segunda-feira, maio 23, 2022
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Para especialistas, mídia estimula e deve responder por ações de justiceiros

Sociólogo Lalo Leal argumenta que a excessiva repetição “dessas cenas de barbarismo banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo”; âncora do SBT, a jornalista Raquel Sheherazade gerou polêmica nas redes sociais e entre outros jornalistas por defender a ação de um grupo que acorrentou um suposto infrator a um poste no Rio 

por Redação Rede Brasil Atual
São Paulo – Para estudiosos, os recentes casos de “justiça com as próprias mãos”, que vêm acontecendo em todo o país, ganham destaque e são estimulados na mídia. Lalo Leal, sociólogo, professor de comunicação da USP e colunista da Revista do Brasil, afirma que os meios de comunicação de massa têm o dever de elevar o patamar civilizatório da sociedade, mas fazem o contrário e “estimulam a violência”.

Após o caso que ganhou grande repercussão na mídia – o de um menor amarrado a um poste, no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano –, aumentou o número de “justiceiros” em todo o país. Do seu ponto de vista, Leal argumenta que a excessiva repetição “dessas cenas de barbarismo banaliza a violência e contribui para reprodução de atitudes de espancamento coletivo”.

Vitor Blotta, pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência na USP, indica que a mídia banaliza a condição moral das pessoas “e não a própria violência”. A reportagem foi ao ar na edição de ontem (13) do Seu Jornal, daTVT. Para Blotta, num Estado de direito, a justiça com as próprias mãos é, por si, uma injustiça. “A imprensa, a forma como ela retrata os casos, pode influenciar atitudes de apoio a resoluções violentas de conflito”, argumenta.

Marcelo Crespo, da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia, da OAB de São Paulo, indica que as redes sociais propagam a ideia de que, para se proteger da violência, precisa haver mais violência.

Os principais crimes cometidos na internet são os crimes contra a hora (calúnia, injúria e difamação) e crimes de ameaça envolvendo preconceito de raça, gênero e religião, além da pornografia infantil. De acordo com o advogado Crespo, não é preciso criar leis mais duras para coibir esses crimes, mas é preciso que se cumpra o que já está na legislação.

Fonte: Brasil 247

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