domingo, dezembro 4, 2022
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Obama na China: economia, segurança e, claro, direitos humanos

Fonte: Último Segundo –

Desde que Richard Nixon abriu as portas para a China em 1972, todos os presidentes americanos enfrentam um malabarismo político com o país.

 

Para o presidente Barack Obama, que desembarcou na China no domingo, o desafio é ainda mais difícil e urgente. Ele precisa da ajuda de Pequim para resolver inúmeros problemas imensamente importantes e extremamente difíceis, incluindo a estabilização do sistema financeiro global, o controle do aquecimento global, o asfastamento da Coreia do Norte de seu programa de armas nucleares e a garantia de que o Irã não construirá bombas.

Para fazer isso,  ele precisa encorajar a China a adotar um papel internacional ainda mais forte – mas também restringir alguns de seus instintos mais sombrios, incluindo os maus tratos de seus próprios cidadãos, sua relação nada saudável com países como o Sudão e sua tendência a tiranizar seus vizinhos.

Obama já reconheceu a crescente influência da China (e de outras economias de rápido crescimento) quando transformou o G20 no principal foro para assuntos econômicos globais – no lugar do G8. Esperamos que isso resulte em um comportamento mais responsável por parte de Pequim.

Ainda em busca de uma área de concordância, Obama tem muito trabalho adiante. Ainda que os dois países tenham estabelecido enormes pacotes de estímulo, profundas tensões continuam presentes a respeito da taxa de câmbio da China.

Em relação à segurança, a China se juntou à América e outras grandes potências impondo sanções mais duras à Coreia Norte por causa de seu programa nuclear. Mas o país ainda é o principal benfeitor econômico de Pyongyang e demostrou vontade de explorar brechas nas sanções.

Pequim também evidencia preocupação a respeito do programa nuclear do Irã. Mas parece mais interessada em suas próprias necessidades energéticas vorazes e na capacidade do país em satisfazê-las. Obama terá que trabalhar mais para persuadir a China sobre os perigos internacionais, e da necessidade de duras sanções das Nações Unidas para restringir os apetites nucleares de Teerã e Pyongyang.

A China mantém elos íntimos com o Paquistão há muito tempo. Esperamos que Obama peça ao presidente Hu Jintao que ofereça maior assistência econômica a Islamabad e pressione seus líderes para que continuem combatendo a insurreição Taleban.

Ainda que as relações entre China e Taiwan tenham melhorado, Obama ainda deve pressionar Pequim para que desative centenas de mísseis apontados contra a ilha.

Alguns ativistas temem que a gestão Obama também tem se mantido em silêncio diante dos direitos humanos abismais da China. Obama adiou uma reunião com a Dalai Lama até depois desta cúpula. Mas tentar uma postura de menor confronto, por enquanto, não é irracional.

O sucesso da China como uma superpotência moderna não está garantido. A escassez de empregos e o descontentamento dos trabalhadores representam um enorme  desafio, bem como os movimentos separatistas no Tibete e Xinjiang.

Obama precisa encontrar uma maneira sútil de lembrar seus anfitriões dessas vulnerabilidades – e do fato que elas são melhor negociadas com franqueza política, ao invés de  mais repressão. Uma China que respeite seu próprio povo e seus vizinhos seria mais estável, economicamente mais forte, teria mais influência internacional e seria um parceiro muito melhor para os americanos.

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