodução/Imagem retirada do site Brasil de Fato

Movimentos lançam campanha de criação de cartazes feministas e anti-imperialistas

O Movimento Capire em parceria com a Marcha Mundial de Mulheres lançaram no Brasil na última semana a campanha “Feminismo Anti-Imperialista para mudar o mundo”. A ação faz parte de articulações internacionalistas feitas por meio da Assembleia Internacional dos Povos e da Jornada Internacional de Luta Anti-Imperialista. O chamado para a criação de cartazes convoca mulheres do mundo todo que estão na linha de frente das resistências contra o imperialismo para colocarem em movimento suas criatividades. O envio das artes será aceito até o dia 15 de abril e as inscrições são feitas a partir do preenchimento deste formulário. Os cartazes, que podem ser de autoria individual ou coletiva, devem ter tamanho A3 e estar em alta resolução (300dpi). Confira o vídeo de lançamento da campanha, que foi editado em português, espanhol, inglês, francês e árabe. No dia 1 de maio, Dia Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, será lançada no site do Capire uma galeria virtual feminista com os ...

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Foto: Carol Coelho

Abertas, neste domingo (14), as inscrições para oficinas gratuitas da Mostra Multiplataforma sobre subjetividades e experiências coletivas negras e femininas

Estão abertas, a partir deste domingo (14) e segue até o próximo domingo (21), as inscrições para as oficinas de Performance Negra Feminina e Vivência de Autocuidado Feminino da Mostra Multiplataforma “Corpos (In)visíveis: Entre a Dor e a Potência”, que começa no dia 20 de março. Gratuito, o evento, que acontece nos formatos presencial e online, visa discutir as subjetividades, individualidades e experiências coletivas negras e femininas através de exposições fotográficas e de colagens, videoperformances artísticas, videoartes, depoimentos em vídeo, oficinas, lives e mesas de debate. Pela quarta-feira do dia 24 de março, às 14h, acontece a oficina “Performance Negra feminina”. Para participar, basta se inscrever por meio do formulário disponível nas redes sociais Corpos Invisíveis: @invisiveis.corpos), entre os dias 14 e 21 de março. Online, a oficina, com 10 vagas, será pelo aplicativo Zoom. E, no dia 31 de março, às 14h, a oficina “Vivência de autocuidado feminino” encerra ...

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Divulgação

Curso e ciclo de debates reúnem principais pensadoras e ativistas feministas da atualidade

A poeta Audre Lorde, a escritora Conceição Evaristo, a professora bell hooks e a filósofa Sueli Carneiro. Teóricas e ativistas do feminismo negro, elas terão suas ideias celebradas e debatidas no curso "Introdução ao pensamento feminista negro", que se estenderá por março e abril. Mas não é só: ao longo deste mês, o ciclo de debates "Por um feminismo para os 99%" vai reunir pensadoras e ativistas internacionais. As duas iniciativas são da Editora Boitempo. As aulas do curso "Introdução ao pensamento feminista negros são gratuitas e acontecem toda segunda-feira, às 11h. Elas poderão ser acompanhadas sem inscrição prévia no canal da Boitempo no Youtube e ficarão salvas para visualização posterior. Serão seis encontros semanais, comandados por intelectuais brasileiras, entre elas a historiadora Raquel Barreto e a poeta e tradutora Stephanie Borges. — A editora procura, com essa pequena contribuição por meio de curso, debates e lançamento de livros, dar ...

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Por um feminismo para os 99%

A partir de segunda-feira próxima (08/03) até o dia 12 de abril a Editora Boitempo realiza o curso Introdução ao pensamento feminista negro e o ciclo de debates internacional Por um feminismo para os 99%. Viabilizada pela Lei Aldir Blanc, a programação conta com 24 pensadoras e ativistas de cinco nacionalidades. Todas as atividades são gratuitas e sem necessidade de inscrição prévia, inserindo-se no histórico de eventos internacionais promovidos pela editora ao longo de seus mais de 25 anos. Introdução ao pensamento feminista negro conta com seis aulas semanais, tendo início na data que celebra o Dia Internacional da Mulher. As aulas são às segundas-feiras, às 11h. O ciclo de debates Por um feminismo para os 99% será este mês, dias 10, 17, 24 e 31, sempre às 14h. Todas as transmissões serão realizadas pela TV Boitempo, canal de editoras da América Latina no YouTube. A programação foi inspirada pelo manifesto Feminismo para os 99%: um manifesto, de autoria de Cinzia ...

