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Mulher, jovem, negra, latina e lutadora!

Alexandria Ocasio-Corteza, uma das mais novas mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados dos EUA, pode ser considerada um dos símbolos ou nova cara da política americana, como foi BARAK OBAMA, o primeiro negro a ser eleito presidente dos EUA.

Por Juacy da Silva , da VG Notícias

Foto: NBC NewsWire/Getty

Assim está jovem deputada agradeceu seus eleitores e seguidores nas redes sociais após a confirmação de sua brilhante vitória: “Words cannot express my gratitude. The people of the Bronx and Queens, and countless supporters across the country, elected us on a clear mandate to fight for economic + social justice in the United States of America. : Alexandria Ocasio-Cortez‏Conta [email protected] 7 de nov “. Traduzindo, “palavras não expressão minha gratidão. As pessoas do Bronx e Queens, e incontáveis apoiadores ao redor do pais, elegeram-me com um mandato claro para lutar por justiça social e econômica nos Estados Unidos da América”.

Nas eleições da semana passada (07/11/2018), o Partido Democrata recapturou a maioria naquela Casa de Leis. Os democratas “tomaram” 23 cadeiras que pertenciam aos republicanos e com isso, mesmo tendo perdido e não conseguido fazer maioria no Senado, começam os preparativos para os embates que serão as eleições americanas para Presidente e o Congresso dentro de dois anos e, ao mesmo tempo, os democratas poderão colocar “um freio” nas políticas de Trump, consideradas um retrocesso quando comparadas com os avanços conseguidos durante o governo OBAMA.

A novidade nesta grande vitória dos democratas em relação a Câmara dos Deputados (House of Representatives) é que a presença das mulheres aumentou consideravelmente, além de muitas mulheres jovens, também foram eleitos representantes de minorias, como negros, latinos e pobres que sofrem ainda com discriminação e vivem em meio a pobreza e exclusão social, política e econômica que ainda existem no pais mais rico do mundo. São mais de 40 milhões de pessoas vivendo na pobreza, entre as quais 12,8 milhões de crianças, adolescentes e jovens com menos de 18 anos e 6,8 milhões de idosos, com mais de 60 anos; uma grande contradição tanto em relação ao “sonho americano” quanto em relação a uma melhor e mais justa distribuição de oportunidades, renda/salário e riquezas.

Alexandria Ocasio-Corteza, uma mulher jovem, negra, de origem latina e que vive em uma área com muitos imigrantes e seus descendentes na cidade de New York, primeiro trabalhou como voluntária na campanha de Bernie Sanders na tentativa de ser o candidato do Partido Democrata para a presidência dos EUA, tendo perdido para Hilary Clinton.

A partir daí tomou gosto pela política e, coragem, “encarou”, durante as eleições primárias do Partido Democrata, um prestigiado deputado com diversas mandatos como representante do distrito eleitoral onde vive e surpreendentemente venceu e ficou aguardando o confronto direto com quem deveria ser candidato do Partido Republicano nas eleições da semana passada e venceu de forma arrasadora, mais de 70% dos votos, consagrando-se como a nova representante daquele distrito na Câmara dos Deputados.

Ela é mulher, jovem, de origem Latina, negra, lutadora e muito consciente do que representa. Passou a ser uma referência para milhões de meninas, meninos, jovens, negros e mestiços e descendentes de imigrantes, legais ou ilegais, pouco importa e representa uma esperança para quem deseja mudanças.

Mesmo que o voto aqui nos EUA não seja obrigatório, a participação das pessoas que se registram voluntariamente e comparecem `as urnas também voluntariamente é bastante representativa e existe uma certa alternância no poder entre os partidos democrata e republicano, tanto em relação ao Congresso (Câmara dos deputados e Senado) quanto `a Casa Branca (Presidência dos EUA).

Os principais temas desta campanha foram: situação da imigração/legal e ilegal; programa de saúde pública (Obama Care); acordos internacionais de comercio; questão dos acordos nucleares com Iran e Coreia do Norte, questões ambientais, incluindo o acordo de Paris sobre mudanças climáticas e o problema das drogas, principalmente a crise dos “opioides”, além de inúmeras questões locais ou estaduais.

Em relação aos governadores, o Partido Republicano saiu-se vencedor em 20 estados e os democratas em 16, onde ocorreram eleições para governador no meio do mandato presidencial.

A partir de agora, começa nova vida na Câmara dos Deputados, sob o comando dos democratas e podemos dizer que será também a largada para a Campanha Presidencial de 2020.

 

*Juacy da Silva é professor universitário, UFMT, mestre em sociologia.

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