quarta-feira, setembro 22, 2021
InícioQuestão RacialCasos de RacismoNo mês da consciência negra, relatório mostra recorde de ofensas racistas no...

No mês da consciência negra, relatório mostra recorde de ofensas racistas no futebol brasileiro

Parcial do levantamento anual mostra 53 casos envolvendo clubes brasileiros; em 2018, o estudo apontou 44 ocorrências

Por Elton de Castro, do Globo Esporte

blank
Casos de racismo bateu recorde no Brasil — Foto: Arte GloboEsporte.com

No mês da consciência negra, o futebol brasileiro deu mais uma demonstração de que o racismo está longe de ser um problema superado. Isso porque o Observatório da Discriminação Racial no Futebol divulgou uma parcial do relatório que mensura a incidência de casos racistas no futebol brasileiro e o número aponta para um recorde em 2019, em relação aos levantamentos dos cinco anos anteriores: são 53 casos envolvendo clubes do futebol nacional, sendo 47 em campeonatos nacionais e seis em torneios organizados pela Conmebol. Em 2018, ano que detinha a pior marca até então, ocorreram 44 casos.

blank
Casos de discriminação racial em 2019 — Foto: Reprodução Observatório da Discriminação Racial no Futebol

O relatório também aborda 13 casos envolvendo atletas brasileiros que atuam no exterior. Dentre eles, o atacante Taison, do Shakhtar Donestk, que além de sofrer ofensas durante o jogo contra o Dínamo Kiev, foi expulso ao reagir e acabou sendo punido com um jogo de suspensão.

– A gente está com 53 casos, é um número de casos muito maior. Acho que tem a questão do aumento das denúncias, mas também há uma piora no comportamento das pessoas. Estão se sentindo mais livres para fazer esse tipo de ação – disse Marcelo Carvalho, pesquisador e fundador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

O cenário anual é um reflexo do panorama apresentado no levantamento realizado pelo GloboEsporte.com, onde 48,1% dos técnicos e atletas negros, das Séries A, B e C afirmaram ter sido vítimas de racismo. Segundo o relato dos jogadores, há casos de injúrias raciais em 14 estados, espalhados pelas cinco regiões do país.

O panorama preocupa clubes e CBF que, desde a paralisação para a Copa América, em junho deste ano, adotou um protocolo que prevê punições às entidades, em caso de atos discriminatórios nos estádios. Na última rodada da Série A – a 34ª -, os times chegaram a entrar para os jogos com camisas estampando campanhas contra o racismo. Uma ação em homenagem ao mês da consciência negra.

RELATED ARTICLES