Tag: violência racial

Joe Ligon, solto depois de 68 anos atrás das grades, na quarta-feira em uma rua de Filadélfia.XAVIER DUSSAQ

A vida de Joe Ligon, preso aos 15 anos e libertado aos 83

Desde que Joe Ligon saiu da prisão, perguntaram-lhe várias vezes se tinha medo de encarar um mundo que ele só conhecia pela televisão. “Por quê? Não tinha medo, não senhora, não tinha medo, estou muito feliz de ter chegado vivo a este momento”, assinala. Ele entrou na prisão em 1953, quando tinha 15 anos, Dwight D. Eisenhower era presidente dos Estados Unidos e um menino negro como ele não podia estudar na mesma escola que os brancos. Não era seu caso, então não sabia ler nem escrever porque mal havia pisado em uma escola. Foi libertado em 11 de fevereiro, 68 anos depois, aos 83 anos. Era o prisioneiro mais velho do país condenado à prisão perpétua sendo menor de idade. O que mais o surpreendeu não foram as pessoas, o barulho ou celular, mas os altos edifícios de Filadélfia. “Não existia nada disto quando fui para a prisão, é muito impressionante...”, ...

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A escritora e ativista Ana Paula Lisboa (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

O que DJ Ivis e Liziane Gutierrez têm em comum

Eu fico um pouco impressionada com quem consegue falar e opinar tão rápido, em meio a tanta maldade, com tantas notícias e imagens aterrorizantes. Já eu, permaneço uns dias com o estômago embrulhado e, dependendo do acontecimento, agradeço não ser a minha semana de “opinar”. Opinar dá muito trabalho e embrulha o estômago. Mas não foi desta vez, em meio a tantas imagens e notícias aterrorizantes, cá estou eu opinando. Notícia que preciso opinar nº1: domingo, depois de ser flagrada com outras cerca de 500 pessoas em uma festa clandestina em São Paulo, Liziane Gutierrez apareceu em um vídeo gritando e xingando policiais. A frase mais emblemática do vídeo é “vão bater na favela!” Notícia que preciso opinar nº2: domingo, Pamella Holanda divulgou inúmeros vídeos em que aparece sendo espancada pelo ex-marido, DJ Ivis. Ambas as notícias me aterrorizaram de formas diversas: o teor, o tempo, as palavras, os gestos, ...

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Alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, em 21 de junho de 2021, em Genebra - AFP

ONU defende justiça restaurativa para legado da escravidão

A ONU defendeu nesta segunda-feira (12) a ideia de uma “justiça restaurativa” para lidar com o legado da escravidão e do colonialismo, enquanto os países africanos apresentaram uma resolução para criar um grupo de especialistas em racismo e violência policial. Falando perante o Conselho de Direitos Humanos (CDH) em Genebra (Suíça), a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu o estabelecimento de um mecanismo, com prazo determinado, para fazer avançar a “justiça e igualdade racial”. Seu pedido foi ouvido pelos países africanos, que apresentaram nesta segunda-feira um projeto de resolução sobre a proteção dos direitos e liberdades fundamentais dos afrodescendentes diante da violência policial. O texto será discutido nesta segunda, ou terça-feira. Nele, propõe-se a criação de “um mecanismo de especialistas independentes que possam se concentrar mais claramente no problema do racismo sistêmico dentro da polícia e do sistema de justiça criminal”, explicou o representante camaronês ...

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Winnie de Campos Bueno, integrante da Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 200 entidades do movimento negro, e doutoranda em Sociologia
Imagem: Marilia Dias/Divulgação

‘Não negociamos a vida de pessoas negras’, diz jurista sobre Carrefour

Entidades e movimentos antirracistas pelo país criticaram duramente o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) no valor de R$ 115 milhões firmado entre Carrefour e órgãos públicos. O acordo foi motivado por reparação pelos danos morais comunitários devido à morte de João Alberto Freitas, espancado em uma loja de Porto Alegre, e para descartar a abertura de novas ações judiciais. Em nota divulgada nesta segunda-feira (21), a Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 200 entidades, afirmou que não compactua com "nenhum tipo de tratativa que precifique vidas negras". Os movimentos consideram que o TAC foi apenas um "acordo de contenção", uma vez que não houve responsabilização civil e criminal da empresa. Ainda criticam o Carrefour por não ter buscado diálogo com a família, que considera não ter recebido uma indenização apropriada, e consideram que as ações acertadas não reparam a comunidade. "Não negociamos a vida de pessoas negras", reitera Winnie ...

