terça-feira, março 2, 2021

Tag: genocídio da população negra

Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Notícia sem contexto contribui para o genocídio negro no Brasil, afirma pesquisadora

Como parte dos projetos especiais dos 100 anos da Folha, o jornal convidou 13 integrantes de grupos sub-representados no jornalismo profissional praticado no Brasil. Eles expõem episódios de preconceito e desinformação, além de problemas na relação com jornalistas e na forma como a imprensa noticia —ou não noticia— questões que os afetam direta ou indiretamente. Batizada de “E Eu? - O Jornalismo Precisa me Ouvir”, a série é formada por vídeos e depoimentos em forma de texto. Cientista social e pesquisadora, com uma tese sobre memória e escrita de mulheres negras, Bianca Santana, 36, fala sobre a representação das pessoas negras na imprensa. Ela é autora do livro “Quando Me Descobri Negra” e colunista da revista Gama. Leia entrevista ou assista ao vídeo (há uma versão com recursos de acessibilidade logo abaixo). VERSÃO COM RECURSOS DE ACESSIBILIDADE Na infância, além dos gibis da Turma da Mônica, eu gostava de ler a Veja. Minha ...

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Geledés

Família diz que menino morto no Rio foi retirado da porta de casa pela PM

A família do adolescente Ray Pinto Faria, de 14 anos, encontrado morto ontem em um hospital do Rio com ao menos dois tiros, afirma que a criança foi retirada da porta de casa pela PM e morta em seguida. As armas dos policiais militares que participaram da ação foram apreendidas e passarão por perícia, segundo a Polícia Civil. Ray estava na frente da casa onde mora, no bairro do Campinho, na zona norte do Rio, jogando no aparelho celular, quando foi abordado. De acordo com uma tia do rapaz, que não terá o nome divulgado por questões de segurança, foram horas de buscas pela criança que foi encontrada morta no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, também na zona norte. No hospital, a família tomou conhecimento que Ray foi levado para a unidade de saúde juntamente com outras duas vítimas. De acordo com a tia, no hospital foi informado que o ...

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Foto: Ari Melo/ TV Gazeta

Moradores carregam corpos e relatam danos psicológicos após ações da PM na Baixada Fluminense

Joana, 75, foi à rua resolver tarefas cotidianas, mas a violência que atravessa a vida na Baixada Fluminense a paralisou. Na praça, havia uma pilha de corpos, amarrados pelos pés. “Era como se fossem animais, parecia um monte de bicho”, contaria depois à filha, aos prantos. Naquela terça-feira, 12 de janeiro, a Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou ter encontrado oito corpos em Belford Roxo, cidade a cerca de 30km da capital, palco de disputas entre facções do tráfico de drogas e grupos milicianos. No dia anterior, teve início uma megaoperação da PM que, segundo moradores da região, avançou por fevereiro. A ação ocorre a despeito da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu as operações no estado durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo a Polícia Militar, o objetivo é instalar um destacamento que contará com 125 agentes no Complexo do Roseiral, favela controlada pelo Comando Vermelho. A corporação diz que não teve responsabilidade ...

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Manifestantes protestam em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, contra assassinato de negros - Lucas Tavares-Folhapress

Deuses ateus: buscando reconstruir afeto numa sociedade que vê o homem negro como ameaça

“Deuses nascem todos os dias mesmo E os melhores têm a pele preta E são assassinados todos os dias pelos de pele clara Geralmente usando azul caneta Eu tenho muito amor pra dar e um filho pequeno Diz o que quer de mim Meu menino é um deus ateu Pois em algum momento vai duvidar de si” (Delacruz - Deuses Ateus) Eu aprendi a amar com um homem preto: o meu pai. E hoje perco noites de sono pensando na desumanização que nossa sociedade imprime em homens pretos. Nosso país não ama homens pretos. O Brasil não é um local seguro para homens pretos. Não é um lugar seguro para pessoas pretas. E por conta disso, hoje eu vou falar sobre contrassenso. Para uma pessoa que foi criada por um homem preto e entende isso como uma expressão de amor, não é fácil compreender uma sociedade que trata os ...

