quarta-feira, setembro 22, 2021
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Pesquisa da UFMG identifica mais de 71 bebês com anticorpos para a Covid-19 em Minas Gerais

Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificou 71 bebês que nasceram com anticorpos para a Covid-19. De acordo com a professora Cláudia Lindgren, do Departamento de Pediatria da instituição, o objetivo do estudo é acompanhar o impacto no desenvolvimento infantil.

“A gente tem esperança de que os anticorpos possam proteger um pouco esses bebês, pelo menos por alguns meses. A presença dos anticorpos confirma que eles foram expostos à infecção durante a gestação. Por outro lado, a gente não sabe que tipo de repercussão a longo prazo isso pode ter no desenvolvimento deles”, explicou a coordenadora do trabalho.

No Brasil, também há outros casos de bebês que nasceram com anticorpos para a Covid-19 registrados em Santa Catarina, Bahia e Acre. Um caso em cada estado.

A confirmação dos anticorpos não é uma garantia de que o bebê é imune ao coronavírus.

A pesquisa está sendo realizada em cinco cidades: Contagem e Nova Lima, na Grande BH; Itabirito, na Região Central; Ipatinga, no Vale do Aço, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

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Professora Cláudia Lindgren coordena estudo que identificou 71 bebês com anticorpos de Covid-19 em Minas Gerais — Foto: Arquivo pessoal

Ao todo, são 250 postos de coletas distribuídos nesses municípios. Toda mãe que leva o bebê para fazer o teste do pezinho, na primeira semana após o parto, é convidada a participar. A coleta de dados começou no dia 19 de abril deste ano. Desde então, já foram testados 543 duplas de mãe e bebê.

“Não há muitos estudos em crianças e recém-nascidos com anticorpos transmitidos pela placenta que fale para nós se houve algum dano. O estudo quer responder se há necessidade de um acompanhamento maior ou não quando a mãe é contaminada pelo coronavírus na gravidez”, afirmou Cláudia Lindgren.

Uma surpresa

Ainda de acordo com a pesquisadora, a maior parte das mães monitoradas até agora não teve grandes complicações com a Covid-19 durante a gestação. “Temos o relato de uma mãe que passou pelo CTI, mas não foi intubada, além de outras três que também foram internadas. Mas todos os bebês estão bem e ainda são muito novinhos”, completou.

Pietro tem pouco mais de um mês de vida e já está contribuindo com a ciência brasileira. Ele nasceu em Contagem, no dia 20 de abril, e é filho da psicóloga Kênia Adams de Jesus, de 36 anos.

Bebês nascidos com anticorpos para Covid-19

Cidade Número de bebês
Contagem 27
Uberlândia 25
Ipatinga 14
Nova Lima 4
Itabirito 1
Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais

“Foi uma surpresa descobrir que ele tem os anticorpos! Em dezembro, ainda gestante, meu marido, meu filho mais velho – Henrique, de 2 anos – e eu tivemos contato com uma pessoa contaminada. Não fizemos o exame na época, mas cumprimos a quarentena e tivemos sintomas característicos, como perda do olfato e do paladar”, contou a mãe de Pietro.

A expectativa dos pesquisadores é testar 4 mil bebês no total. Não há impedimento na participação de mães que já foram vacinadas, basta ter tido o bebê em uma semana. Na mãe, é feita a retirada de sangue do dedo. No bebê, é aproveitado o material colhido no teste do pezinho.

“Nosso interesse é fazer bem rápido, essa é só a primeira etapa. A pesquisa maior envolve um acompanhamento de dois anos desses bebês que testaram positivo”, disse Cláudia.

O trabalho é desenvolvido em parceria com o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) e a Universidade Federal de Uberlândia.

Kênia se dispôs a continuar participando das próximas fases. “Tudo é muito novo, no que pudermos contribuir, ficaremos muito satisfeitos!”.

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