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Com alta letalidade entre a população pobre e negra, seminário debate luta antirracista e mobilidade urbana

O período de pandemia de Covid-19 no Brasil, entre abril de 2020 e março de 2021, mostra que motoristas e cobradores de ônibus estão no topo do ranking de desligamentos trabalhistas causados por mortes, segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. Já um estudo do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, da PUC-Rio, demonstra que 55% da população negra morre por covid, enquanto entre brancos, a estimativa é de 38%. Para debater sobre o tema que ainda é pouco discutido, a Fundação Rosa Luxemburgo e a editora Autonomia Literária promovem um ciclo de lives sobre a luta antirracista com foco na questão da mobilidade urbana. Os encontros acontecerão aos sábados durante os meses de maio e junho pelo canal do Youtube da editora. “Durante a pandemia ficou ainda mais nítido que o racismo sustenta as estruturas de mobilidade. Enquanto a única saída apontada por especialista para se proteger da ...

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A escritora e ativista Ana Paula Lisboa (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

Murro em ponta de faca

Das obstinações, várias tentativas, repetições, não desistências, insistências, confesso: não sou das melhores. O tempo às vezes me ganha, esse deus lindo e valiosíssimo. Não só ele, o cansaço, a preguiça. Quer me matar? Tenha comigo as mesmas discussões, não resolva os mesmos temas durante semanas, meses, anos, me faça as mesmas perguntas sempre, brigue comigo pelos mesmos motivos, me diga para resolver coisas que já foram resolvidas por outras pessoas no passado. Minha ansiedade me faz querer avançar, pensar no que pode ser a próxima coisa, no que posso trazer de novo. Não consigo acreditar que recebi esta vida para perder tempo pensando em coisas que já foram resolvidas. Mas, veja bem, não digo que estou certa. Na verdade, percebi que várias vezes estou muito errada. Uma das últimas vezes foi assim: eu seguia na minha plenitude quando Julio Ludemir, da Flup, na live de lançamento do livro “Carolinas”, ...

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Perifa Connection/Divulgação

Deus está com os oprimidos, não com aqueles que apoiam o genocídio negro

Vivemos o fim dos tempos, do mundo, e de vidas. O Brasil que conhecemos está terminando ciclos: universidades públicas com risco de encerrarem as atividades, mais de 400 mil mortes por Covid-19, desemprego batendo recorde com 14 milhões de pessoas desocupadas, insegurança alimentar chegando na casa dos 125 milhões de brasileiros e o sistema de saúde pública em colapso. Enquanto isso, o presidente da república encomenda o quilo da picanha a R$ 1.799. O Brasil do fim do mundo é o país que, no pior momento da pandemia, fez uma operação policial que assassinou aproximadamente 30 pessoas. É um país que amanhece com gente negra e periférica lavando sangue da sua sala e das suas calçadas. É onde homens brancos à frente de grandes corporações e do governo autorizam verdadeiras chacinas . Nós crentes costumamos dizer diante da tragédia: “é o fim do mundo, Jesus está voltando”. Se olharmos os dados sabemos que os assassinatos nas terras indígenas e nas operações ...

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A jornalista Isabel Wilkerson, vencedora do prêmio Pulitzer e autora de 'Casta: As Origens de Nosso Mal-Estar' -Foto:  Howard County Library System

Países em que algumas vidas valem menos explicam recordes na pandemia, diz ganhadora do Pulitzer

"O coronavírus não liga para nacionalidade ou cor da pele, mas são os países com maior divisão hierárquica na sociedade que estão no topo de mortes e casos", diz a autora americana Isabel Wilkerson, citando os três líderes globais em óbitos por Covid-19: EUA, Brasil e Índia. Essas divisões, argumenta ela, fazem com que alguns grupos sintam ter menos responsabilidade pela vida de outras pessoas. “Isso tem impacto nas nossas sociedades”, afirma a autora de “Casta: As Origens de Nosso Mal-Estar”, que chegou ao Brasil no final de abril pela editora Zahar. No best-seller, a vencedora do Pulitzer defende a tese de que os EUA são mais do que um país racista. São, como a Índia, uma sociedade de castas, em que a raça é apenas o elemento visível da divisão social. À Folha Wilkerson afirmou que é preciso cautela quanto à disseminação de vídeos de casos com o de George Floyd, homem negro assassinado por um policial ...