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José Antonio Correa Francisco (Arquivo Pessoal)

Ruptura: antirracismo x banalização

“Não chego armado de verdades categóricas. Minha consciência não está permeada de fulgurações precípuas. No entanto, com toda a serenidade, acho que seria bom que certas coisas fossem ditas. Essas coisas, eu as direi, não as gritarei. Pois há muito o grito saiu da minha vida. E fez tão distante…” (Frantz Fanon) À Emily Victória Silva dos Santos (In memoriam) À Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos (In memoriam) Em 25.5.2020, em Minneapolis, Minnesota, EUA, George Perry Floyd Jr, negro, foi fria e covardemente assassinado por um policial branco, por suspeita de ter utilizado nota falsificada na aquisição de um produto. Por 11 vezes George disse “Eu não consigo respirar”, apelo dolosamente ignorado pelo policial branco. No dia seguinte ao assassinato de George, os jogadores da equipe do Milwaukee Bucks da NBA (liga profissional do basquetebol, nos EUA) se recusaram a entrar em quadra, boicote que foi seguido por outras equipes, jogadores, técnicos ...

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Enterro de Edson Arguinez Júnior, de 20 anos, morto após uma abordagem policial em Belford Roxo Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

‘Os assassinos não deram chance para o meu filho’, diz mãe de um dos rapazes mortos após abordagem de PMs

Comoção e indignação de parentes e amigos marcaram o enterro do camelô Edson Arguinez Júnior, de 20 anos, na tarde desta segunda-feira, dia 14, no Cemitério Municipal de Belford Roxo, no bairro da Solidão. O pai do rapaz, Edson Arguinez, estava desolado. A todo tempo ele dizia que o filho era “amigo e trabalhador” e questionou a abordagem da PM. A dona de casa Renata Santos de Oliveira, de 40 anos, diz que “é uma revolta, indignação, tristeza, um conjunto de sentimentos” ter que passar por essa situação. O rapaz foi morto junto com o amigo Jhordan Luiz Natividade, estudante de 17 anos, após uma abordagem por policiais militares na madrugada de sábado, em Belford Roxo. — Eu estou fazendo (hoje) uma coisa que eu não desejo para ninguém, que é enterrar o meu filho. Os assassinos não deram chance para o meu filho. Não deram chance de um filho ...

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João Alberto (Foto: Arquivo Pessoal)

Polícia Civil do RS indicia seis pessoas pela morte de Beto Freitas no Carrefour

A Polícia Civil indiciou seis pessoas pela morte de Beto Freitas, homem negro de 40 anos espancado no Carrefour, em Porto Alegre, na noite de 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra. As seis pessoas foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado. O laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou que Beto morreu por asfixia. Após ser espancado, ele foi mantido imobilizado no chão. Gravações mostraram a vítima pedindo socorro. "Tô morrendo", dizia ele em um dos vídeos. A imagem da imobilização e a morte por asfixia lembram o caso do norte-americano George Floyd, cujo assassinato desencadeou protestos contra o racismo nos Estados Unidos. "Há, sim, tratamento desumano e degradante naquela cena", disse Nadine Anflor, delegada-chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. "Vinte e três dias depois do fato, de trabalharmos exaustivamente, a delegada Roberta e sua equipe fizeram um trabalho de excelência. Foram ouvidas ...

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Emily Victória Silva dos Santos, 4, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, 7, brincavam no portão de casa quando foram baleadas Imagem: Arquivo Pessoal

Fragmentos de bala são encontrados no corpo de uma das primas mortas no RJ

A Polícia Civil encontrou fragmentos de bala no corpo de uma das meninas mortas na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O material vai ser encaminhado para perícia e, com ele, espera-se definir o tipo de projetil que atingiu a criança. As armas dos PMs, cinco fuzis e cinco pistolas, já haviam sido apreendidas para exame de confronto balístico. As primas Emily e Rebeca, de 4 e 7 anos respectivamente, foram mortas na sexta-feira (4), na calçada de casa, na comunidade do Barro Vermelho, em Gramacho. De acordo com o advogado da família, Rodrigo Mondego, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB /RJ, testemunhas e a posição dos policiais no momento que as duas meninas foram atingidas podem ajudar a esclarecer o caso. "Com esse fragmento dá para saber qual tipo de arma usada. Pelo impacto na criança, há suspeita de que seja um tiro ...

