Mulher que foi presa por racismo volta a atacar vizinhos no litoral de SP: ‘Negra porca’

Enviado por / FontePor Isabella Lima, do G1

A mulher que é investigada pela polícia por escrever ofensas racistas contra vizinhos em Santos, no litoral de São Paulo, fez uma nova colagem em sua porta contra uma moradora. O novo bilhete, fixado outra vez na entrada do apartamento da nutricionista de 56 anos, foi obtido pelo G1 nesta segunda-feira (10). A mulher já chegou a ser presa por ameaçar vizinhas e praticar injúrias raciais, mas foi solta.

A nova colagem da mulher se refere a uma de suas vizinhas, também já ofendida em outras ocasiões, como “preta retinta”, “porca” e “maloqueira”, além de outros xingamentos de baixo calão.

O G1 não havia conseguido localizar a suspeita até a última atualização desta reportagem.

Nos papéis que ela havia colado na porta de seu apartamento anteriormente, ela se referia aos negros como pessoas de “espírito imundo” e “escória da sociedade”. Na ocasião, foi registrado boletim de ocorrência contra a nutricionista por ameaça, injúria e difamação no 7º DP de Santos.

Em 5 de maio, a mulher chegou a ser presa por ofensas a vizinhas com palavras de cunho racista e por tentar agredi-las, mas foi solta na audiência de custódia (leia mais abaixo).
Neste domingo, quem informou ao G1 sobre as novas ofensas racistas foi o zelador Arilton Souza de Carvalho, que já foi alvo dos ataques da mulher (leia no bilhete abaixo). O zelador contou que este último ataque ainda não foi registrado na delegacia, mas a reportagem apurou que a vizinha à qual a nutricionista se refere no novo bilhete está procurando apoio jurídico.

Penúltimo papel colado por nutricionista se refere a negros como pessoas de “espíritos imundos” em Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

O delegado responsável pelo caso, Jorge Álvaro Gonçalves Cruz, afirmou que todos os crimes registrados pela Polícia Civil serão incluídos no relatório final do Inquérito Policial (IP) já em curso, para análise do juiz e do Ministério Público (MP).

De acordo com o artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, injúria racial se refere a ofensa à dignidade ou decoro utilizando palavra depreciativa referente a raça e cor com a intenção de ofender a honra da vítima.

Já o crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, é aplicado quando a ofensa discriminatória é contra um grupo ou coletividade. Por exemplo, impedir que negros tenham acesso a estabelecimento comercial, privado, etc.

Arilton, o zelador, relata que também já foi alvo de ataques racistas de nutricionista. Mensagem acima foi escrita por ela em abril deste ano (Foto: Arquivo pessoal)

Entenda o caso

Na madrugada da última quarta-feira (5), moradoras do condomínio chamaram a polícia e registraram também boletim de ocorrência por injúria racial, dano e ameaça contra a suspeita, no 7º DP de Santos. Na ocasião, ela foi presa em flagrante, mas, foi solta na audiência de custódia.

Na data, uma das vizinhas dela relatou que a nutricionista havia colado em sua porta e na de outro vizinho papéis com dizeres como “negra vaga*****”, “porca”, e ainda que “negro quando não faz na entrada faz na saída”. As ofensas, além de coladas nas portas das vítimas, conforme relataram à polícia, também estavam espalhados na área comum do condomínio.

Segundo relataram as moradoras no registro da ocorrência, ela teria ainda ameaçado matar duas vizinhas com uma barra de ferro. Segundo as vítimas, a mulher costuma atirar garrafas nos corredores e já as ameaçou de morte.

Em entrevista ao G1, o zelador afirmou que sofre ataques com frequência por parte da nutricionista no condomínio, localizado no bairro José Menino. Ele registrou boletim de ocorrência contra ela no fim de 2020, devido a uma agressão que sofreu por parte da investigada, e por ouvir em outras ocasiões xingamentos como “negro”, “marginal” e “preto encardido”.

Segundo relata zelador, vidro de portaria foi quebrado por nutricionista em março deste ano (Foto: Arquivo pessoal)

Ele também relatou que em março deste ano, quando tirava o lixo do condomínio, foi ofendido mais uma vez com palavras de cunho racista.

“Nesse dia, após me ofender, ela subiu até o apartamento dela e pegou uma garrafa e voltou para ver onde eu estava. Como a moça da portaria disse que não sabia onde eu estava, ela [nutricionista] a xingou e jogou a garrafa no vidro de onde fica a portaria. Foi registrado outro boletim contra ela na ocasião, por injúria e lesão corporal”, disse.

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