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João Alberto (Foto: Arquivo Pessoal)

Caso João Alberto: o que se sabe e o que falta saber após 5 meses de investigação

A morte de João Alberto Silveira Freitas, cidadão negro espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, em novembro de 2020, completa cinco meses sem previsão de julgamento. A juíza Cristiane Busatto Zardo determinou, nesta terça-feira (20), que o Instituto-Geral de Perícias (IGP) pode realizar a reprodução simulada dos fatos a partir de quinta-feira (22). Não há, segundo a delegada Vanessa Pitrez, previsão de quando isto deva ocorrer. "Enquanto não melhorar a situação da pandemia, o IGP não está realizando perícias que exigem grande número de pessoas", explica. Na semana passada, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o trâmite ao habeas corpus de Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, ex-policial militar temporário acusado de participar do crime. A ministra destacou que as instâncias anteriores não apreciaram o mérito do habeas corpus, o que afasta a atuação do STF no caso. Assim, a defesa do ...

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Foto: @pixabay/ Nappy

E as nossas crianças negrxs da periferia?

Atualmente, nos últimos dias, viemos acompanhando no noticiário, em diversas mídias, o caso da criança Henry Borel, de 4 anos, que sofreu uma morte violenta por meio de tortura e consequentemente homicídio cometido pelo médico e vereador Jairinho, apontado como principal suspeito do assassinato. Sobre o principal acusado do crime temos a sua formação de médico que diante do seu juramento em que consagra a sua vida pela saúde e bem-estar dos pacientes, como pode aquele que deve cuidar do outro com zelo com o objetivo de curar as dores sendo ele, o médico, o próprio causador da dor? As faculdades de medicina aprofudam os seus conhecimentos nos Direitos Humanos? Jairinho, um homem branco formado em medicina, construiu sua campanha para vereador com base nos preceitos de familia, contra a ideologia de gênero e a favor da escola sem partido apoiado pelo então presidente genocida da República. Até quando iremos ...

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Túmulos em cemitério na Vila Formosa (Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress)

Com pandemia, SP registra 25% de mortes a mais entre negros e 11,5% entre brancos em 2020

A Covid-19 foi muito mais mortífera entre pessoas negras do que entre as brancas no estado de São Paulo ao longo de 2020, quando 46,7 mil pessoas morreram em decorrência da doença no território paulista, mostra um estudo inédito da Vital Strategies com apoio do Afro-Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Os dados colocam São Paulo, onde 40% da população é negra (preta ou parda), na liderança da desigualdade racial no país durante a pandemia de Covid-19 e extrapolam disparidades já existentes. A análise foi feita a partir de dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde) e do sistema de informação da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais e indica que o excesso de mortes registrado no estado entre os negros (pretos e pardos) foi mais do que o dobro do que aquele registrado entre os brancos. O excesso de mortes é o ...

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Para o professor Muniz Sodré, a insensibilidade social alimenta a indiferença pelos negros (Foto: Léo Ramos Chaves/Revista Pesquisa Fapesp)

“O negro é um cidadão invisível. Quando ele aparece, a violência aparece também”

A morte brutal de João Alberto Freitas, espancado e sufocado até a morte por dois seguranças brancos em um Carrefour de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra (20/11), não só gerou revolta como provocou uma série de questionamentos sobre o racismo que ainda molda as relações sociais no Brasil. Para o escritor e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Muniz Sodré, a morte do homem negro é uma morte anunciada no cotidiano brasileiro, como se fosse pré-programada. A dificuldade que se tem para discutir e combater o racismo no país, segundo Sodré, passa pelo que ele chama de duplo vínculo, que consiste em dizer uma coisa e agir de outra forma e, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, o racismo brasileiro é ambíguo porque “ao mesmo tempo que se tem uma exclusão racista, do ponto de vista do afeto, da proximidade, você ...

