Negros defendem mudanças na educação para garantir respeito à diversidade racial

O Brasil precisa garantir mudanças na educação pública para oferecer aos estudantes melhor acesso à cultura africana, a fim de se combater a discriminação racial. A advertência foi feita pelos participantes da sessão solene que a Câmara Legislativa realizou na manhã desta sexta-feira (30) para homenagear a África e também a “Década das Mulheres”, conforme proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU). O dia internacional dedicado ao continente africano é 25 de maio.

DO  Câmara Legislativa

iStockphoto

O evento – de autoria do deputado Cláudio Abrantes (PT) – reuniu, no plenário, militantes do movimento de defesa da igualdade racial, além de representantes de entidades e órgãos do governo ligados às questões raciais e de gênero. Contou ainda com embaixadores e membros do corpo diplomático de países africanos. Nas manifestações, foi  unânime o discurso de defesa da luta contra o racismo e de reconhecimento da relevância das raízes culturais africanas para a formação do povo brasileiro.

“O Brasil é africano”, ressaltou Abrantes, ao lembrar que grande parte dos africanos que vivem fora do continente natal está aqui no Brasil. “Temos 51% da nossa população atual composta por afrodescendentes. Dos 54 países da África, apenas a Nigéria tem mais negros do que o Brasil”, afirmou o parlamentar, que elogiou os “avanços” econômicos, sociais e políticos conquistados nos últimos anos pelos países africanos, citando como exemplo o processo de democratização naquela região e de inclusão social das mulheres africanas.

A assessora da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas, Dalila Negreiros, representando a ministra Luiza Bairros, enfatizou a necessidade de a sociedade brasileira se engajar na luta do continente africano contra o colonialismo econômico e cultural. E afirmou que aquele ministério tem como prioridade estabelecer parcerias de cooperação junto aos países africanos na área de educação.

Colonialismo – A efetivação de mudanças no ensino de História sobre a herança cultural africana “fora da visão europeia, colonialista”, no currículo das nossas escolas, é uma das medidas mais significativas a serem adotadas no  Brasil em favor do respeito à diversidade racial e combate ao racismo. A constatação foi feita pela coordenadora de educação em diversidade da Secretaria de Educação do DF, Ana Marques. Ela informou que aquela pasta tem investido em mudanças pedagógicas previstas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que valorizam o ensino da cultura africana.

Também o secretário Veridiano Custódio, da Secretaria  Especial da Promoção da Igualdade Racial do DF, enfatizou  a necessidade de o Estado brasileiro garantir políticas públicas para se combater a discriminação racial no País. Ele citou como exemplos positivos as ações afirmativas de criação de cotas para negros para ingresso nas universidades e também nos concursos públicos, “que ainda enfrentam resistência dos representantes das elites”.

Ao final da sessão solene, vários representantes das nações africanas agradeceram a homenagem da Câmara Legislativa, ressaltando a importância da solidariedade demonstrada pelo povo brasileiro às lutas dos seus povos. Entre os  embaixadores presentes compuseram a Mesa, a embaixadora da Etiópia, Sinknesh Ejigu, e o embaixador do Zimbabwe, Thomas Bvuma, entre outros. Todos eles lembraram que as mulheres africanas estão cada vez mais assumindo postos de comando na política.

Zildenor Ferreira Dourado – Coordenadoria de Comunicação Social

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