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“O que é empoderamento”?

“O que é empoderamento”? escrito pelaArquiteta e Urbanista Joice Berth traz reflexões a partir da perspectiva feminista interseccional a respeito do conceito de empoderamento evidenciando as concepções de diversos intelectuais a exemplo de Paulo Freire, bell hooks, Patricia Hill Collins, Angela Davis, na qual compreendem o empoderamentoenquanto prática de transformação não somente subjetiva, como também de caráter coletivo.

por Maciana Freitas e Souza enviado para o Geledés

O livro é dividido em quatro partes intitulados “Opressões estruturais e empoderamento: um ajuste necessário”, “Ressignificação pelo feminismo negro”, “Estética e afetividade: noções de empoderamento” e as considerações finais.

 

foto- Daisy Serena

Berth inicia seu percurso a partir de contribuições teóricas afirmadas em Michel Foucault e Hannah Arendt para explicar o que se entende por poder. Nesse sentido, O empoderamento, aqui entendido não como uma tomada de poder para si, em ato individual, mas que se faz necessário ações práticas para intervir na realidade, pois sem se contrapor a ordem vigente não há empoderamento efetivo. De acordo com Joice Berth (2018, p.14)

“[…] quando assumimos que estamos dando poder, em verdade, estamos falando na condução articulada de indivíduos e grupos por diversos estágios de autoafirmação, autovalorização, autorreconhecimento e autoconhecimento de si mesmo e de suas mais variadas habilidades humanas, de sua história, principalmente, um entendimento sobre sua condição social e política e, por sua vez, um estado psicológico perceptivo do que se passa ao seu redor”.

A nossa realidade, com sua economia escravista trouxe diversas implicações socioeconômicas, políticas e culturais para esse grupo bem como a manutenção das estruturas hierárquicas, desse ponto de vista, empoderar-se, para  Berth (2018, p. 14), “[…] é um instrumento de emancipação política e social”, é portanto um processo individual e coletivo de transformação social. Empoderamento, dentro do movimento feminista negro, é um processo de luta contra as desigualdades sociais, o racismo, as opressões de gênero vividas pelas mulheres negras dentro da sociedade capitalista.

Berth (2018) enfatiza que “[…] a consciência crítica é condição indissociável do empoderamento” (p. 43), visto que, “[…] uma coletividade empoderada não pode ser formada por individualidades e subjetividades que não estejam conscientemente atuantes dentro de processos de empoderamento” (p. 42). Dessa forma a questão organizativa se constitui como um ponto fundamental para que mudanças sociais e políticas possam ser vistas na realidade brasileira.

Berth pontuaa importância do feminismo negro e da descolonidade para o alcance de direitos bem como de um olhar atento a essas questões que perpassam nossa vida social a partir de uma leitura crítica das situações de assimetrias por meio de uma abordagem respeitosa, no intuito de evitar a reprodução de estereótipos e noções problemáticas acerca dessas temática, pois muitas vezes pela mídia o “empoderamento” é visto apenas por uma prisma individual, levando ao esvaziamento do termo:

“O empoderamento enquanto prática social necessária no ápice de seu cooptação e distorção tem sido literalmente vendida sobretudo por aqueles que almejam manter o status quo formador de acúmulos e desequilíbrios sociais. Esse fenômeno social cria clãs micro-opressores que não tem condições psicológicas para conduzir outros indivíduos pelos caminhos processuais de autodescoberta sociopolítica, simplesmente porque nem ao menos buscaram erradicar dentro de si mesmos as internalizações perversas do sistema de opressão a que estão expostos” (p.83)

Conforme o capitalismo se desenvolve, ele impõe por meio das instituições seu poderio, na realidade, não há a intenção ou um projeto nesse sentido de mudanças das relações de poder, mas sua lógica está voltada a “[…] continuar exercendo o controle social sobre grupos oprimidos e não visam a transformação” (p.54). Após a leitura, acreditamos que não há como compreender a realidade nacional sem levar em conta esses elementos, portanto deve ser ponto de partida para atualização de nossas análises conjunturais.

Referência

Berth, Joice. O que é empoderamento? Belo Horizonte (MG): Letramento, 2018

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