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Parem de nos matar (Portal Geledés)

Criança é morta por bala perdida na virada do ano no Rio Comprido

Uma menina de 5 anos morreu nesta sexta-feira (1º) após levar um tiro no pescoço durante a queima de fogos da virada do ano na Comunidade do Turano, no Rio Comprido. Alice Pamplona da Silva chegou a ser levada para o Hospital Casa de Portugal, mas não resistiu. Inicialmente, a suspeita era que a garota teria sido ferida por fogos de artifício, mas os médicos constataram que foi um tiro. De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado na 6ª DP (Cidade Nova), que instaurou inquérito para apurar os fatos. Os pais já prestaram depoimento na unidade policial. Outras testemunhas seriam chamadas. O caso ficou a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital, e as investigações continuam para identificar e esclarecer de onde partiu o tiro que atingiu a criança. Segundo a PMRJ, não houve operação policial na região, nem confronto armado envolvendo equipes policiais no momento do ...

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Entregador de quentinhas, Tiago Gomes ganha cerca de R$ 1.200 por mês para criar três filhos - Tércio Teixeira/Folhapress

Foto em delegacia faz jovem negro ser acusado 9 vezes e preso duas por roubos que não cometeu

Quando foi fotografado na delegacia há quatro anos, Tiago Vianna Gomes, 28, não imaginou que aquele registro preto e branco iria parar em um álbum de suspeitos e lhe renderia nove processos judiciais e duas passagens pela prisão por roubos que não cometeu. O caso é emblemático das falhas graves da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário na investigação, denúncia e condenação de suspeitos com base em reconhecimento fotográfico. A insuficiência de prova foi o entendimento do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Sebastião Reis Júnior, no dia 15 de dezembro, para absolver Tiago de uma condenação na primeira e segunda instâncias pelo roubo de uma moto em 2017. A vítima apontou que o assaltante era negro e tinha 1,65m de altura —Tiago tem 1,80m. No entanto, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita julgou que a diferença de 15 centímetros "não é assim tão grande", chamou ...

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O artista NegoVila, 40 (Foto: Arquivo Pessoal)

Artista negro morre baleado em distribuidora de bebidas em SP, e policial suspeito é detido

O artista NegoVila Madalena, 40, morreu atingido por um tiro que, segundo testemunhas, foi disparado por um policial na frente de uma distribuidora de bebidas de Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista, na madrugada deste sábado (28). A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou, no fim da tarde deste sábado, que um policial militar foi detido após um homicídio ocorrido em um bar na Vila Madalena. "O caso está sendo registrado pelo 14º DP (Pinheiros), que apura os fatos. A Polícia Militar também instaurou um IPM para investigar todas as circunstâncias relacionadas à ocorrência", diz a nota. O assassinato do artista negro acontece nove dias depois de Beto Freitas, também negro, ser espancado até a morte por seguranças de uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre. O crime, ainda sob investigação, chocou o país. NegoVila era o nome artístico de Wellington Copido Benfati. ...

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"O que se viu no mercado dos playboys da Pamplona foi legítima defesa", explica Douglas Belchior (Foto: Pedro Stropassolas)

Douglas Belchior sobre Carrefour: “Foi um protesto desproporcional. Eles nos matam”

Uma das lideranças do movimento negro no Brasil, Douglas Belchior está incomodado. Quando chegou à manifestação da última sexta-feira (20), na avenida Paulista, em São Paulo, que deveria ser um ato pelo Dia da Consciência Negra e se tornou mais um protesto em repúdio à morte de um homem negro, o militante disparou. “Até quando? Está insuportável.” Na noite anterior, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado até a morte por dois seguranças privados e terceirizados do Carrefour, em uma unidade da multinacional francesa em Porto Alegre (RS). Os dois agentes são funcionários do Grupo Vector e trabalhavam irregularmente, de acordo com a Polícia Federal (PF). Ambos foram presos. No dia seguinte, por volta de 18h, o movimento negro marchou da avenida Paulista até a unidade do Carrefour na rua Pamplona, nos Jardins, zona nobre de São Paulo (SP). Lá, um grupo se destacou e entrou no supermercado, ...

