MV Bill: “As pessoas podem acordar agora, mas a cultura hip hop nunca dormiu”

Rapper conversa com o iG sobre o novo disco, “Monstrão”, e fala sobre os livros que pretende lançar

“Monstrão é uma expressão bastante usada pela galera do hip hop atualmente. É uma palavra bacana porque tem grandiosidade ao mesmo tempo em que é enraizada”, define o rapper MV Bill, em entrevista ao iG , sobre o nome de seu mais novo trabalho. Aos 39 anos, o carioca Alex Pereira Barbosa, o MV Bill, está no hip hop desde 1993 – além disso, desenvolveu também trabalho como ativista em favelas brasileiras e como escritor em obras que retratam a periferia.

“Sou um cara que atravessou uma geracão, e estou cantando para uma nova. Quando esses jovens me chamam de monstrão, entendo como uma forma carinhosa de reconhecimento do meu trabalho”, completa. “Monstrão” tem a participação da irmã de Bill, Kmila CDD. As letras CDD do nome da rapper fazem referência à Cidade de Deus, no Rio, onde os irmãos cresceram.

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Mulheres “mandam o recado”

“Passei um bom período convivendo com quatro mulheres (a mãe e as irmãs). Eram quatro choros por namorado, quatro TPMs. Acabou que fiquei mais sensível a essas questões que não caberiam na minha voz, mas a Kmila manda o recado”, explica sobre a participação da irmã nos vocais do disco novo.

“Alguns pensamentos ficam mais bonitos quando vêm na voz feminina. Ela dá um recado importante que muitas mulheres querem dizer, mas não têm a chance, não dizem por causa da violência ou não têm coragem. A Kmila é esse personagem que entra no disco.”

“A cultura hip hop nunca dormiu”

Quando questionado se os protestos pelo País influenciaram na composição das faixas do novo disco, MV Bill, com a percepção de um ativista social, é direto: “Muitas pessoas podem estar acordando agora, mas quem é envolvido com a cultura hip hop nunca dormiu”. “Se (no disco) tiver menção que se conecte (com os protestos) é pura coincidência, porque já tenho essa militância há anos. Algumas músicas já proclamavam o repúdio à corrupção.”

Ativismo Social

MV Bill é um dos fundadores da Cufa (Central Única das Favelas), organização não-governamental que conecta jovens carentes com a cultura do hip hop. Sobre as atuais ações do governo para pacificar as favelas, o rapper diz que “investir apenas no braço armado não traz transformação ao lugar”. Para MV Bill, faltam “outros exércitos além da polícia, como médicos e profissionais que devolvam a autoestima da comunidade”. 

Rap nacional

Com os ouvidos abertos para a cena de hip hop brasileira, MV Bill toca nos dois programas de rádios que apresenta vários nomes do País. “(Nos programas) só toco rap brasileiro e aproveito minhas viagens pelo Brasil para receber material. Estou curtindo o MC Ramonzinho, o MC Amiri e o MC RAPadura, do Nordeste, que mistura muito bem o rap com o repente.”

Pop x underground

“É difícil falar de (um rap que seja) pop no Brasil porque as músicas não entram na programação das rádios, as emissoras de clipe têm restrição. (O rap) é um espaço ainda muito restrito. Como é muito alternativo, qualquer um que se destaca acaba destoando do resto do movimento. Mas esse destaque não é suficiente para chamar de pop. Isso fica para o sertanejo, pagode e uns funks, no sentido literal da palavra”, analisa MV Bill.

 

Segundo o rapper, a cena de hip hop brasileira “ainda não é popular”. Em compensação, isso “cria uma estrada mais consolidada, porque é com base na verdade. Não existe a cultura do jabá, com isso tem mais durabilidade. Jovens que não viveram o momento de músicas como ‘Soldado do Morro’, de 1999, pedem hoje para eu tocar. Se tivesse estourado antes, não sei se teria a mesma força agora.”

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Literatura das ruas

MV Bill prepara o lançamento de dois livros. Em “Na Boca do Sapo”, ele e Celso Athayde (com quem fez livros e o documentário “Falcão – Meninos do Tráfico”) escrevem sobre a vida na Favela do Sapo, na visão de Celso, e o dia a dia na Cidade de Deus, segundo Bill.

O outro título, “CDD Anos 80”, tem um aspecto mais pessoal do rapper com a comunidade de Cidade de Deus. “Não chega a ser uma autobiografia. Vou falar do período dos anos 1980 da minha vida até uma parte mais recente como o meu amadurecimento e as transformações da CDD.”

 

Por: Susan Souza 

 

Fonte: iG 

 

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