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Meu turbante é minha coroa!!

Meu turbante é minha coroa!!

Ele é o poder! Um ornamento cheio de significados, símbolo da resistência. O turbante está na moda, segue tendências e agrega mais feminilidade e originalidade ao visual

Por Romário de Oliveira, do iG 

Versatilidade e diversas opções de estampas e amarrações. Cores fortes, estampas florais, deixa os looks alegres e descontraídos, mas, sua história e simbologia ajudam a destrinchar as razões para refletir antes de usá-lo apenas como acessório fashion. “Eu uso como forma de expressar minha ancestralidade, me sinto uma princesa afro”, revela Gabriela Zuffo. A universitária de 20 anos acaba de chegar do Canadá e garante que fez sucesso desfilando por lá com o acessório.Teresa Fehr, a mãe, é atriz, empresária e pedagoga. Fala do acessório com orgulho: “Turbante é símbolo de resistência da mulher negra. O uso do turbante não e só uma questão de moda e estilo é também um ato politico”.

No Brasil, a atriz e cantora Carmen Miranda adotou o “enfeite” no seu figurino. Já nos anos 1960, o ornamento ressurgiu como símbolo da cultura negra, nos movimentos que lutavam pelos direitos civis. “O uso do turbante está vinculado a uma reflexão madura, antes histórica do que estética. Ele é símbolo de força, de poder. Está ligado a cultura negra. Me sinto poderosa!”, frisa a empresária Fernanda Gurghel. “Por isso, acho errado usar um acessório de carga simbólica simplesmente por estética, sem qualquer conhecimento do que se trata… Turbante é mais que um ‘adereço’!”

A MODA NA CABEÇA

Eles estão nas passarelas, nas campanhas publicitárias, na TV, no cinema, nas ruas e na cabeça que quem quer dar uma dose de originalidade ao visual. Os turbantes deixam de ser somente um acessório étnico ou religioso e estão novamente na moda – grifes badaladas, como Prada e Collins, incluíram esse estiloso item fashion em suas coleções. Mas tudo começou bem antes, no início do século XX ­– o estilista Paul Poiret, que tinha na cultura do Oriente Médio uma de suas maiores inspirações, sempre adicionava turbantes aos seus croquis. A partir daí, o acessório compôs o visual moderno adotado pelas mulheres da alta sociedade e nunca mais parou de fazer sucesso. “O turbante está nas passarelas como hit de moda com muito charme e elegância, porém não devemos esquecer que o acessório antes de tudo é identidade cultural de um povo, reflete posicionamento social e político, religiosidade e principalmente respeito à nossa ancestralidade”, faz questão de frisar Márcia Fortunato, empreendedora e idealizadora da KixikkiEstillo (Turbantes). Domênica Falcão, a filha, é formada em Gestão de Políticas Públicas/USP, fez intercâmbio na África do Sul-Cidade do Cabo em 2014. “Adoro! Versatilidade e diversas opções de estampas e amarrações com muitas diversidades. Turbante é o poder!”

APROPRIAÇÃO CULTURAL?

A empresária e socialite Eunice Souza assume as nossas raízes de cabeça erguida: “Quando você resolve usar o turbante está mostrando a aceitação da sua raça, da sua origem, da sua realidade. Turbante é mais do que um acessório, é religião, é moda, é cultura!” Algumas entrevistadas são taxativas: “Turbante faz parte da cultura negra. É a nossa coroa!”. Ana Barbosa, artesã paulista de 35 anos, explica: ” Apropriação cultural é a adoção de alguns elementos específicos de uma cultura por um grupo cultural diferente. Dentre estes elementos estão o turbante! Embora o mundo seja globalizado e a informação e os costumes estejam por aí, para serem compartilhados, o turbante é símbolo de resistência e poder da mulher negra! Não adianta a Lady Gaga querer usar… Essa coroa é nossa!”. Tereza Gama, vocalista do Clube do Balanço conta que sempre usou turbante e ao longo dos anos, também por questões religiosas, foi se aperfeiçoando e se apaixonando naturalmente, pela reverência aos orixás, e também pela elegância, “pois o turbante vem de uma beleza transcendental”, debulha-se. Moda ou não, a pequena Dara Ohana resgata as nossas raízes e esbanja beleza e estilo usando turbantes de cabeça erguida pelas ruas de Conceição do Almeida, interior da Bahia. “Sendo ele uma forma de simbolizar resistência, é importante que saibamos resguardar e transmitir o seu sentido e a sua importância, afinal, turbante pode até ser moda, mas é acima de tudo representatividade e identidade racial”, finaliza a modelo Caetana Santos.

COMPONDO O LOOK

Especialistas ensinam: para não sofrer com o calor, escolha lenços feitos de tecidos leves, como viscose e seda. O formato pode ser quadrado ou triangular. A escolha – por lisos ou estampados – vai de acordo com a composição do look. Se optar por uma roupa clean, pode carregar no tecido do turbante. “Caso contrário, selecione uma peça de cor única. Na praia ou em um passeio de barco, o adereço pode ser útil, já que, além de segurar o cabelo, ainda dá um UP ao visual. Ele sempre aparece e não faltam amarrações”, ensina Caetana Santos. A tradicional é com o nó na frente. O comprimento do cabelo ou o formato do rosto não interferem. Mas é importante se sentir confortável e avaliar se o turbante combina com seu estilo. “Meu turbante é minha coroa. Sei que sempre chamo atenção quando ‘desfilo’ por aí com esse simbolo de resistência”, revela Suely Santiago, baiana de 24 anos. “Entre elogios e críticas, prefiro seguir o conselho da minha mãe: turbante é para quem pode ‘olhar’ de cima!”

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