Tag: genocídio da população negra

Joel Luiz Costa (Foto: Reprodução / Twitter)

“Cano estourado, porta com 40 buracos de tiro, poça de sangue no chão. É desolador ver isso no seu espaço”

Joel Luiz Costa nasceu e foi criado na favela do Jacarezinho, que foi cenário nesta quinta-feira da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro e da segunda maior chacina do Estado. Um total de 25 pessoas morreram, entre elas um policial civil baleado na cabeça. A Polícia Civil do Rio nega que tenha cometido erros na operação. Hoje, Costa é advogado criminalista e coordenador-executivo do Instituto de Defesa da População Negra (IDPN), que oferece assistência jurídica gratuita para promover pessoas a equidade racial no Brasil. Em depoimento ao repórter Felipe Betim, do EL PAÍS, ele relata o cenário de guerra que encontrou após a operação e conta o que sentiu ao caminhar pelas ruas do território onde cresceu. Também explica sobre como o IDPN atuará para dar assistência aos familiares das vítimas da polícia. Leia abaixo o depoimento: Emicida definiu outro dia numa frase o que diz ...

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Ivanir Dos Santos / Arquivo Pessoal

Rituais da morte e a morte da democracia

O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas –CEAP manifesta publicamente solidariedade aos familiares das 25 pessoas assassinadas na ação policial realizada na comunidade do Jacarezinho em 6 de maio de 2021, esperando que as autoridades, em particular o Ministério Público, exerça com rigor a sua função institucional.   A chacina ocorrida na comunidade do Jacarezinho, onde 1 policial e outras 24 pessoas foram mortas, aponta o estado de terror, o grau de bestialidade e subdesenvolvimento em que o Brasil está submerso. A prática de extermínio da gente pobre e negra que vive nas comunidades, não pode ser considerada como um fenômeno circunstancial, trata-se de um modo cultural do poder de polícia sob responsabilidade do Estado e de poderes policialescos, que na maioria dos casos é exercido por agentes do próprio Estado.  Vivemos em um imenso circo de banalização da morte: chacina de Vigário Geral (21 pessoas), de Acari (11 pessoas), da ...

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Casa no Jacarezinho, após operação policial que matou 25 pessoas (Imagem: OAB)

ONU pede investigação imparcial e diz que país precisa repensar segurança

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos criticou a violência da operação policial no Rio de Janeiro e pediu que investigações imparciais sejam abertas. "Estamos profundamente perturbados pelas mortes de 25 pessoas numa operação policial", disse Ruppert Colville, porta-voz da ONU, numa coletiva de imprensa em Genebra nesta sexta-feira. Segundo ele, tal caso confirma a tendência de uso excessivo de força por parte dos agentes policiais, cita "problemas sistêmicos" e diz que algo "claramente está errado". Para o porta-voz, o modelo de policiamento de favelas precisa ser repensado pelo país e um debate deve ser aberto. Nesta quinta-feira, uma operação policial deixou ao menos 25 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro. Apesar de o ato ter se transformado na operação mais letal da história da cidade, o governo estadual indicou que a ação foi orientada por "inteligência e investigação". Mas grupos como a ...

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SALVADOR, BA, Bruno e Ian Barros da Silva, foram mortos horas depois de furtarem carnes em um supermercado de Salvador Foto: Reprodução/Redes sociais (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Governo da BA afirma haver ‘racismo e ódio aos pobres’ em morte de tio e sobrinho que furtaram carne

O secretário da Segurança da Bahia, Ricardo Mandarino, reconheceu que há componentes de racismo e de ódio aos pobres na morte de Bruno Barros da Silva, 29, e Ian Barros da Silva, 19, assassinados na última semana em Salvador após furtarem carne em um supermercado. Tio e sobrinho, Bruno e Yan foram flagrados por seguranças furtando pacotes de carne no supermercado Atakadão Atakarejo, em Amaralina. No mesmo dia, ambos foram encontrados mortos no porta-malas de um carro com tiros e sinais de tortura, no bairro da Brotas. O supermercado Atakarejo não registrou boletim de ocorrência do furto, segundo informou a Polícia Civil. Familiares das vítimas dizem acreditar que tio e sobrinho foram entregues pelos seguranças do supermercado a traficantes. “Trata-se de um delito resultado desse conceito vil, tosco, desumano, deturpado de que 'bandido bom é bandido morto'. Há, nessa ação abjeta, um componente forte de racismo estrutural e ódio aos ...