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Douglas Belchior (Foto: Marlene Bargamo/Folhapress)

Violência? Vandalismo? Os negros perderam a paciência, diz Douglas Belchior

O que é vandalismo num país que mata um jovem negro a cada 23 minutos? Por que há mais comoção com vidraças e prateleiras quebradas do que com os negros assassinados todos os dias? Albert Camus, filósofo franco-argelino, dizia que "a violência não é patrimônio dos exploradores. Os explorados também podem empregá-la" E eu concordo com ele. Passou da hora de a população negra perder a paciência! (Professor Douglas Belchior, militante da Uneafro Brasil) A manifestação na avenida Paulista já estava marcada por várias entidades para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra, como acontece todos os anos. O brutal assassinato, na véspera, do negro João Alberto Freitas, por seguranças do Carrefour, em Porto Alegre, transformou a caminhada num protesto pacífico, com faixas e cartazes, e o policiamento acompanhando à distância, apenas para interditar ruas no trajeto. Estava acompanhando tudo pela televisão na tarde se sexta-feira, quando o âncora Márcio ...

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Mirtes Renata Santana, mãe de Miguel Otávio Santana da Silva
Imagem: JÚLIO GOMES/LEIAJÁIMAGENS/ESTADÃO CONTEÚDO

Racismo que matou João e vitimou Miguel encontra reação nas urnas

O racismo desvaloriza as vidas negras. João Alberto Silveira Freitas, 40, um homem negro, foi espancado por um policial militar e um segurança na noite desta quinta (19) no estacionamento do Carrefour em Porto Alegre (RS). Mais um caso de violência racial em supermercados. Em 2019, vimos a tortura de um jovem negro de 17 anos no Ricoy, em São Paulo, e o sufocamento até a morte de outro jovem negro no Extra, no Rio. Em Recife, Miguel, o menino de Mirtes, completaria seis anos esta semana. Ele nasceu em 17 de novembro de 2014, às 7h42, rechonchudo. Pesou 4,5 quilos e mediu 42 centímetros. Teve a vida interrompida pelo desprezo, a negligência, a crueldade que muitas vezes determinam as relações raciais no Brasil. Miguel era muito pequeno. Não teve tempo de aprender o lugar do negro no país onde a sociedade se estruturou sobre o mais numeroso e longo ...

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Coalizão Negra Por Direitos/Facebook

Boicote Nacional ao Carrefour

COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS, articulação que reúne 150 organizações, coletivos e entidades do movimento negro e antirracista de todo o Brasil, que atuam coletivamente na promoção de ações de incidência política nacional e internacional na defesa dos direitos da população negra brasileira, expressa seu repúdio à mais um episódio de violência racial em uma das unidades da Rede de Supermercados Carrefour. O vídeo que circula nas redes sociais não deixa dúvidas sobre a covardia do ocorrido. Dois seguranças do supermercado Carrefour, sob o olhar de um policial militar fora de serviço, espancam até a morte um homem negro sem nenhuma possibilidade objetiva de se defender. Não é a primeira vez, a rede Carrefour é reincidente em casos de violência racial, e portanto precisa ser responsabilizado por essas práticas. No ano de 2009, seguranças da rede de supermercados espancaram Januário Alves de Santana na unidade de Osasco, ao argumento de que ...

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Manifestante protesta na porta do Carrefour, em Brasília, pelo assassinato de Beto (Foto: Eraldo Peres/ AP )

Extermínio de negros, o empreendimento mais bem-sucedido do Brasil

Esqueça a Bolsa de Valores ou a especulação imobiliária. O negócio que nunca sai de moda nem apresenta risco ao investidor é o racismo à brasileira. Fundada na colonização, capitalizada na escravidão e repaginada na era das redes sociais, a discriminação racial se consolida cada vez mais como o título de renda mais sólido para governos, empresas e pessoas físicas que lucram com a eliminação de corpos negros. Nem mesmo o brutal assassinato de João Alberto Freitas, o Beto, espancado por seguranças na porta do Carrefour, em Porto Alegre, ameaça a estabilidade dos rendimentos. Afinal, toda a cartela de aplicações está estruturada sobre a lógica da diversificação das formas de opressão e massacre. O crime desta quinta-feira, justamente na véspera do Dia da Consciência Negra, choca pela brutalidade e frieza dos executores, mas não pelo CNPJ. Nos últimos anos, o Carrefour se especializou em protagonizar episódios de extrema violência. Não ...

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