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SILVIA IZQUIERDO / AP

Dados inéditos comprovam que negros são o alvo da letalidade policial nos cincos estados monitorados pela Rede de Observatórios

97% dos mortos pela polícia na Bahia são negros Ceará não notifica a cor dos mortos em 77% dos casos Nove em cada dez mortos pela polícia são negros em Pernambuco 51% da população do RJ é negra, mas entre os mortos pela polícia negros são 86% São Paulo vê aumento da letalidade policial e entre os mortos 64% são negros A cor da violência policial: a bala não erra o alvo, novo relatório da Rede de Observatório da Segurança, traz dados dos cinco estados monitorados pela rede  e escancara a dinâmica racista da letalidade policial. O estudo apresenta um retrato preciso da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo com dados de 2019 que comprovam que a bala da polícia é dirigida à população negra. A Bahia apresenta o maior percentual de negros mortos pela polícia e em números absolutos fica atrás apenas do Rio de Janeiro e São ...

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Silvia Ramos (Foto: Claudia Ferreira)

A polícia não vai mudar

Emilly e Rebecca estavam brincando na porta de casa, no bairro Pantanal em Caxias no fim da tarde. Numa fração de segundos, estavam no chão, com uma bala na cabeça e outra no tórax. Uma rajada só. Moradores dizem que os tiros partiram da polícia. Policiais dizem que foram atacados por criminosos. Fazendo pesquisas e projetos sobre violência e segurança pública há mais de 20 anos no Rio de Janeiro, me pergunto quantas vezes ouvi esse enredo e quantas foram as tragédias envolvendo crianças. A plataforma de dados Fogo Cruzado nos informa que só em 2020 foram 8 crianças mortas por balas perdidas no Rio de Janeiro. Porém, em outras ocasiões, já se comprovou que o tiro partiu dos agentes. Foi a polícia que matou  Ágatha, no Complexo do Alemão e João Pedro, no Salgueiro, em São Gonçalo. Crianças negras, como são negras 86% das vítimas de violência policial no Rio ...

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A ativista Jane Beatriz Silva Nunes (Imagem retirada do site Repórter Popular)

Ativista e Promotora Legal Popular da ONG Themis morre em operação policial na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre

No começo da tarde de hoje (08/12), a Brigada Militar realizou uma operação na Vila Cruzeiro, na Zona Sul de Porto Alegre, que resultou na morte de Jane Beatriz Silva Nunes, mulher negra, mãe de família e funcionária pública da Secretaria de Segurança Pública do município. Jane, que também era ativista pela igualdade de gênero, Movimento Negro e Direitos Humanos, com formação como Promotora Legal Popular (PLP) pela ONG Themis, tinha 60 anos de idade e chegava em casa quando se deparou com policiais armados invadindo sua residência. Ao se aproximar dos policiais, Jane teria pedido o mandado, e segundo testemunhas, teria sido empurrada escada abaixo. Com a queda, a vítima teria sofrido forte impacto na cabeça, vindo a óbito no caminho para o posto de saúde da Vila Cruzeiro. A versão que corre na mídia hegemônica conta que Jane teria sofrido um “mal súbito”, tendo sido socorrida pelos policiais, ...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Que vergonha ser adulta em uma sociedade que assassina suas crianças

Todos os dias, ao longo de 2015, 32 crianças ou adolescentes foram assassinadas no Brasil. Em um ano, um total de 11.403, sendo 10.480 meninos. No mesmo período, na guerra da Síria, morreram 7.607 meninos. Cidadãos de bem, religiosos, defensores da pátria e da família, vocês dormem bem com este dado? Eu não durmo. Como todo mundo já sabe, crianças brasileiras não são alvos de balas perdidas. Meninas e meninos negros é que são alvos do genocídio. No Rio de Janeiro, 91% das crianças assassinadas por tiros são negras. Na UNEafro Brasil, movimento de que faço parte, nos dedicamos à educação popular e à organização comunitária como estratégias de promoção de vida e acesso a direitos para pessoas negras e periféricas. Atuamos com mais de uma centena de entidades na Coalizão Negra por Direitos, fazendo incidência política nacional e internacionalmente para interromper o genocídio negro. Somos milhares de pessoas organizadas ...