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Foto: Reprodução/ Coalizão Negra por Direitos

Quem tem fome quer comida, não a morte!

A Coalizão Negra por Direitos, articulação composta por mais de 200 organizações do Movimento Negro Brasileiro, repudia veementemente os cruéis assassinatos de Bruno e Yan Barros, na cidade de Salvador, na Bahia. O depoimento de familiares e testemunhas, amplamente noticiado local e nacionalmente, atestam que a segurança privada do supermercado Atakadão Atakarejo, localizado no bairro de Amaralina, reteve Bruno e Yan e, na sequência dos acontecimentos, ambos foram entregues a um grupo de traficantes da região e, finalmente, assassinados. Os dois jovens acusados de furto de carne foram retidos no pátio do supermercado, como demonstram as fotos divulgadas, arrastados pelas ruas do bairro, espancados, torturados e executados, com imagens divulgadas nas redes sociais. Essa prática sugere um nítido conluio que se consolida também em outras regiões do país, entre supermercados e outros estabelecimentos comerciais com  facções criminosas, milicianos e narcotraficantes, que prendem, torturam, decidem pôr fim à vida de cidadãos ...

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Luana Barbosa dos Reis morreu após abordagem da PM em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)

Negra, lésbica, periférica: morte de Luana Barbosa faz 5 anos sem resolução

No dia 13 de abril de 2016, em Ribeirão Preto (SP), morreu Luana Barbosa dos Reis, aos 34 anos. Negra, lésbica, periférica e mãe, sua imagem e seu nome viraram símbolo de mobilização social quase que instantaneamente. Isso porque, dias antes da data do falecimento, pessoas ligadas ao movimento negro e lésbico do estado de São Paulo passaram a conhecer aquela mulher até então anônima: em 8 de abril correu a notícia de que Luana havia sido espancada por policiais militares em uma abordagem. O motivo? Ela se recusou a ser revistada por agentes do sexo masculino, levantando a blusa para mostrar era mulher. A ativista Fernanda Gomes conta que soube da morte de Luana durante uma reunião de lésbicas negras que faziam parte da organização da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo. Nascia ali a Coletiva Luana Barbosa. "Durante uma reunião veio a notícia de que ...

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(crédito: Stephanie Keith/Getty Images/AFP)

Julgamento do policial acusado da morte de George Floyd começará na segunda

Nove meses depois da morte de George Floyd lançar uma nova luz sobre a questão racial nos Estados Unidos, o julgamento contra o policial branco acusado de assassiná-lo começa nesta segunda-feira. A seleção do júri começa segunda-feira em Minneapolis no caso contra Derek Chauvin, um ex-agente do Departamento de Polícia de Minnesota (MPD), que foi filmado pressionando o seu joelho no pescoço de Floyd por quase nove minutos enquanto o afroamericano detido, que estava algemado, lutava para respirar. As imagens chocantes da morte de Floyd, de 46 anos, em 25 de maio, geraram a onda de protestos "Black Lives Matter" contra a brutalidade policial e a injustiça racial nos Estados Unidos e em capitais ao redor do mundo. O caso de Chauvin promete ser inédito em muitos aspectos: contará com advogados famosos, será realizado sob forte segurança e será transmitido ao vivo. O escritório do Procurador-Geral do Estado de Minnesota ...

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Monica Cunha (Arquivo Pessoal)

“Meu filho foi adolescente infrator, mas hoje vejo sua morte como racismo”

"Meus planos não eram envelhecer só com dois dos meus três filhos. Eu escolhi tê-los, fiz planos para cada um deles. Mas nós, negros e negras, não temos o direito de sonhar com o futuro dos nossos filhos, porque o plano é nos matar. Rafael, meu segundo filho, foi assassinado pela polícia no dia 5 de dezembro de 2006, com 20 anos, mas sua humanidade, afetos e perspectivas de futuro foram tirados pelo Estado seis anos antes, quando ele se tornou um adolescente autor de ato infracional, e lhe foram negados os direitos de recuperação. Lembro como se fosse ontem a primeira vez, em novembro de 2000, que recebi a ligação do policial para avisar que meu filho estava detido. Trabalhava como cozinheira em um restaurante, e eu estava no trabalho. No almoço, meu celular tocou e desliguei —estava certa de que era um trote. Na tentativa seguinte, atendi e ...

