Movimentos feministas e música são destaques na redação de estudantes em SE

Estudantes atingiram nota máxima na redação.
Medicina e direto são os cursos que os estudantes desejam vaga.

Por Flávio Antunes, do G1 

Sergipe é mais uma vez destaque no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além de José Victor, aprovado no Enem 2014, aos 14 anos, como o mais jovem aluno de medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o estado agora foi destaque com os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, Sofia Alves Torres de 16 anos e Jorge Gabriel Mendes Silva Santos, também de 16 anos. Os dois estão entre os 104 candidatos que alcançaram a pontuação máxima na redação ao atingirem a nota 1000 no Enem 2015, que teve como tema, “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

Parte desse êxito os estudantes atribuíram a situações históricas vividas pelas mulheres e a arte, através da música. Os dois não pensaram duas vezes ao revelar o grande momento na redação.

Sofia teve uma ajuda de peso ao estudar com o pai, que é estudante de medicina (Foto: Divulgação/Sofia)
Sofia teve uma ajuda de peso ao estudar com o
pai, que é estudante de medicina
(Foto: Divulgação/Sofia)

“Sem sombra de dúvidas, a introdução que fiz, ao citar os movimentos feministas ao logo do tempo, foi o trecho da minha redação de maior relevância. Sem falar que isso foi colocado na minha introdução, ou seja, parte da redação muito enfatizada pelos meus professores”, contou Sofia.

“A música, ‘Senhor Cidadão’, do cantor Tom Zé, foi inspiradora para o desenrolar da minha redação. Com quantos anos de medo se faz uma tradição? Essa foi frase que eu coloquei no texto que eu destaco como ponto alto. Essa frase da música dialoga com a persistência da violência contra mulher”, destacou Jorge.

Mas o que Sofia e Jorge destacam como fatores predominantes para o sucesso na Redação foram: incentivo dos pais e abdicação do lazer, por parte de Sofia, e fortalecimento espiritual, compartilhar de informações com amigos, através de grupo de estudos, por parte de Jorge.

“O meu sucesso vem de pessoas como os meus pais. Os meus maiores incentivadores me mostraram o prazer do gosto pelo conhecimento. Outro detalhe que destaco foi a minha abdicação por festas e shows aos finais de semana. Busquei meu lazer de alguma forma que me trouxesse conhecimento de mundo, principalmente no tocante a atualidades. Ou seja, era estudar ou estudar”. Emocionada, brincou Sofia.

Jorge levou o crucifixo que ganhou da avó como amoleto da sorte (Foto: Divulgação/Jorge)
Jorge levou o crucifixo que ganhou da avó como
amoleto da sorte (Foto: Divulgação/Jorge)

“Acredito que o fortalecimento espiritual que procurei, ajudou bastante no meu desempenho. Ele me trouxe paz e amenizou minha ansiedade. Os grupos de estudos que realizava com colegas da minha turma também contribuíram significativamente para o meu sucesso”. Feliz, comentou Jorge.

Diante de anos de esforço, os estudantes agora esperam a glória com o resultado que irá aprová-los em uma universidade.

“Agora é esperar o resultado e torcer que eu esteja aprovada para realizar o sonho de ser médica”, acredita Sofia.

“Em anos anteriores fiz o Enem e consegui ser aprovado em Engenharia, mas com o passar do tempo fui tomando gosto pelo direito e espero em Deus que consiga conquistar essa vaga”, confia, Jorge.

Enem
O Enem pode ser usado como parte da avaliação para o vestibular de algumas universidades. Outras utilizam a nota como única forma de seleção para as vagas do ensino superior, por meio do Sisu, o Sistema de Seleção Unificada do Ministério da Educação.

Nota 1000

Para ganhar nota 1.000, um texto deve cumprir bem cinco competências exigidas pelo MEC. O título não é obrigatório. Cada competência tem cinco faixas que vão de 0 a 200 pontos:

Competência 1: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.

Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

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