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Foto: Rafaella Gomes (Coletivo Negritude do Audiovisual/Articulação Negra de Pernambuco)

Justiça por Miguel: A tentativa de culpabilizar uma criança por seu próprio fim

Após seis meses da morte de Miguel Otávio, 5 anos, narrativa de defesa da ré Sari Corte Real culpabiliza a criança e infantiliza a acusada. “Cadê aquele pessoal todo que foi pra porta da maternidade aqui? Cadê os cristãos, os deputados?”, se questionam as pessoas que participaram do ato que aconteceu em frente à 1ª Vara de Crimes Contra a Criança e Adolescente enquanto a primeira audiência de instrução para o julgamento de Sari Corte Real, ré do Caso Miguel, era realizada. O estranhamento é em relação à quantidade de gente que tentou impedir o aborto legal da criança grávida, que veio do Espírito Santo ao Recife ter seu direito garantido, sob a justificativa de proteção da vida. Na manhã do dia 3 de dezembro, cerca de 100 pessoas deram suporte a esse ato que exige que não só esse, como outros crimes praticados contra a população negra, não passem impunes. ...

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Thiago de Souza Amparo – Imagem- Veja.com

Quem mandou matar Emilly e Rebeca?

Chega um tempo em que a dor não basta. Chega um tempo em que nossos ombros negros suportam o mundo e, como escreveu Drummond, "ele não pesa mais que a mão de uma criança". Se pudéssemos parar o tempo, as primas Emilly Victoria Silva dos Santos, 4, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, 7, ainda estariam ali brincando na porta de sua casa em Duque de Caxias (RJ), e não atravessadas pelo genocídio em curso. Uso o termo em sua acepção jurídica: homicídio com intenção de destruir, no todo ou parte, pobres e pretos. Chega um tempo em que devemos recusar escrever elegias, porque num mundo onde a morte de crianças pretas é uma ordem que as dilacera, resta lutar por justiça. Justiça, escrevera Cornell West, é como o amor se apresenta em público. Balas não são perdidas, porque sempre acham os mesmos corpos negros para os quais foram disparadas. ...

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Manifestantes carregam cartazes com os nomes de jovens mortos por ações policiais, durante o Ato Vidas Negras Importam, em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

Violência racial: de cada 10 pessoas mortas pela polícia, oito são negras. Entidades cobram resposta do Estado

Ações para conter a violência racial e por parte da polícia e barrar a escalada de assassinatos de negros em todo o país foram cobradas com veemência em audiência pública realizada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF) nesta quinta-feira (3). Representantes de organizações de defesa dos direitos humanos, do movimento negro e especialistas em segurança pública reivindicaram também medidas urgentes e efetivas do Ministério Público Federal no enfrentamento à violência de abordagens desnecessárias, violentas – especialmente de jovens – que geralmente terminam em assassinato e impunidade. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as mortes decorrentes de intervenções policiais têm aumentado. Em 2018, das 6.175 ocorrências, 75,4% eram pessoas negras. Em 2019, o número de ocorrências subiu para 6.357 e o percentual saltou para 79,1%. O número é mais de dez vezes maior que o de policiais mortos, evidenciando o uso excessivo de força policial. Além ...

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(Foto: Geledés)

Duas meninas, de 4 e 7 anos, morrem em tiroteio em Duque de Caxias

Duas crianças, de 4 e 7 anos, morreram após serem baleadas em um tiroteio em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na noite desta sexta-feira (4). O crime aconteceu na comunidade Santo Antônio. De acordo com moradores, as duas meninas, que são primas, estavam brincando na porta de casa. Emilly Victoria, de 4 anos, foi baleada na cabeça. Segundo familiares, ela completaria 5 anos ainda este mês. Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7 anos, levou um tiro no abdômen. A avó das meninas contou que estava chegando do trabalho. As meninas a esperavam na calçada para comprar um lanche, quando passou um carro da polícia, por volta das 20h. Os familiares disseram que não sabiam se havia algum tipo de perseguição, mas só viram a polícia atirando. A Polícia Militar afirma que uma equipe do 15º Batalhão (Duque de Caxias) estava fazendo um patrulhamento na Rua Lauro Sodré, na ...

