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“O Flamengo gasta 200 milhões para contratar jogadores. E eu vou chorar a vida inteira pelo meu filho”

Seis meses após incêndio no Ninho do Urubu, familiares dos garotos mortos se indignam com a diretoria rubro-negra, que rejeitou acordo por indenizações, mas segue investindo alto no futebol

Por BREILLER PIRES, do El País 

Pai de Christian guarda troféus e uniformes usados pelo filho. (Foto: FERNANDO SOUZA/El País)

No último domingo, Cristiano Esmério passou seu primeiro Dia dos Pais sem a companhia do filho Christian, que, aos 15 anos, foi um dos dez garotos mortos pelo incêndio no centro de treinamento do Flamengo. “Nós éramos muito apegados. Queria que estivesse aqui comigo. Não tem dinheiro que pague a falta que ele me faz”, afirma o organizador de eventos, que vive com a mulher e os filhos gêmeos, de 3 anos, em uma casa de quatro cômodos no subúrbio do Rio de Janeiro. Seis meses depois da tragédia, o acordo de indenização com o clube rubro-negro ainda está longe de ser fechado e pode se encaminhar para uma extensa batalha nos tribunais. “Os dirigentes decidiram arrastar nosso sofrimento. O Flamengo gasta 200 milhões para contratar jogadores. E eu vou chorar a vida inteira pelo meu filho.”

Esmério não está sozinho em sua indignação. Outras famílias também dizem reviver a perda traumática dos filhos diante das escolhas tomadas por dirigentes do Flamengo, que recusaram a proposta extrajudicial mediada pela Defensoria do Estado e pelo Ministério Público do Rio. Pelo trato sugerido em uma câmara de conciliação, o clube pagaria 2 milhões de reais a cada família e uma pensão de 10.000 reais mensais até 45 anos completados pelas vítimas caso estivessem vivas.

As indenizações somariam um montante de 20 milhões de reais, equivalente à folha salarial do clube para bancar mensalmente elenco, comissão técnica e funcionários. A recusa, argumentam os defensores e promotores, contrasta com as cifras do time mais rico do país. Somente este ano, o Flamengo empenhou quase 200 milhões de reais em contratações de reforços. Os 55 milhões comprometidos para trazer da Europa o meia Gerson e o zagueiro Pablo Marí, anunciados cinco meses depois do incêndio no Ninho do Urubu, quitariam praticamente todo o acordo de reparação às famílias estipulado por órgãos públicos.

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