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A técnica de enfermagem Luanna da Silva Pereira, 28, morta em operação da Polícia Civil no dia 4 de março - Reprodução/redes sociais

Operações policiais deixam ao menos nove mortos em três dias no Rio de Janeiro

Operações da Polícia Militar e da Polícia Civil do Rio de Janeiro realizadas entre quinta-feira (4) e sábado (6) resultaram em ao menos nove mortes, a despeito da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu as ações policiais no estado para casos excepcionais enquanto durar a pandemia da Covid-19. Especialistas em segurança pública e defensores dos direitos humanos alertam para o sistemático descumprimento da determinação do Supremo. O ministro Edson Fachin convocou para abril uma audiência pública para coletar informações e subsidiar o estado na formulação de um plano de redução da letalidade policial. Dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) mostraram que o número de mortes por intervenção policial saltou de 79, em dezembro, para 149 em janeiro. Foi o maior índice registrado desde abril do ano passado, antes da decisão de Fachin de restringir as operações. Na quinta-feira (4), a técnica de enfermagem Luanna da Silva Pereira, ...

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Parem de nos matar (Portal Geledés)

Pela afirmação da vida, pela liberdade e contra a brutalidade policial

NOTA EM APOIO AO GRUPO 13 DE AGOSTO - MÃES DE OSASCO E BARUERI, ÀS MÃES DE MAIO E AOS MOVIMENTOS CONTRA A VIOLÊNCIA DE ESTADO A seletividade racista do sistema de justiça criminal começa antes mesmo da abordagem policial, se estende por todos os atos do que se chama de “política de segurança pública” e se faz presente em todas as etapas de um processo penal, inclusive quando os alvos dessa seletividade são arrolados como “vítimas” no teatro macabro do tribunal do júri. Os processos criminais são procedimentos que chancelam uma verdade produzida a partir da ação policial. Todo julgamento é político! Entre os dias 22 e 26 de fevereiro de 2021, em meio a uma crise sanitário-securitária que já matou mais de 250 mil pessoas por Covid-19, ocorreu o julgamento de um policial militar e um guarda civil metropolitano de Barueri, acusados de participar da maior chacina da ...

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Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Notícia sem contexto contribui para o genocídio negro no Brasil, afirma pesquisadora

Como parte dos projetos especiais dos 100 anos da Folha, o jornal convidou 13 integrantes de grupos sub-representados no jornalismo profissional praticado no Brasil. Eles expõem episódios de preconceito e desinformação, além de problemas na relação com jornalistas e na forma como a imprensa noticia —ou não noticia— questões que os afetam direta ou indiretamente. Batizada de “E Eu? - O Jornalismo Precisa me Ouvir”, a série é formada por vídeos e depoimentos em forma de texto. Cientista social e pesquisadora, com uma tese sobre memória e escrita de mulheres negras, Bianca Santana, 36, fala sobre a representação das pessoas negras na imprensa. Ela é autora do livro “Quando Me Descobri Negra” e colunista da revista Gama. Leia entrevista ou assista ao vídeo (há uma versão com recursos de acessibilidade logo abaixo). VERSÃO COM RECURSOS DE ACESSIBILIDADE Na infância, além dos gibis da Turma da Mônica, eu gostava de ler a Veja. Minha ...

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Geledés

Família diz que menino morto no Rio foi retirado da porta de casa pela PM

A família do adolescente Ray Pinto Faria, de 14 anos, encontrado morto ontem em um hospital do Rio com ao menos dois tiros, afirma que a criança foi retirada da porta de casa pela PM e morta em seguida. As armas dos policiais militares que participaram da ação foram apreendidas e passarão por perícia, segundo a Polícia Civil. Ray estava na frente da casa onde mora, no bairro do Campinho, na zona norte do Rio, jogando no aparelho celular, quando foi abordado. De acordo com uma tia do rapaz, que não terá o nome divulgado por questões de segurança, foram horas de buscas pela criança que foi encontrada morta no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, também na zona norte. No hospital, a família tomou conhecimento que Ray foi levado para a unidade de saúde juntamente com outras duas vítimas. De acordo com a tia, no hospital foi informado que o ...

