Os Crespos estreiam “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas” dia 20 de novembro, na Funarte

Os fundadores da Cia, Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza estréiam como diretores.
Personagens das atrizes Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt, Dirce Thomaz, Darília Lilbé, Dani Rocha e Dani Nega foram criadas com base em depoimentos de pessoas reais

 

Espetáculo investiga a afetividade de mulheres negras e compõe o projeto “Dos Desmanches aos sonhos: Poéticas em legítima defesa”

Em cena, as vidas de seis mulheres negras são flagradas em seus respectivos cotidianos em um prédio de apartamentos. Elas não dialogam, tampouco se conhecem. Mas as questões que saltam em seus depoimentos são comuns entre si: afetividade, família, casamento, sexo, solidão, beleza e igualdade. Discursos privados levados a público. “ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS” é o mais novo espetáculo de Os Crespos, coletivo de teatro de São Paulo. O espetáculo estreia dia 20 de novembro de 2013, dia da Consciência Negra, na Funarte (Alameda Nothman 1058, Campos Elíseos). A obra integra o projeto Dos Desmanches aos sonhos: Poéticas em legítima defesa e tem o apoio do Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo.

Considerando questões como relações com o corpo, traumas psicológicos, violência masculina, sexo, sobrevivência e aferição social, o espetáculo é baseado em depoimentos e experiências reais de 55 mulheres negras entrevistadas em 2013 pelo Coletivo. Os depoimentos foram dados por mulheres de diversas camadas sociais e profissões: integrantes do sistema prisional, donas de casa, sambistas, religiosas de matrizes africanas, empresárias, líderes comunitárias, prostitutas, entre outras. “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas” propõe dar voz e rever os estereótipos sobre a mulher negra, construindo uma nova relação de alteridade e valorização. Cada uma das seis personagens do espetáculo capta pelo menos cinco das histórias contadas pelas entrevistadas; na tentativa de mostrar a multiplicidade que as envolve. “Procuramos expor as personalidades das mulheres nos diversos elementos que envolvem o espetáculo, não só nas próprias personagens, mas na trilha sonora, figurino, cenografia, vídeos e até na vibração das cores”, explica Lucelia Sergio, diretora da peça, que traz Sidney Santiago Kuanza na co-direção e Eneida de Souza na direção de produção.

A cenografia, assinada pela diretora de arte Mayara Mascarenhas, envolve tanto espaços públicos, como um salão de beleza e um bar, quanto ambientes privados: um prédio de apartamentos onde as personagens revelam suas verdades ao público. A intenção é proporcionar a sensação de entrar na casa delas e partilhar de suas experiências, de suas visões de vida. A trilha sonora criada pela DJ Dani Nega, com composições de Miriam Bezerra, retrata a vida de cada uma das personagens. Uma forma de ressaltar a psique de cada uma. Trata-se de uma forma de Os Crespos valorizar cada linguagem inserida no espetáculo de uma forma única. Dentro deste conceito, a diretora de vídeo Renata Martins pontua trechos das entrevistas concebidas na projeção de imagens. A essência dessas mulheres, portanto, está presente na palavra, na imagem e inclusive nos figurinos.

Guerreiras, cheias de força, porém, solitárias, as personagens trazem questionamentos do porque desta solidão e os estigmas que fazem a maior parte das mulheres negras sofrerem com os estereótipos. Questionam porque o amor, para elas, é algo quase inatingível. “Desde cedo elas precisam crescer, serem fortes e entender coisas que não deveriam se preocupar enquanto crianças”, aponta a diretora Lucélia Sérgio. As personagens abordam também a importância da beleza, da liberdade sexual e o quanto o corpo da mulher negra é controlado por um sistema injusto.

Pesquisa do grupo expõe temas sensíveis

As entrevistas revelaram que a própria afetividade não é importante na vida de muitas dessas mulheres: a prioridade vira a sobrevivência e a felicidade dos filhos, suprimindo sua própria existência. Um outro fato, este alarmante, traz à tona que mais da metade das entrevistadas foram estupradas por um pai, irmão ou tio, na infância e na adolescência, muitas vezes, com o consentimento da mãe, que se absteve. “O espetáculo é sensível às questões femininas negras, discute coisas que não são faladas socialmente, como a saúde da mulher, questões de como elas são tratadas pelo sistema público e a resiliência dessas mulheres. Ela ganha menos, trabalha mais, tem os piores empregos e é responsável pela família e , além de tudo, dificilmente tem um companheiro, fato que impacta e muito sua vida”, explica Lucélia Sergio.

Já o co-diretor Sidney Santiago Kuanza, explica que foi transformador fazer parte do projeto, que está na pauta dos Crespos há dois anos. “Foi uma oportunidade de vivenciar, ouvir e tentar modificar em mim ações machistas intrínsecas em meu corpo. È a história de um corpo feminino que precisa deixar de ser aprisionado, ou seja é o corpo das nossas mães, das nossas filhas, presos por um sistema punitivo. O espetáculo vem para trazer luz a coisas importantes e não ditas, como um padrão de beleza que não reflete e a realidade física e biológica da mulher negra”, define Kuanza.

Ficha Técnica
Realização: Os Crespos Elenco: Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt e Dani Nega Direção: Lucelia Sergio Co-direção: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia: Cidinha da Silva Trilha Sonora: DJ Dani Nega Músicas Compostas: Miriam Bezerra Direção de arte, cenários e figurinos: Mayara Mascarenhas Iluminação: Ricardo Silva Orientação teórica: Flavia Rios Preparação vocal e canto: Silvia Maria Preparação corporal: Luciane Ramos Fotografia: Roniel Felipe e Ana Paula Conceição Designer Gráfico:Rodrigo Kenam Direção de vídeo: Renata Martins Direção de produção: Eneida de Souza Assistente de produção: Guilherme Funari Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação

Serviço
Espetáculo: “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas”
Local: Funarte – Alameda Nothman 1058,Campos Elíseos , (11) 3662-5177 – Sala Arquimedes Ribeiro – 60 lugares
Estreia: 20 de novembro, quarta-feira, às 21h
Temporada: de 20/11 a 19/12
Dias: quartas e quintas às 21h
Apresentações especiais: 21 de dezembro, sábado,
às 20h e 22 de dezembro, domingo às 19h
Preço: R$ 15,00 (R$ 7,50 meia)
Recomendação Etária: 14 anos
Duração: 80 minutos

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