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Pesquisadora discute encarceramento em massa com base em pensadoras negras

Pesquisadora discute encarceramento em massa com base em pensadoras negras

Com a intenção de introduzir e estimular homens e mulheres sobre uma pauta que tem cada dia mais ganhado centralidade na luta antirracista, a pesquisadora em Antropologia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), e feminista negra interseccional, Juliana Borges lança o livro “O que é encarceramento em massa?”, da série Feminismos Plurais. O primeiro livro “O que é Lugar de Fala?”, foi publicado com autoria de Djamila Ribeira.

Foto: André Zanardo/Justificando

Do Justificando

Juliana é colunista dos sites: Justificando; Blog da Boitempo; Fundação Perseu Abramo e Revista Fórum. Além disso, foi articuladora política da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD), assessora da Secretaria de Governo Municipal e Secretária-Adjunta da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo.

Em um primeiro momento, pode parecer estranho linkar  feminismo negro e encarceramento em massa como pautas que se encontram e interseccionam. Infelizmente, a realidade do Brasil e do mundo tem trazido à tona que o reordenamento sistêmico para manter desigualdades baseadas em hierarquias raciais tem operado suas engrenagens na interseccionalidade cada vez mais profunda das opressões racista, machista e classista.

Entre 2006 e 2014, a população feminina nos presídios aumentou em 567,4%, nos colocando no ranking dos países que mais encarceram no mundo, ficando no 5º lugar. 67% destas mulheres são negras e 50% são jovens.

Então, como podemos falar em democracia racial no Brasil, quando os dados nos mostram um sistema prisional que pune e penaliza prioritariamente a população negra? Como podemos negar o racismo como pilar das desigualdades no Brasil sob este quadro? Simplesmente, não podemos.

O Sistema de Justiça Criminal tem profunda conexão com o racismo, sendo o seu funcionamento mais do que perpassado por esta estrutura de opressão.

Além disso, tem sido dos principais aparatos de uma reordenação sistêmica para garantir a manutenção do racismo e, portanto, das desigualdades baseadas na hierarquização racial.

Neste livro, a autora apresenta e discute essas questões, colocando as principais visões de especialistas e ativistas sobre o tema, notadamente mulheres e homens negros. Passa também, com isso, pelos pensamentos de Sueli Carneiro, Thula Pires, Angela Davis, Michelle Alexander, Achille Mbembe, Vilma Reis, Ana Flauzina e uma série de outros pensadores e pensadoras que nos colocam como este momento de grave crise sistêmica tem operado para que se reordene as hierarquias de opressão, em modelos e funcionamento que só garantem a vida dos 1% mais ricos.

Além das análises e problematizações sobre o tema, aborda brevemente saídas radicais, principalmente a partir das formulações de Angela Davis, frente a um acirramento nas relações sociais e cada vez maior concentração de renda, controle e extermínio, no que temos chamado “capitalismo da barbárie”.

Neste novo momento, é sobre as vidas negras e indígenas que o sistema acelera sua política de extermínio. E isto nos pede maior radicalidade na formulação e na ação.

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