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Reprodução/Facebook

Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras lança agenda #MarçoDeLutas contra o racismo e o patriarcado

A AMNB – Articulação de Mulheres Negras Brasileiras amplia a mobilização do dia 08 de março, um marco internacional de luta contra o patriarcado e o racismo, para o mês inteiro. A agenda de #MarçoDeLutas em 2021 é um conjunto de ações coletivas para reafirmar a resistência negra no Brasil. O objetivo é que as mulheres negras brasileiras protagonizem uma chamada para compartilhar práticas, experiências, viabilizar denúncias para potencializar o enfrentamento ao racismo, o sexismo e a lesbitransfobia que impactam a vida das pessoas negras, especialmente as mulheres. Ao vivo, acontecem dois encontros on-line. O primeiro é a Live “Mulheres Negras Contra a Violência Política”, com a participação de parlamentares brasileiras que sofreram ataques recentes, no dia 05 de março, às 19h. O segundo é o “Diálogo Internacional - 20 anos da Conferência de Durban e a luta global contra o Racismo”, com a presença de mulheres negras das Américas, em ...

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O coletivo Lótus Feminismo é provavelmente um dos primeiros grupos a discutir feminismo asiático no Brasil (Foto: Reprodução/Instagram)

Feminismo asiático: mulheres amarelas lutam contra a erotização e o racismo 

"O feminismo asiático se tornou um espaço de identificação e acolhimento. Além das pautas feministas, como empoderamento e igualdade de gênero, buscamos incluir questões étnicas e raciais na discussão, para dar espaço às vivências das mulheres de origem asiática." A fala é da estudante Agnes Hikari Suguimoto, de 23 anos — como ela, outras mulheres descendentes de japoneses, chineses, coreanos, indianos, árabes e outros países da Ásia, estão se unindo para compartilhar e discutir experiências específicas que vivem no Brasil. O coletivo Lótus Feminismo é provavelmente um dos primeiros grupos a fazer isso: nasceu em 2016, como um grupo no Facebook criado pela artista Caroline Ryca Lee, que entendeu que existia uma demanda por "acolhimento e reflexão sobre a noção de raça entre mulheres amarelas ". A troca cresceu, se transformou em encontros presenciais e, no mesmo ano, passou a abarcar também ...

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Camila Moura de Carvalho (Arquivo Pessoal)

Camila Moura de Carvalho: Por que o feminismo negro?

“A voz de minha filha recolhe em si a fala e o ato. o ontem – o hoje – o agora . na voz de minha filha se fara ouvir a ressonância o eco da vida -liberdade.” (Conceição Evaristo)   Quem sou eu essa mulher negra? Tal indagação – que não é meramente retórica – abre um portal de infinitas possibilidades de respostas e de outras tantas perguntas para cada uma de nós. Esse pequeno ensaio sobre a condição da mulher negra foi se construindo em torno de duas perspectivas: uma inicial, de caráter mais ontológico ou existencial e outra que se ancora em torno de mitos da mobilidade social, em um contexto mais geral. Sabemos lá no fundo que em algum momento de nossa existência, nos foi revelada nossa condição de mulher e de negra. Em algum momento o encanto se quebrou (encanto de ser quem se é) e ...

