Itaú Cultural Play exibe para todo o Brasil programação oficial da 16ª edição do Festival Visões Periféricas

Recorte com 10 filmes inéditos foi selecionado pelos curadores do festival, primeiro do país totalmente dedicado a dar visibilidade a filmes que representam as periferias. Com uma relação íntima entre temas, personagens e vivência dos cineastas nos territórios onde os filmes são produzidos, documentários e obras de ficção refletem dos estereótipos atribuídos aos imigrantes e a luta por moradia até aos desafios dos jovens artistas e mulheres nas favelas

De 2 a 8 de março, a Itaú Cultural Play disponibiliza em seu catálogo, com exclusividade, 10 filmes da programação oficial da 16ª edição do Festival Visões Periféricas, simultaneamente às exibições presenciais nos cinemas do Rio de Janeiro. Idealizada pelo diretor Marcio Blanco, trata-se de uma iniciativa pioneira no mapeamento e na divulgação da produção audiovisual realizada nas periferias do Brasil. Ele aposta na potência estética e na diversidade de olhares de cineastas que vivenciam o cotidiano e a cultura das quebradas. A seleção ficará disponível durante uma semana na plataforma, com produções inéditas da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.  

Parceira do festival desde o ano passado, a Itaú Cultural Play possui em seu catálogo oito filmes exibidos em edições anteriores da mostra, entre eles Majur (2018), de Íris Alves Lacerda, e Sem Asas (2018), da diretora Renata Martins.  

Com mais de 500 títulos disponíveis de todas as regiões do Brasil e gratuita, a plataforma voltada com exclusividade para o audiovisual brasileiro, pode ser acessada pelo site www.itauculturalplay.com.br ou pelo App nos dispositivos móveis Android e IOS.  

Periferia por dentro 

Documentário baiano de Diego Lisboa e Daniel Lisboa, Alan (2022) retrata a história de Alan do Rap, um dos precursores do hip hop em Salvador. Ele é conhecido por se infiltrar nos shows de bandas famosas, como Racionais MC’s e Planet Hemp, para divulgar suas músicas autorais. A história mostra o artista de corpo e alma, a cena do rap soteropolitano e a luta de um jovem de periferia para conquistar seu espaço. 

Também gravado na Bahia, Nunca pare na pista (2021) é um filme experimental da diretora Thamires Vieira sobre a jornada pessoal de Amanda, uma jovem negra que deseja ser cantora. A história acompanha os desafios da artista que se empenha para conseguir organizar seu primeiro show na pequena cidade onde vive, mas que sofre com a falta de oportunidades. 

Outro artista que tem sua história contada é Primo da Cruz (2022), um ex-presidiário que se tornou um talentoso pintor após 10 anos de reclusão. Com direção de Alexis Zelensky, é um documentário do Rio de Janeiro que descreve a trajetória desse artista singular, ao mesmo tempo em que revela os mecanismos do racismo e da exclusão social no Brasil. 

Documentário do Mato Grosso, Hermanos, aqui estamos (2021) mostra a realidade e as diferentes histórias de vida de mulheres venezuelanas que imigraram recentemente para o Brasil. Fugindo da crise econômica e humanitária de seu país, elas se espalham pela cidade de Cuiabá, buscam ajuda nas ruas e se refugiam nos abrigos e nas periferias da capital mato-grossense. 

Também mato-grossense, o drama A velhice ilumina o vento (2022) mergulha na história de Dalva, uma mulher preta e idosa, moradora da periferia de Cuiabá. Trabalhadora doméstica, ela quebra os estigmas e preconceitos que recaem sobre a velhice. Entre bailes da terceira idade e lutas cotidianas, o filme da diretora Juliana Segovia retrata a vida de uma mulher que representa milhares de brasileiras e sua disposição para quebrar padrões. 

Cidade entre rios (2021), documentário do Piauí, acompanha a história de um filho de pescadores em Teresina e os problemas que o impacto urbano gerou nos rios da capital. Nesta produção dirigida por Leonardo Mendes e Weslley Oliveira, o jovem resgata antigas vivências e reflete sobre o simbolismo das águas e a degradação do meio-ambiente. 

Com direção de Daniel Schwarz e Theo Guarnieri, Chico Curió: vocês fazem parte do meu show (2021) conta a história do músico Francisco Trindade da Silva. Nascido na cidade histórica mineira Tiradentes, Chico é um importante artista rural que encarna um Brasil mítico, longe do mundo tecnológico. 

Inspirado em lembranças do diretor Matheus Amorim e em personagens dos quadrinhos, o filme goiano Capitão Tocha (2022) mostra a rotina de um menino negro que gosta de criar pequenos contos com seus bonecos e outros objetos. Sua brincadeira se torna especial quando encontra, na casa de um amigo, um boneco de ação – aqueles que tem articulações, mudam de posição e são frequentemente vistos em filmes e videogames – parecido com ele. 

Documentário de São Paulo, Multirão, o filme (2022) mostra a luta por moradia na maior cidade do país a partir de relatos de crianças e de antigos registros fotográficos. Nessa sensível produção de Lincoln Péricles, uma dupla de crianças narra a história de um mutirão para construir casa própria, nos anos 1980, que contou com a participação ativa de seus familiares.  

A lista é completada com a comédia pernambucana, Quebra panela (2021), de Rafael Anaroli. O filme mostra a rotina de Solange, uma mulher que vive com a neta e trabalha como manicure em uma cidade do interior. Certo dia, uma equipe de filmagem resolve montar um set e começa a rodar uma produção em frente à sua casa. Parafernálias, equipamentos e as interações do diretor transformam a pacata rotina dela. 

Sobre o Festival Visões Periféricas 

Projeto singular que amplia, por meio da exibição de filmes e laboratório de desenvolvimento de projetos, o espectro de visões sobre espaços periféricos brasileiros a partir do olhar de quem vive o seu cotidiano. Anualmente, o festival assume a missão de exibir um painel de filmes representativos das múltiplas periferias brasileiras; revelar uma geração de jovens realizadores que representem essa diversidade; desenvolver projetos de audiovisual orientados ao mercado; promover debates que estimulem uma reflexão a respeito da relação entre audiovisual, educação mercado e diversidade. O conceito de periferia no festival é abrangente e inclui filmes de realizadores de comunidades quilombolas, aldeias indígenas, favelas, negros e mulheres.
 

O objetivo geral do festival é exibir um painel diversificado de expressões culturais brasileiras através da produção audiovisual. A curadoria privilegia filmes que expressem  

esteticamente uma visão crítica e inovadora sobre as periferias. São filmes que trazem uma relação íntima entre temas, personagens e vivência dos realizadores nos territórios onde os filmes são produzidos. 

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