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(Foto: Geledés)

Supermercados que golpeiam e matam: sobre Januários, Elisângelas e Joões

Esta narrativa  foi gerada no início deste ano de 2020, e de lá pra cá, trazendo ainda às nossas lembranças a brutalidade extrema, racista, contra Januário, homem negro acusado de “roubar o próprio carro” no supermercado Carrefour, na cidade de São Paulo, muitas situações de racismo em supermercados vêm ocorrendo com pessoas negras nos quatro cantos deste país.  O mesmo Brasil que, pela boca de uma mídia “global” diz que “Nós não somos racistas”, cujo quiproquó escorre na língua venenosa de algumas lideranças políticas. Há Joões negros que morrem tanto asfixiado brutalmente numa confusão resolvível numa rede de supermercados (Carrefour), quanto num mercado menor.  Há também Marias que são perseguidas e golpeadas pelas insensibilidades de funcionários, que também não deixa de ser racista, advindas de situações preconceituosas no estacionamento ou nos corredores de pequenos supermercados. Cada um desses episódios são mortais, seja para o corpo, a alma, o psicológico da ...

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Foto: RyanJLane/Getty Images

Carta ao povo preto

21 de novembro de 2020 Homem preto, poderia ser eu. Poderia ser você. Aliás, foi eu e foi você também. Porque não se matou (e nem se mata) no Brasil aquele que cometeu um delito. Um crime. Se mata aquele que tem a pele nossa. Aquele que se parece com a gente. Aquele que tem nosso esteriótipo. Nosso biotipo. Nós temos a cor da morte. E, se não puderem matar, nos prendem sem precisar de justificativas. Homens pretos cometem delitos? – Sim. Por isso precisam de serem punidos? – sim. E os brancos? Os brancos estão no lugar de punir os pretos. O sistema é organizado. Para pretos é a trilogia do C. Cadeia, caixão, cova… para os brancos tem outros Cs a que se recorrer (código, constituição, cidades e cidadania). Não é possível mais aceitar este modelo. Aliás, já não é a muito tempo. E, entendo, reverencio e agradeço ...

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"Sou vítima e sobrevivente desse sistema racista", diz Crispim Terral, vítima de violência dentro de uma agência bancária Imagem: Arquivo Pessoal

‘O Beto podia ter sido eu’: clientes relatam tensão e agressões em lojas

A divulgação das imagens que mostram João Alberto Silveira Freitas ser espancado até a morte dentro de um Carrefour em Porto Alegre fez o empresário Crispim Terral, 35, reviver a violência sofrida por ele e filmada há quase dois anos. Policiais o agrediram na frente da filha em uma agência da Caixa em Salvador. Terral ficou por quase cinco horas na agência para resolver um saque indevido de R$ 2 mil de sua conta corrente. "Sou vítima e sobrevivente desse sistema racista que mata o nosso povo diariamente. A violência se repete e eu fico pensando: até quando vai acontecer?", questiona Terral, "Podia ter sido eu ali e quase foi". O sentimento de indignação e revolta revivido no último dia 20 de novembro é compartilhado por outras vítimas de agressões em shoppings, bancos e supermercados ouvidas pela reportagem. Elas narram os problemas fúteis que culminaram em violência física ou psicológica. Espera desmesurada, ...

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Darnella Frazier (Arquivo Pessoal)

Adolescente que filmou últimos momentos de George Floyd será premiada por coragem

A americana Darnella Frazier, de 17 anos, que filmou George Floyd sendo sufocado pela polícia, vai receber um prêmio pela coragem de ter registrado a cena. "Com nada além de um celular e muita coragem, Darnella mudou o curso da história deste país", afirma Suzanne Nossel, presidente da Pen America, associação de defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos que vai homenagear a jovem. " acendeu as chamas de um corajoso movimento que pede pelo fim do racismo sistêmico e da violência praticada pela polícia." A homenagem a Darnella será feita no início de dezembro em uma cerimônia virtual que vai substituir o tradicional baile de gala que a instituição oferece para entregar o prêmio "PEN/Benenson Courage Award" (prêmio de coragem da Pen/Benenson). O assassinato de George Floyd pela polícia gerou enorme revolta nos EUA e impulsionou o movimento Black Lives Matter (Vidas negras importam, em inglês), ...

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