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"O feminismo radical exige que não se pode entender um sistema sem compreender suas interseccionalidades", destaca ativista do movimento Vidas Negras Importam nos EUA, Rose Brewer (Valter Campanato/EBC
)

Fórum Social Mundial denuncia ‘aliança perversa’ contra a vida das mulheres

Ativistas pela igualdade de gênero da Índia, Curdistão, Estados Unidos, Saara Ocidental, Peru, e de outros países, denunciaram nesta quarta-feira (27), durante as atividades do Fórum Social Mundial (FSM), o impacto do que chamam de “aliança perversa entre o capitalismo, patriarcado e colonialidade” sobre os corpos das mulheres em todo o mundo. Apesar das diferenças culturais entre seus países de origem, as ativistas evidenciaram que estão todas unidos pela violência estrutural contra a vida da população feminina e também LGBT+. De acordo com elas, fundamentos religiosos, políticos e econômicos do Estado e da sociedade também funcionam como barreiras para o acesso das mulheres à democracia e à liberdade. A pandemia do novo coronavírus, nesse contexto, também somou como outra expressão da violência contra as mulheres. Não à toa, relatos de violações e dores marcaram o painel do FSM, intitulado de “Feminismos revolucionários para outros mundos possíveis e necessários”. Mas as diferentes histórias também lembraram que o ...

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Imagem: iStock

Como e quando você se tornou feminista?

Recentemente fui convidada para conversar com adolescentes negras/os, estudantes de escolas públicas que estavam reunidas/os num curso virtual de introdução à Cultura Afro-brasileira. Uma iniciativa do Coletivo Re-Existência Nzinga Calabar, um projeto político literário desenvolvido a partir da periferia soteropolitana. Falei do meu lugar de mundo, da minha trajetória artística e acadêmica. Fui apresentada como mulher-cis, negra, atriz, professora de Teatro, mestra em Artes Cênicas e Feminista. Bom, a fala dizia sobre todas essas categorias que desenham a minha existência.  No momento de abertura para as perguntas, uma adolescente ‘manda pra mim’: “Como e quando você se tornou feminista?” e essa questão me pôs em xeque! Eu nunca tinha pensado em responder a isso. Eu nunca havia sido questionada sobre “como e quando”. Já precisei falar sobre as leituras que faço, sobre os livros que compro, sobre as teorias que aprendi e como eu as articulo às minhas práticas artísticas ...

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Organização Católicas pelo Direito de Decidir disse em nota ter tido conhecimento da decisão pela imprensa. E que tomará as medidas cabivéis (Foto: CDD/ Divulgação)

Justiça de São Paulo proíbe organização feminista de usar ‘católicas’ no nome

A organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir foi proibida pela Justiça de São Paulo de usar a palavra “católicas” no nome. A 2ª Câmara do Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo julgou que atuação da ONG que, desde 1993, atua pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, entre eles ao aborto legal, é “incompatível com os valores adotados pela Igreja Católica”. Em seu voto, o relator do caso, o desembargador José Carlos Ferreira Alves, declarou que “ao defender o direito de decidir pelo aborto, que a Igreja condena clara e severamente, há nítido desvirtuamento e incompatibilidade do nome utilizado (….). O que viola frontalmente a moral e os bons costumes. Além de ferir de morte o bem e os interesses públicos.” A sentença atendeu a um pedido feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, que também é católica. De acordo com o portal ...

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Robinho assiste à partida Santos x Atlético-GO, na Vila Belmiro (Foto: Ettore Chiereguini/AGIF)

Robinho, feminismo é para todo mundo!

Feminismo. Faz uns doze anos que ouvi essa palavra pela primeira vez. Quem me apresentou o movimento em defesa da igualdade de oportunidades e de direitos para as mulheres foi a professora Constancia Lima Duarte, que desde os anos 1970 dedica parte da vida à luta contra o machismo, o sexismo e todas as formas de violência e discriminação que incidem sobre nós. Tive muita sorte. De maneira paciente e amorosa, Constancia me brindou com histórias de mulheres das quais eu jamais tinha ouvido falar. Foi ela que me apresentou Francisca Senhorinha da Motta Diniz, jornalista e educadora mineira que no século XIX já lutava pela escolarização das meninas e pelo direito ao voto. Em artigo publicado no ano 1873, no jornal “O Sexo Feminino”, do qual era redatora e proprietária, ela escreveu: “Em vez de pais de família mandarem ensinar suas filhas a coser, engomar, lavar, cozinhar, varrer a ...

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