segunda-feira, novembro 29, 2021
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Oceanos de vivências de uma Mulher Preta/Periférica

A minha escrita chama a existência das minhas ancestrais.  

Minha fala conclama o desejo em gritar palavras libertárias!

Meus pensamentos revelam a utopia de um mundo igualitário!

E meus dedos deslizam pelas teclas e escrevem essa pequena poesia, tão somente para contemplar e sentir!

Precisamos oxigenar a alma e as ideias! O novo grita lá fora, esperneia por nós acorrentados entre 4 paredes! Lugares novos! Pessoas novas! Ampliar o nosso capital cultural! Através de passos firmes, de correntes com alguns elos quebrados, seguimos nas trilhas que a vida nos apresenta, esses novos caminhos, essas novas encruzilhadas…

Entretanto, hoje, preciso refletir sobre muitos lugares que teimam em nos excluir, tentam esfregar em nossa cara que não pertencemos aquele espaço. Muitas vezes com atitudes brutas, outras com atitudes veladas… Sim, o racismo estrutural existe e nós sentimos na pele! E eu mais uma vez senti! Senti na pele, no corpo, na alma, no coração! Choro em silêncio! Grito através de palavras!

 Preciso confessar que um sentimento me corta neste momento, uma vontade de chorar todas as águas que poderiam preencher um oceano! Oceano que ainda guardam, os tantos corpos de nossos ancestrais! Oceanos de vidas! Oceanos de resgate! Oceanos de encontros! Oceanos de vivências de uma Mulher Preta/Periférica!

Enquanto escrevo, as lágrimas rolam… salga meu rosto, como as águas de Odoyá minha Mãe! História, memórias, relatos daqueles que passam por essa discriminação diariamente. O que fazer, mamãe? 

Pois, se gritamos somos loucos/ inconsequente e somos obrigados a ouvir, ‘não precisava tanto’!

Se não falamos, somos inseguros. 

Se choramos, somos fracos/medrosos/bobos…

Sinto, choro e escrevo, sim!…deslizo aqui os dedos com o coração aguerrido. Na tentativa de rachar um pouquinho esse ciclo de dores e mágoas. Mas tendo a certeza de  que, quem tem Iemanjá como mãe, tem proteção tão infinita como o mar. E são nas águas desse mar que jogamos nossas dores/tristezas e pedimos para ela levar!

Leva mãe, porque quero ter liberdade de ser eu! Mulher Preta! Afirmação, desejo, luta!  Quero ocupar tantos espaços que quiser! Eu, me permito! Mesmo demonstrando fraqueza, ser eu! O livro novo da Djamila ‘ cartas para minha vó’ diz “há dias tristes em que tento preencher o vazio com belas canções e poemas de amor!” Por isso, escrevo aqui, poemas de transludicidade.

E assim sigo, aceno para vida e invoco forças e proteções de minhas ancestrais. 

Mas, não deixarei de refletir sobre as experiências, e sobre a sociedade que vivemos…

Quantos de nós choram?! Quantos de nós passam por situações como essa?! Até quando? Porquê? Mimimi? vitimismo? Será? Invenção de nossa cabeça?

 Divido os questionamentos/sentimentos/anseios com vocês e apenas solicito que sigamos na busca da utopia e da cura dessa sociedade curvada pelo preconceito.

** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE. 

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