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Foto: Ari Melo/ TV Gazeta

Moradores carregam corpos e relatam danos psicológicos após ações da PM na Baixada Fluminense

Joana, 75, foi à rua resolver tarefas cotidianas, mas a violência que atravessa a vida na Baixada Fluminense a paralisou. Na praça, havia uma pilha de corpos, amarrados pelos pés. “Era como se fossem animais, parecia um monte de bicho”, contaria depois à filha, aos prantos. Naquela terça-feira, 12 de janeiro, a Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou ter encontrado oito corpos em Belford Roxo, cidade a cerca de 30km da capital, palco de disputas entre facções do tráfico de drogas e grupos milicianos. No dia anterior, teve início uma megaoperação da PM que, segundo moradores da região, avançou por fevereiro. A ação ocorre a despeito da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringiu as operações no estado durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo a Polícia Militar, o objetivo é instalar um destacamento que contará com 125 agentes no Complexo do Roseiral, favela controlada pelo Comando Vermelho. A corporação diz que não teve responsabilidade ...

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Manifestantes protestam em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, contra assassinato de negros - Lucas Tavares-Folhapress

Deuses ateus: buscando reconstruir afeto numa sociedade que vê o homem negro como ameaça

“Deuses nascem todos os dias mesmo E os melhores têm a pele preta E são assassinados todos os dias pelos de pele clara Geralmente usando azul caneta Eu tenho muito amor pra dar e um filho pequeno Diz o que quer de mim Meu menino é um deus ateu Pois em algum momento vai duvidar de si” (Delacruz - Deuses Ateus) Eu aprendi a amar com um homem preto: o meu pai. E hoje perco noites de sono pensando na desumanização que nossa sociedade imprime em homens pretos. Nosso país não ama homens pretos. O Brasil não é um local seguro para homens pretos. Não é um lugar seguro para pessoas pretas. E por conta disso, hoje eu vou falar sobre contrassenso. Para uma pessoa que foi criada por um homem preto e entende isso como uma expressão de amor, não é fácil compreender uma sociedade que trata os ...

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José Antonio Correa Francisco (Arquivo Pessoal)

Ruptura: antirracismo x banalização

“Não chego armado de verdades categóricas. Minha consciência não está permeada de fulgurações precípuas. No entanto, com toda a serenidade, acho que seria bom que certas coisas fossem ditas. Essas coisas, eu as direi, não as gritarei. Pois há muito o grito saiu da minha vida. E fez tão distante…” (Frantz Fanon) À Emily Victória Silva dos Santos (In memoriam) À Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos (In memoriam) Em 25.5.2020, em Minneapolis, Minnesota, EUA, George Perry Floyd Jr, negro, foi fria e covardemente assassinado por um policial branco, por suspeita de ter utilizado nota falsificada na aquisição de um produto. Por 11 vezes George disse “Eu não consigo respirar”, apelo dolosamente ignorado pelo policial branco. No dia seguinte ao assassinato de George, os jogadores da equipe do Milwaukee Bucks da NBA (liga profissional do basquetebol, nos EUA) se recusaram a entrar em quadra, boicote que foi seguido por outras equipes, jogadores, técnicos ...

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Enterro de Edson Arguinez Júnior, de 20 anos, morto após uma abordagem policial em Belford Roxo Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

‘Os assassinos não deram chance para o meu filho’, diz mãe de um dos rapazes mortos após abordagem de PMs

Comoção e indignação de parentes e amigos marcaram o enterro do camelô Edson Arguinez Júnior, de 20 anos, na tarde desta segunda-feira, dia 14, no Cemitério Municipal de Belford Roxo, no bairro da Solidão. O pai do rapaz, Edson Arguinez, estava desolado. A todo tempo ele dizia que o filho era “amigo e trabalhador” e questionou a abordagem da PM. A dona de casa Renata Santos de Oliveira, de 40 anos, diz que “é uma revolta, indignação, tristeza, um conjunto de sentimentos” ter que passar por essa situação. O rapaz foi morto junto com o amigo Jhordan Luiz Natividade, estudante de 17 anos, após uma abordagem por policiais militares na madrugada de sábado, em Belford Roxo. — Eu estou fazendo (hoje) uma coisa que eu não desejo para ninguém, que é enterrar o meu filho. Os assassinos não deram chance para o meu filho. Não deram chance de um filho ...

