domingo, outubro 2, 2022

Morrer no Brasil pela cor da pele

Taxa de homicídios de adolescentes negros e pardos no país é três vezes maior do que a de brancos

Por PATRICIA PEIRÓ, do El Pais 

Jovens da favela Vigário Geral, no Rio de Janeiro. (Foto: Cordon Press)

O risco de ser assassinado no Brasil é três vezes maior para negros e pardos. Este é um dos dados que constam do relatório da Unicef que, sob o título Uma situação comum: violência nas vidas das crianças e adolescentes, revela situações de violência doméstica, de rua e escolar sofridas por crianças no mundo inteiro. “A grande desigualdade econômica, a falta de investimentos na adolescência e a elevada circulação de armas no nosso país são os principais motivos dessa diferença racial”, explica, por telefone, falando de São Paulo, a especialista em proteção da infância da Unicef Fabiana Gorenstein.

O Brasil é um dos cinco países do mundo que, sem estar vivendo uma guerra, tem uma taxa de homicídios de adolescentes tão elevada (59 mortes para cada 100.000 habitantes). No topo dessa classificação, o país tem a companhia de outros quatro países latino-americanos: Venezuela (97), Colômbia (71), El Salvador (66) e Honduras (65). Segundo o relatório, metade das mortes violentas de jovens entre 10 e 19 anos registradas em 2015 ocorreram na região da América Latina e Caribe, embora esse território reúna apenas 10% da população global.

A organização se deslocou em 2015 para Fortaleza, uma das localidades mais perigosas hoje em dia para adolescentes, com o objetivo de realizar uma série de entrevistas e obter informações diretas sobre os assassinatos de jovens. “A maior parte da guerra contra as drogas se concentra nas periferias, que é onde vive uma quantidade maior de população negra e parda. São elas, portanto, que mais sofrem as suas consequências, inclusive a morte”, observa Gorenstein. “Concluímos que o local de nascimento influi no desenvolvimento da infância, que existe racismo e que é preciso colocar no centro de nossa agenda o direito das crianças a uma vida sem violência”, comenta.

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