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João Alberto (Foto: Arquivo Pessoal)

Polícia Civil do RS indicia seis pessoas pela morte de Beto Freitas no Carrefour

A Polícia Civil indiciou seis pessoas pela morte de Beto Freitas, homem negro de 40 anos espancado no Carrefour, em Porto Alegre, na noite de 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra. As seis pessoas foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado. O laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou que Beto morreu por asfixia. Após ser espancado, ele foi mantido imobilizado no chão. Gravações mostraram a vítima pedindo socorro. "Tô morrendo", dizia ele em um dos vídeos. A imagem da imobilização e a morte por asfixia lembram o caso do norte-americano George Floyd, cujo assassinato desencadeou protestos contra o racismo nos Estados Unidos. "Há, sim, tratamento desumano e degradante naquela cena", disse Nadine Anflor, delegada-chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. "Vinte e três dias depois do fato, de trabalharmos exaustivamente, a delegada Roberta e sua equipe fizeram um trabalho de excelência. Foram ouvidas ...

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Emily Victória Silva dos Santos, 4, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, 7, brincavam no portão de casa quando foram baleadas Imagem: Arquivo Pessoal

Fragmentos de bala são encontrados no corpo de uma das primas mortas no RJ

A Polícia Civil encontrou fragmentos de bala no corpo de uma das meninas mortas na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O material vai ser encaminhado para perícia e, com ele, espera-se definir o tipo de projetil que atingiu a criança. As armas dos PMs, cinco fuzis e cinco pistolas, já haviam sido apreendidas para exame de confronto balístico. As primas Emily e Rebeca, de 4 e 7 anos respectivamente, foram mortas na sexta-feira (4), na calçada de casa, na comunidade do Barro Vermelho, em Gramacho. De acordo com o advogado da família, Rodrigo Mondego, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB /RJ, testemunhas e a posição dos policiais no momento que as duas meninas foram atingidas podem ajudar a esclarecer o caso. "Com esse fragmento dá para saber qual tipo de arma usada. Pelo impacto na criança, há suspeita de que seja um tiro ...

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SILVIA IZQUIERDO / AP

Dados inéditos comprovam que negros são o alvo da letalidade policial nos cincos estados monitorados pela Rede de Observatórios

97% dos mortos pela polícia na Bahia são negros Ceará não notifica a cor dos mortos em 77% dos casos Nove em cada dez mortos pela polícia são negros em Pernambuco 51% da população do RJ é negra, mas entre os mortos pela polícia negros são 86% São Paulo vê aumento da letalidade policial e entre os mortos 64% são negros A cor da violência policial: a bala não erra o alvo, novo relatório da Rede de Observatório da Segurança, traz dados dos cinco estados monitorados pela rede  e escancara a dinâmica racista da letalidade policial. O estudo apresenta um retrato preciso da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo com dados de 2019 que comprovam que a bala da polícia é dirigida à população negra. A Bahia apresenta o maior percentual de negros mortos pela polícia e em números absolutos fica atrás apenas do Rio de Janeiro e São ...

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Silvia Ramos (Foto: Claudia Ferreira)

A polícia não vai mudar

Emilly e Rebecca estavam brincando na porta de casa, no bairro Pantanal em Caxias no fim da tarde. Numa fração de segundos, estavam no chão, com uma bala na cabeça e outra no tórax. Uma rajada só. Moradores dizem que os tiros partiram da polícia. Policiais dizem que foram atacados por criminosos. Fazendo pesquisas e projetos sobre violência e segurança pública há mais de 20 anos no Rio de Janeiro, me pergunto quantas vezes ouvi esse enredo e quantas foram as tragédias envolvendo crianças. A plataforma de dados Fogo Cruzado nos informa que só em 2020 foram 8 crianças mortas por balas perdidas no Rio de Janeiro. Porém, em outras ocasiões, já se comprovou que o tiro partiu dos agentes. Foi a polícia que matou  Ágatha, no Complexo do Alemão e João Pedro, no Salgueiro, em São Gonçalo. Crianças negras, como são negras 86% das vítimas de violência policial no Rio ...

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